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Hoje, 24 de Junho

Opinião

Pedro Silva Pereira

Brexit descafeinado

A fragilidade do Governo Conservador de Theresa May é tanta que a rainha Isabel II não achou que fosse caso para usar coroa e traje de cerimónia por ocasião da leitura do famoso "Queen"s Speech", o momento solene em que a monarca cumpre a tradição de se deslocar a Westminster para ler o discurso de apresentação do programa do Governo diante do Parlamento reunido na Câmara dos Lordes. A razão desta atitude compreende-se bem: abalado pela perda da maioria absoluta, incapaz de assegurar um acordo célere com os unionistas irlandeses e dilacerado pelo drama do incêndio na Grenfell Tower, era um Governo enfraquecido e ainda de futuro incerto aquele que May tinha para apresentar pela voz da rainha. A circunstância, de facto, merecia tudo menos pompa.

Margarida Fonseca

#fado?

Ser português é ser único. Inventamos o fado, a saudade e lixamo-nos. Nunca teremos a felicidade plena. Carregamos a sina de acordar entre a alegria e a dor. São dias muito difíceis os que vivemos. Cheiram a morte, a incerteza, a mãos cheias de nada, a olhos vazios de esperança. Tiraram--nos a alegria por estes dias. Procuramos culpados e sentimo-nos culpados. Uma tragédia assim nunca nos tinha batido à porta nos tempos mais recentes. Choramos e temos a tentação de abanar os ombros nesse jeito de frase feita. "É a vida..." Podemos não dizer isto, mas pensamos sempre nisto. Pois, Manuel Molinos, camarada de jornadas, tens razão. Há sempre uma espécie de machado que corta alturas felizes. Os nossos rostos felizes no Euro, na vinda do Papa, na Eurovisão estão, agora, fechados. Nem o facto de sairmos do défice excessivo nos dá alento. Nem saber que o ministro Centeno é o Cristiano Ronaldo nas contas. Já não queremos amar pelos dois. Queremos ser amados. No meio da má-língua que nos caracteriza, nos desabafos que herdamos do escárnio e do maldizer somos assim. Uns dias nas nuvens da alegria, noutros no poço do infortúnio. Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado.

Vítor Santos

#adeusbalões

Participei numa discussão ontem de manhã, ao pequeno-almoço. O tema do momento estava a ser esgrimido na mesa ao lado da minha, por pai e filho, com a primeira página do JN metida ao barulho. Ainda pensei naquele provérbio "Entre marido e mulher não se mete a colher", mas logo avancei: não era o caso. Peguei na colherinha do café e, enquanto a mergulhava na chávena, enfiei a colherada: "Fiquem sabendo, que acho muito bem", disse. Claro está, a polémica dos balões: "Não há direito", reclamavam. "Cinco mil euros de multa por lançar um balão?!". Vendo bem, expliquei depois, só não estou de acordo que os foliões sejam informados assim a correr, fica muito a ideia de que alguém anda a apagar fogos à pressa. No entanto, se é para ficar bem, nunca desconsidero uma correção em cima da hora. Vale sempre a pena. No fim do curto debate com aqueles dois simpáticos, ainda lhes disse que conheço muito bem o maior prejudicado pela proibição. Sou eu, que combato as insónias a contar carneirinhos e estou sempre à espera da madrugada de S. João, pois nesse dia posso adormecer a contar balões. Agora, ardeu!

A sua Opinião

Os fogos em Portugal devem-se a políticas florestais desadequadas?