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Hoje, 27 de Junho

Opinião

Inês Cardoso

Prolongamento ou penáltis?

Os treinos foram tão pobres em propostas, tão despidos de ousadia, que a adesão à segunda mão da eliminatória foi ainda mais baixa do que na primeira. Apesar do reforço atacante do PP liderado por Mariano Rajoy no final do tempo regulamentar, mantém-se o impasse e o jogo segue para prolongamento. Com os politólogos a considerarem insustentável que o embate se arraste até aos penáltis, os olhos estão postos no PSOE, que poderá ter o papel decisivo na definição de um acordo que evite uma terceira eleição em Espanha.

João Gonçalves

Eanes

No dia 27 de Junho de 1976, perfazem-se hoje quarenta anos, António dos Santos Ramalho Eanes foi eleito presidente da República. Pela primeira vez na nossa história, contemporânea ou outra, o chefe de Estado era escolhido através do sufrágio universal, directo e secreto. Eanes vinha do MFA democrático, ou seja, daquele que fez o 25 de Abril de 1974 - ainda presidiu à RTP, demitindo-se após o 11 de Março de 1975 - e o 25 de Novembro de 1975. Esta última data graduou-o em general para poder ascender à chefia de um Exército dividido, indisciplinado e "politizado". Imediatamente mandou repetir um juramento de bandeira "revolucionário" no então RALIS, feito de punho estendido, a que presidira o seu infeliz antecessor Carlos Fabião. O jovem general sabia da importância do formalismo e dos símbolos no exercício de cargos de responsabilidade nacional. Os militares dominavam a cena política apesar das eleições legislativas, também as primeiras, de Abril de 1976. O Governo Provisório, o VI, tinha à sua frente um almirante, Pinheiro de Azevedo, que se convenceu ir ser apoiado, nas eleições presidenciais de Junho daquele ano, pelos dois principais partidos, o PS e o PPD. Todavia, os equilíbrios exigidos pelas precárias legitimidades do regime (a revolucionária e a democrática) conduziram aqueles partidos até à candidatura do chefe do Estado-Maior do Exército. Sá Carneiro antecipou-se ao PS na declaração de apoio a Eanes, graças à capacidade de manobra em bastidores de alguns próximos, como o frenético jornalista do "Expresso" Marcelo Rebelo de Sousa. O primeiro-ministro acabou por concorrer tal como o ícone do "poder popular", Otelo Saraiva de Carvalho. Otelo ultrapassaria o candidato do PC, Octávio Pato, mas Eanes ganhou folgadamente. Nunca ninguém, antes ou depois dele, teve tanto poder e autoridade concentrados numa só pessoa em Portugal: presidente da República, chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e, por inerência, presidente do Conselho da Revolução, apenas extinto na revisão constitucional de 1982, já durante o seu segundo mandato presidencial. Austero, afectuoso sem espectáculo, probo, intransigente na defesa do interesse público e observador escrupuloso das regras democráticas que, em 1976, eram uma novidade, Eanes era o candidato "natural" de Portugal. Com uma coragem física e uma determinação moral indisputáveis, persiste um exemplo e um dos nossos, poucos, melhores.

JOAQUIM FERNANDES

Antiqualhas futebolísticas

As narrativas mediáticas do Euro 2016 enchem-nos as pantalhas domésticas e convocam irresistivelmente a memória: da linguagem e dos rituais desse elegante "football" do século XIX, dos seus pioneiros "lutadores", "sportsmen, cavalheiros da nossa primeira sociedade", dos clubes "beligerantes" em animadas partidas citadas nas rubricas de "Vida Elegante" dos periódicos lisboetas. Quando os primitivos "combates", no Campo Pequeno ou no Monte Estoril, chegavam a durar três (!) horas, na última década do século XIX, marcados pelas "quedas, às vezes pitorescas, sublinhadas por grandes gargalhadas no auditório feminino, maldosamente feliz".

A sua Opinião

Até onde vai Portugal no Euro2016?