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Opinião

Inês Cardoso

O interior existe mesmo

Quando entrou no hospital da Guarda, na quinta-feira passada, Cláudia Costa estava quase no final de uma gravidez desejada e para a qual se submeteu a tratamentos de fertilidade. O que se passou numa hora e meia de alegada espera por um obstetra, a hora e meia que foi do sonho prestes a cumprir-se à perda de um filho, só os inquéritos em curso poderão apurar. Sobra, contudo, uma inquietação. O desfecho teria sido o mesmo numa maternidade de Lisboa ou Porto, com mais recursos e médicos disponíveis?

João Gonçalves

Cavaco, um intruso no país das maravilhas

Cavaco Silva reapareceu para apresentar o primeiro volume das suas memórias presidenciais. Escolheu uma arrumação temática mas concentrou a maior parte do trabalho na descrição e na avaliação do relacionamento político e institucional com os dois governos chefiados por Sócrates. Deixarei o livro para umas crónicas mais adiante. Sucede que Cavaco reapareceu num momento de tensão política largamente "inspirado" por procedimentos que, salvas as devidas diferenças, fazem lembrar outros ocorridos no principal período a que este primeiro volume respeita: de 2006 a meados de 2011. Falo da dissimulação, da farsa, da ambiguidade, da hipocrisia, do recurso à tortura semântica para esconder o óbvio ("erros de percepção mútua", é assim que agora se define a treta?), em suma, de atitudes políticas assentes em "modelos" de comportamento conhecidos. Repare-se como, por causa destas atitudes, ninguém deu a menor importância a números e resultados apresentados simultaneamente com as acrobacias lamentáveis de linguagem. A maioria parlamentar totalitária tenta, evidentemente, tapar o sol com a peneira: "nós mandamos e interpretamos a verdade, a lei e a Constituição como entendemos e para quem não entenda, porta da rua é serventia da casa". Mais. "Decretamos o fim do debate democrático e o esclarecimento público quando quisermos. Se for preciso, até combinamos tudo ao pormenor com o presidente da República para que nem ele nem nós fiquemos mal na fotografia". Ora a "história" que Cavaco Silva conta não é muito distinta desta salvo em dois aspectos relevantes para o curso das coisas e o futuro do país. Em primeiro lugar, Cavaco Silva nunca sentiu necessidade de bajular as esquerdas para ganhar duas eleições presidenciais, para ter boas sondagens ou para ser "popular" à força. Em segundo lugar, o PS de então não dava troco ao radicalismo esquerdista que hoje em dia condiciona a governação do país e o desempenho de outros órgãos de soberania. De resto, a tentação de tudo controlar - e de abafar tudo o que possa perturbar a "descrispada" e alegre paz dos cemitérios reinante - é uma "experiência" já amplamente vivida. Só mudaram entretanto, e muito pouco, os principais condutores da "tenebrosa máquina" que se movimenta corrigida e aumentada. Herculano, em 1851, alertava para a necessidade de os políticos evitarem recorrer à lisonja ou "armarem à popularidade". "É preciso desiludir o povo", escreveu. Não se enganava. Cavaco também não.

manuel correia fernandes

O Batalha... vai!

Chegaram a bom termo as negociações entre a CMP e os proprietários do Cinema Batalha para que, finalmente, fosse possível protegê-lo da ruína. Com efeito, a CMP, através da oportuna decisão do seu presidente, culminando, alias, uma série de outras diligências, acaba de acordar tomá-lo de arrendamento por 25 anos para fazer dele a "Casa do Cinema". De facto, a especial saudação que a iniciativa merece decorre do facto de, nos últimos anos, terem sido muitas as tentativas - todas goradas - para salvar esse extraordinário edifício.

A sua Opinião

Mário Centeno vai aguentar-se no Governo?

Evasões

ar livre

A avenida em Coimbra que se soube reinventar

Esta avenida de Santa Clara tem o nome de um estadista e jurisconsulto do século XIV, mas soube acompanhar os tempos. Quem a viu diz como a vê: mais viva, bonita e clara. Num par de anos, sofreu obras e encheu-se de negócios. Restaurantes, gelatarias e alojamentos deram sangue novo à rua, que concentra os estabelecimentos essencialmente num dos lados. Alguns já levam várias décadas de existência, outros acabam de nascer. Tradição e modernidade vão de braço dado pela calçada, com vista para o casario e a Torre da Universidade. A curta distância de atrações como o Portugal dos Pequenitos, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha ou o renovado Convento São Francisco, é o pouso ideal para recuperar energias. Seja à […]

Comer

Tábua Cheia entrega petiscos no Grande Porto

Basta ligar, encomendar e pedir a entrega para qualquer lugar da área metropolitana, tanto em casa como fora dela, que Joana Vieira entrega a tábua, talheres incluídos, no local e hora combinados, na zona do Grande Porto. Este é um novo serviço do catering DaJoana, que prepara e entrega comida para todas as finalidades, desde festas e piqueniques a refeições familiares e surpresas, incluindo pequenos-almoços. Os piqueniques podem ser pedidos, por exemplo, para um parque ou jardim ou para um espaço particular. Já a tábua de petiscos pode chegar cheia de enchidos e presunto, ou com queijos e compotas, ou ainda com frutos secos e sobremesas. Há ainda uma com vegetais e três molhos à escolha. Joana também preparar comida […]

Fim de semana

Lisboa: há um novo museu com raridades dentro do Técnico

Com mais de cem anos de existência, o Instituto Superior Técnico guarda tesouros, muitas vezes descobertos por acaso, em arrumações ou mudanças. Alguns deles estão a ser reunidos em espaços museológicos para que possam ajudar a contar a história da ciência. O mais recente é o Museu Faraday, no departamento de Engenheria Electrotécnica, situado na torre Norte do complexo universitário, em Lisboa. O novo espaço junta-se aos já existentes: o de Engenharia Civil, o Alfredo Bensaúde (geociências) e o Museu Décio Thadeu (geologia). Em sete pequenas salas estão reunidas peças que representam a evolução dos vários aspetos da utilização da eletricidade. Algumas não são simples de compreender, mas muitas outras fizeram parte do dia-a-dia - como o telefone, a rádio, […]

Comer

Porto: 10 sítios para beber e comer junto do Cinema Trindade

Pode-se entrar pela Rua Ricardo Jorge ou pela Rua do Almada. Essa é uma das novidades do Cinema Trindade, no Porto, reaberto desde domingo, 12, e com programação diária a partir do dia 16 de fevereiro. Lá dentro, o público vai defrontar-se com uma bela surpresa: duas salas renovadas e um corredor a ligar os dois acessos, Almada/Ricardo Jorge, onde ficam a bilheteira (também funciona como bar) e o bengaleiro. «Quisemos ser fiéis às memórias da sala», diz o gestor do espaço, Américo Santos, da Nitrato Filmes. Foi por essa razão que as antigas cadeiras foram restauradas, em vez de serem substituídas – «para conservar um certo charme», sublinha Américo. As obras ocuparam os últimos três meses e, depois de […]

Beber

Um bar (com nome de série dos anos 1980) no Bairro Alto

  O bar propõe dois ambientes distintos. Um mais intimista, que é o pub, espaço no qual se pode ficar ao balcão e ver desporto na televisão, à boa moda de pub britânico. E há outra área, que serve de discoteca, mas que é mais do que isso. «Na realidade é um espaço cultural. No verão, com maior afluência de público, pretendemos que os espetáculos sejam mais recorrentes e passem também pela stand-up comedy e até pelo teatro», diz Helena Pereira, a responsável do espaço. Ao contrário do que o nome possa sugerir, não há ligação direta à famosa série televisiva dos anos 1980 «Cheers – Aquele Bar», cuja história decorria dentro de um bar de Boston. «Gostámos do nome […]