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Hoje, 24 de Junho

Opinião

Vítor Santos

#adeusbalões

Participei numa discussão ontem de manhã, ao pequeno-almoço. O tema do momento estava a ser esgrimido na mesa ao lado da minha, por pai e filho, com a primeira página do JN metida ao barulho. Ainda pensei naquele provérbio "Entre marido e mulher não se mete a colher", mas logo avancei: não era o caso. Peguei na colherinha do café e, enquanto a mergulhava na chávena, enfiei a colherada: "Fiquem sabendo, que acho muito bem", disse. Claro está, a polémica dos balões: "Não há direito", reclamavam. "Cinco mil euros de multa por lançar um balão?!". Vendo bem, expliquei depois, só não estou de acordo que os foliões sejam informados assim a correr, fica muito a ideia de que alguém anda a apagar fogos à pressa. No entanto, se é para ficar bem, nunca desconsidero uma correção em cima da hora. Vale sempre a pena. No fim do curto debate com aqueles dois simpáticos, ainda lhes disse que conheço muito bem o maior prejudicado pela proibição. Sou eu, que combato as insónias a contar carneirinhos e estou sempre à espera da madrugada de S. João, pois nesse dia posso adormecer a contar balões. Agora, ardeu!

Pedro Ivo Carvalho

#osmiseráveis

A miséria pode ter muitas expressões. Pode ser material, pode ser sentimental. Pode ser moral. Quem padece desta última variação da miséria acrescenta a essa condição a total ausência de escrúpulos, vulgo sacanice, vulgo uma palavra mais feia que a boa educação me impede de reproduzir. Filha da... Isso. Em Pedrógão, houve gente (força de expressão) que saqueou os restos da miséria de quem perdeu tudo nos fogos. Envergaram as asas dos anjos caridosos. Procurando resgatar a bondade de quem é bondoso a dar aos outros. Falsos técnicos diligentes. Negligentes. E houve outros nacos de gente (não é força de expressão, mas forca de expressão) que entraram nas casas vazias de quem fugiu da morte para levar as memórias físicas de quem não quer mais ter memória daquele lugar. Levaram ouro. Um vestido de noiva. Naquela geografia obscura de Portugal, foram mais fundo no caminho vertiginoso para o fosso. Provando que a natureza humana não cessa de nos invadir com a força intempestiva de um fogo voraz que lambe tudo à sua passagem. Deixando um pasto negro, sem palpitação. Uma estrada sem ponta de humanidade.

Margarida Fonseca

#fado?

Ser português é ser único. Inventamos o fado, a saudade e lixamo-nos. Nunca teremos a felicidade plena. Carregamos a sina de acordar entre a alegria e a dor. São dias muito difíceis os que vivemos. Cheiram a morte, a incerteza, a mãos cheias de nada, a olhos vazios de esperança. Tiraram--nos a alegria por estes dias. Procuramos culpados e sentimo-nos culpados. Uma tragédia assim nunca nos tinha batido à porta nos tempos mais recentes. Choramos e temos a tentação de abanar os ombros nesse jeito de frase feita. "É a vida..." Podemos não dizer isto, mas pensamos sempre nisto. Pois, Manuel Molinos, camarada de jornadas, tens razão. Há sempre uma espécie de machado que corta alturas felizes. Os nossos rostos felizes no Euro, na vinda do Papa, na Eurovisão estão, agora, fechados. Nem o facto de sairmos do défice excessivo nos dá alento. Nem saber que o ministro Centeno é o Cristiano Ronaldo nas contas. Já não queremos amar pelos dois. Queremos ser amados. No meio da má-língua que nos caracteriza, nos desabafos que herdamos do escárnio e do maldizer somos assim. Uns dias nas nuvens da alegria, noutros no poço do infortúnio. Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado.

A sua Opinião

Os fogos em Portugal devem-se a políticas florestais desadequadas?