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Hoje, 24 de Abril

Opinião

João Gonçalves

A VI República

A esta hora é provável que Marine Le Pen esteja a disputar a segunda volta das eleições presidenciais em França. Mesmo que isso não tivesse acontecido, a líder da "Frente Nacional" já somou um considerável sucesso. Dos restantes candidatos à generalidade da Comunicação Social gaulesa e estrangeira, todos se aprimoraram em conceder a Le Pen a "centralidade" do debate público. Até em Portugal, foi raro o dia em que os jornais não usaram o seu rosto para falar das eleições francesas. De alguma forma, Marine Le Pen não chegaria tão longe como tem chegado - nas europeias, nas presidenciais e em legislativas - se, ao fenómeno comunicacional, não se juntasse a realidade francesa, sensivelmente pós-chiraquiana, e a europeia geral. Em certo sentido, Jacques Chirac foi o último presidente francês, pelo menos tal como a V República implantada por De Gaulle o concebeu. Isso ficou claro na segunda volta, em 2002, quase plebiscitária da sua continuação como presidente da República contra o pai Le Pen. A Direita republicana, depois, agarrou-se ao atrevido Sarkozy que falhou um novo mandato e, agora, uma tentativa de regresso perdida para Fillon. O PS vinha a esfarelar-se desde Jospin e a recusa popular de Sarkozy fez mais pela vitória de Hollande do que outra coisa qualquer. O actual presidente francês conseguiu desagradar à República toda. E nem o combate à brutalidade terrorista o poupou ou aos seus próximos. Não se recandidatou e Valls perdeu as primárias para Hamon, um homem sem brilho e sem qualquer densidade política. Daqui a três semanas, nas legislativas, ver-se-á o que sobra do PS para as disputar. Em estado permanente de emergência por causa dos atentados, a França, peça central da "Europa", encontra-se numa encruzilhada onde não é seguro que este longo processo eleitoral (que culmina apenas em Junho com as eleições para a Assembleia Nacional) possa significar um ponto de chegada ou, na melhor das hipóteses, de partida. Le Pen ou o radical Mélanchon não são meros epifenómenos desprezíveis. Se a República francesa, porventura uma VI, não encontrar em si própria as forças sublimadoras do presente transe, é a Europa toda que fica mais desarmada perante velhas e novas ameaças. E a periferia económica, onde vegetamos em ilusões, ainda mais. Mitterrand, no último livro, perguntado sobre o que guardava do gaulismo, respondeu: as instituições da V República, a criação de um novo regime, "tudo actos de primeira grandeza". Não foi pouco.

joaquim fernandes*

Jia Jia - os humanos saúdam-te!

Chama-se Jia Jia a nova atração do mercado da AI (inteligência artificial), por obra e graça de engenheiros chineses. Estreou-se este ano num fórum do colosso bancário UBS, em Xangai, e viajou até Las Vegas para ser estrela maior numa feira de eletrónica futurista. É o primeiro robot antropomórfico, indistinguível e sem mácula, capaz de sustentar uma breve conversação, informar da agenda básica do dia associando expressões faciais adequadas. Os seus criadores garantem que a bela Jia Jia, ajaezada de chinesa tradicional, não exorbitará os seus limites nem muito menos causará dano aos seus proprietários humanos, conforme a célebre lei formulada pelo escritor Isaac Asimov.

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