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Hoje, 23 de Fevereiro

Opinião

Rafael Barbosa

Anglicismos e trava-línguas

1. É uma tática usada com sucesso pelos produtores de séries de televisão: quando os personagens secundários de uma trama revelam potencial, faz-se um "spin-off", ou seja, cria-se uma outra série a partir da história original. No fundo, os produtores não fazem mais do que rentabilizar o seu produto. Que é afinal o que PSD e CDS se propõe fazer com a "novela" da Caixa Geral de Depósitos: um "spin-off" da comissão de inquérito original, aproveitando o potencial das personagens encarnadas por Mário Centeno e António Domingues. Tendo em conta a vocação das audiências para tudo o que se relacione com espiolhar o que à partida é pessoal e privado, é bem provável que a comissão cujo objetivo é publicitar SMS venha a ter um "share" bastante mais elevado do que a original, que pretendia apurar as maçadoras razões para o colapso do banco público. Nesta cuidadosa gestão do mercado televisivo e mediático, PSD e CDS propõe-se até suspender a série original, pelo menos até que cheguem os documentos em que hão de constar os nomes dos caloteiros que levaram a CGD ao abismo e os contribuintes ao desespero. Se a papelada não chegar, anula-se simplesmente a próxima temporada. O mais provável é que a audiência entretanto se esqueça, entretida que andará com o "spin-off" ou outra novela qualquer.

Nuno Melo

A muleta

Um primeiro-ministro que governa tendo perdido eleições não prescindirá certamente de um ministro por razões de princípio. Noutros tempos, um ministro era um ministro, uma mentira era uma mentira e havia consequências. Manuel Pinho foi demitido à conta de dois dedos em riste apontados à bancada do PCP, num momento de humor mal medido. Em modo geringonça, as coisas mudaram. Um ministro é um camarada correligionário, a mentira passou a "erro de perceção mútuo" e a repetição da declaração "caso encerrado", mesmo sem explicações capazes, substituiu o prudencial sacrifício de quem abdicava ou era substituído no cargo, para preservação da dignidade das instituições democráticas. Em 2008, quando em causa esteve outro ministro e outro Governo - a propósito de uma carta em que Rui Machete argumentava não ter sido acionista da SLN, dona do BPN - João Semedo foi cristalino: "Um cidadão que mente não tem condições políticas para ser membro do Governo, ainda mais quando o faz numa comissão de inquérito, o que acarreta responsabilidade pessoal e consequências criminais. O mais natural é que a Assembleia da República comunique este facto ao Ministério Público".

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