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Hoje, 25 de Fevereiro

Opinião

Pedro Silva Pereira

Três perguntas

Evidentemente, seria sempre gravíssimo que, entre 2011 e 2014, 10 mil milhões de euros (!) tenham voado de Portugal para paraísos fiscais sem o adequado controlo pela autoridade tributária. Contudo, o que transforma esta situação num escândalo intolerável é que isso tenha acontecido exatamente quando o Governo da Direita exercia sobre as famílias, os pensionistas e as empresas uma perseguição fiscal absolutamente impiedosa para cumprir a sua famigerada "estratégia de empobrecimento", assente numa absurda agenda de austeridade "além da troika".

Margarida Fonseca

#chiu

Jornalistas de vários órgãos de Informação norte-americanos foram impedidos, ontem, de entrar na Casa Branca para o briefing diário do secretário da Imprensa da Administração Trump, Sean Spicer. Sem explicações. Na verdade, elas não são precisas se recordarmos declarações do presidente Donald, nomeadamente contra a CNN e o "The New York Times", que estiveram no grupo barrado. Donald não se cansa de falar em "falsas notícias", em "falsas fontes" e já chegou ao ponto de acusar "alguma" Comunicação Social de ser "inimiga do povo americano". Esta forma de censura era expectável, mas não deixa de tirar o sono a quem sempre viu nos Estados Unidos um exemplo de liberdade e que sempre se opôs a regimes que vetam factos para manipulá-los. Longe de pensar que idêntica situação aconteceria em Portugal, faz-me impressão que haja cada vez mais movimentos antijornalistas e anti-Comunicação Social que, justificando-se com a "liberdade de expressão", tentam cercear o papel que a Informação tem no Mundo democrático. Dirão que é o nosso lado maledicente que se tornou mais visível com o acesso virtual. Pode ser. Antes seja. Porque nem os cães gostam que lhes gritem "chiu"!

Miguel Conde Coutinho

#10milmilhões

Há dez mil milhões de razões para que se acabem os paraísos fiscais e a polémica sobre os 10 mil milhões de euros transferidos para zonas "offshore", que terão ficado por tratar estatisticamente pelo Fisco, é só mais uma. É uma ótima razão, veja-se, não uma qualquer, principalmente se se verificar que sobre este dinheiro ficaram impostos por cobrar. Será insuportável que isso tenha acontecido, seja muito ou pouco. Um sistema fiscal que obriga as empresas a entregar IVA sobre vendas que ainda não foram pagas, ou que fez de cada contribuinte um contabilista verificador de faturas, ou que transformou o Estado numa máquina implacável de cobrança fiscal, a ponto de termos a sensação de que o objetivo do Estado afinal não é servir os cidadãos, mas servir-se deles, não pode ter falhas de 10 mil milhões de euros. Seja por erro informático, seja por erro humano, seja por erro político. Ponham de lado os sacrifícios, deem-se de barato as dificuldades e os desperdícios. Desconte-se tudo isso e mesmo assim não há uma única desculpa para um lapso deste tamanho. Muitas vezes em Portugal não parece, mas vale a pena lembrar: os 10 que têm 10 mil milhões não valem mais do que 10 milhões de portugueses.

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