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Opinião

Inês Cardoso

Fátima e a vida dupla

À medida que o calendário avança rumo a 12 de maio, o preço do alojamento em Fátima atinge valores cada vez menos católicos e acelera a produção de merchandising alusivo ao centenário das aparições e à visita papal. Vale a pena, face a notícias disparatadas que dão conta de quartos "económicos" com uma noite por 992 euros, ou dormidas em camaratas que custam a módica quantia de 500 euros, recordar as palavras que o Papa Francisco proferiu na semana passada, numa missa na Casa de Santa Marta.

João Gonçalves

Tempos sombrios

Os debates quinzenais com o primeiro-ministro, uma invenção bem intencionada do deputado António José Seguro, não acrescentaram grande coisa à conversa democrática. Quem já nasceu bem formado, é bem formado que se revela nesses debates. Quem não nasceu bem formado ou nasceu invertebrado, é em mal formado ou invertebrado que igualmente se desvenda. A actual composição do Parlamento e a sua presidência permitem, com clareza, esta separação, digamos assim, moral mais do que política. O presidente da Assembleia, mais do que presidir-lhe ou emular uma verdadeira segunda figura do Estado, intervém timoratamente (até onde os chefes de cada uma dessas bancadas permitem) quase sempre para sustentar a maioria circunstancial lá formada em Dezembro de 2015. Sem a menor noção da gravidade do que afirma, o senhor Segunda Figura até insta a oposição a "adaptar-se" às "novas regras democráticas" do Parlamento. Podia ser o venezuelano, por exemplo. Mas não. É mesmo ao de São Bento que alude. Já o aríete da maioria, e primeiro-ministro, é sempre mais rude e brutal. Nunca esconde o desprezo que nutre pela oposição, seja pelas insinuações torpes que aprecia lançar sobre ela e o passado político recente (aliás, o presente e a Situação alicerçam-se exclusivamente contra esse passado), seja pela produção de "factos" preparados pela "agitprop" para impressionar a sua Esquerda e os mais simplórios de espírito. Conta sempre com a ajuda dos seus parceiros engolidores de sapos vivos, bem como a da generalidade dos órgãos de comunicação social. Alguns destes, se for preciso, recorrem a "notícias" requentadas para as apresentar a título de novidade escabrosa. No topo deste festim pouco democrático, paira o presidente da República, que circula com idêntica leveza entre o Pátio dos Bichos de Belém e os estúdios de televisão para avalizar este brilhante estado das coisas e das pessoas. Hannah Arendt resumiu estes ademanes totalitários num livro intitulado "Homens em tempos sombrios": "discurso que não revela aquilo que é" e "degradação de toda a verdade" convertida "numa trivialidade sem sentido". E há nove anos, numa outra encarnação da "pax" socialista, António Barreto interrogava: "tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo". Tempos, de facto, sombrios.

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