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Opinião

Rafael Barbosa

Saem mais 270 euros

1 - Há estudos na área da psicologia social que defendem que a primeira impressão (sobre alguém ou sobre algo) é a que fica. Há mesmo quem diga que a impressão é construída pelo cérebro em menos tempo do que o necessário para uma piscadela de olho. Com essa máxima presente, o deputado socialista João Galamba apressou-se a fazer uma primeira leitura, entusiástica, do plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Antes que tivéssemos tempo de piscar os olhos, já o deputado anunciava a "grande conquista do Governo" e a "excelente notícia" para o país: porque a CGD se transforma num "banco sólido" e "100% público"; e porque se evita o agravamento do défice público e o respetivo castigo da União Europeia. Tudo boas notícias? Também há psicólogos que, sem contestar a validade e a velocidade da primeira impressão (sobre alguém ou sobre algo), lembram que há a possibilidade de uma segunda impressão se sobrepor à primeira. No caso, é aconselhável fazer esse esforço. Acrescentando que está em causa uma injeção de capital que pode chegar aos 5160 milhões de euros, o que corresponde a quase 3% da riqueza do país (Produto Interno Bruto). Depois, que o Estado vai precisar de pedir muito dinheiro emprestado e que os fiadores são os portugueses. No âmbito desta "grande conquista do Governo", os portugueses podem já dar como perdidos os 960 milhões de euros emprestados através daquele mecanismo financeiro de odor suspeito (CoCos), ou seja, despedirmo-nos, cada um de nós, de 96 euros. E somar-lhe 2700 milhões de euros de dinheiro fresco que vai engordar os cofres da CGD, a troco da promessa de lucros futuros. Ou seja, mais uma fatura de 270 euros por português. Como diz Galamba, uma "excelente notícia".

Pedro Bacelar de Vasconcelos

Proteção da liberdade religiosa

A liberdade fundadora do constitucionalismo, do estado de direito e das democracias modernas, é a liberdade de expressão. Contudo, a luta que vai convulsionar o antigo regime e promover as profundas transformações sociais, económicas e políticas de que resultou a modernidade, é a luta pela liberdade religiosa. Esta tornou-se um dado matricial da nossa contemporaneidade. A salvação e a graça são dons essencialmente irredutíveis a qualquer esforço de ponderação racional e nisso consiste, essencialmente, a força da fé religiosa. A força de todos os credos - mesmo daqueles que dispensam a divindade - mas sobretudo das religiões monoteístas que se tornariam hegemónicas no ocidente europeu envolvido numa guerra civil milenar contra as heterodoxias e lançado depois, a partir de São Luís, nas cruzadas contra o islão, para de novo se dilacerar internamente na cisão da cristandade, quando Lutero desafia a autoridade de Roma. Os fluxos migratórios provocados pelas perseguições e pelas guerras religiosas europeias deram um contributo substancial para a colonização do novo Mundo e marcaram a identidade das novas comunidades instaladas na América do Norte. E já no século passado, a Europa afogou-se de novo em sangue, no horror agnóstico que produziu o holocausto em nome de uma "raça superior" - o equivalente bárbaro e primitivo do povo bíblico.

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