A Espanha venceu o Mundial. Parabéns aos espanhóis por terem acreditado na sua seleção e num técnico que tinha sido despachado do Real Madrid por “ser antiquado”.
Para a Espanha vai o aplauso pela sua vitória. A Rainha Sofia e o príncipe Filipe, presentes, orgulharam-se da sua seleção. Esta orgulhou-se de lhes poder dedicar a vitória. Gostei, unidos, venceram!
A outra palavra de apreço vai para o país anfitrião. Um país africano que tive o grato prazer de visitar assiduamente na minha juventude. A África do Sul. Ouvia-se por aí dizer em surdina que aquilo ia correr mal. Não! A África do Sul, apesar das dificuldades sociais que a afectam, conseguiu apresentar-nos um campeonato digno, com infra-estruturas fantásticas, e com uma excelente filmagem dos jogos.
Pena foi a nossa seleção, Portugal, não ter ido mais longe. Mas, pergunto; será que mereceríamos? Nós todos. Que passámos demasiado tempo a criticar o selecionador e jogadores. E, depois, queríamos que ganhassem os jogos…
A velha Europa está de parabéns pela Espanha. A jovem África também. A África do Sul levou um cheirinho muito agradável de África a todo o mundo. Belíssimo.
Mário Relvas
Li há dias nas notícias que o presidente da AEP, José António Barros, teve o descaramento de propor que os subsídios de férias e de natal fossem pagos em títulos da dívida pública.
Com certeza que esse senhor não aufere um rendimento inferior aos 600/800 euros mensais da maioria dos trabalhadores portugueses.
Também não será muito entendido em economia pois, sabe-se que esses subsídios, entrando no circuito económico, geram mais consumo das famílias, logo mais impostos.
Aliás, toda a gente sabe que, para o comum trabalhador, aqueles subsídios lhe permitem fazer umas extravagâncias e, em muitos casos, renovar os equipamentos do seu lar ou fazer umas curtas férias.
Claro, estaria de pleno acordo se essa medida fosse aplicada a pessoas com rendimentos superiores € 2.000,00 /2.500.00 mensais.
José Silva
O projecto “Limpar Portugal” juntou milhares de voluntários com o intuito de limpar as florestas um pouco por todo o país.
O dia 20 de Março foi caracterizado pelo um acto altruísta e de educação cívica, que serve e servirá de exemplo para os muitos indivíduos, que inconscientes da acção de poluir espaços verdes e ricos, tornam as nossas florestas em grandes aglomerados de lixo. Para muitos, este dia passou despercebido, propositadamente ou pela falta de informação, a verdade é que são movimentos como este que levam à evolução das mentalidades.
Locais como o parque lisboeta de Monsanto e o parque natural de Sintra e Cascais são exemplos, onde o movimento actuou, com a ajuda dos muitos voluntários que aderiram. Estes meteram as mãos à obra e limparam os espaços verdes consumidos pelos resíduos poluentes.
Num futuro próximo, esperemos que não seja necessário projectos como este, pois se todos tivermos a percepção de que não devemos largar o lixo em qualquer lugar e que o ambiente é um bem comum e essencial, as nossas florestas e espaços verdes serão locais limpos e graciosos.
Renata Marques
Li hoje no Jornal de Notícias do Porto dois artigos que me inspiraram reacções opostas: revolta por mais uma manifestação deste centraleirismo (difere do centralismo porque é irracional e ílegitimo) sanguessuga que tudo saca ao país para amontoar na capital, centraleirismo bacoco, estúpico e criminoso, mas que pelos vistos merece a aprovação do parlamento, do governo e da presidência da Republica. E do parlamento merece a aprovação, pelo menos tácita e cobarde, dos nortenhos que lá estão, nomeadamente em representação - dizem - desta região. Pergunto, que fazem pela Região os deputados eleitos por Viana, Braga, Vila Real, Bragança e Aveiro, pelo menos?
70% das verbas do Turismo nacional servem, à semelhança de outras tantas, para promover Lisboa, para obras e festas de Lisboa. E resto do país, ainda pertence a Portugal?
Parece que não!
E por isso o segundo artigo, que me deu ainda alguma revolta e tristeza, no que toca à perda das oportunidades para trabalhadores qualificados e de verbas desviadas do Norte, para Lisboa como de costume, deixou-me todavia uma esperança: que o Norte e a Galiza podem ser um país. Dado que já perdi o amor por este Portugal, como vários milhões de não lisboetas, é bom saber que ainda há uma alternativa, pelo menos para o Norte, berço de Portugal.
E olho para Espanha e vejo um país em que as regiões conseguem fazer-se ouvir e onde a repartição dos recursos é muito mais homegénea e justa: vejam-se os exemplos de 1992, em que os Jogos Olímpicos foram em Barcelona, a Feira Universal em Sevilha e em Madrid apenas capital europeia da Cultura, Madrid que também não tem nenhuma sede das agência europeias que couberam a Espanha e compare-se com aquela feira em 1998 em Lisboa, com as ideias loucas de Olimpíadas em Lisboa, com os novos mega-investimentos apenas previstos para Lisboa e com as "nossas" sedes das agência europeias também apenas em Lisboa. E vejo que em Portugal todos os organismos nacionais públicos ou estão apenas em Lisboa, ou quando tem a sede fora de Lisboa, a sede é uma merea fachada pois os departamentos e lugares de topo estão todos em Lisboa (veja-se IAPMEI e API\AICEP).
Entretanto, gostaria de saber o que V. Ex.as tem a dizer, mas sobretudo a fazer, contra esta hidra centraleirista capitaleira sanguessuga. Enquanto ainda temos de pertencer a este país que V. Ex.as supostamente representam, acho que tenho direito a exigir-vos satisfações. Pelo menos, eu ainda votei nas eleições dete ano e continuo a pagar-vos impostos, ou seja, eu cumpri a minha parte. E V. Ex.as? Vão demitir os administradores do Turismo de Portugal que permitiram ou fomentaram esta aberração? Vão repôr no resto do país os lugares e empregos que transferiram para a capital? Vão distribuir melhor os recursos por todo o país, com preferência solidária pelos mais carenciados? Que respostas?
Aguardo, sentado...
Cumprimentos
Rui Pereira
Lamentavam-se hoje alguns amigos, como era possivel as Televisões apenas e só se deslocarem às casas dos abastados (Ricos) para filmarem os grandes banquetes de Natal. Será por uma questão de audiências, ou porque pensam que os ditos Pobres já se deliciam a ver isso. Direi que ditos Pobres, porque o carinho e amor que pomos em cima da mesa vindo dos nossos corações, CARINHO, AMOR, e FRATERNIDADE, NÃO HÁ VALOR MATERIAL QUE POSSA IGUALAR ESSES VALORES. Por mim prefiro continuar a ser pobre, porque o meu Natal tradicional é muito mais rico, em cima da minha mesa está sempre presente o Natal dos meus Avós e Pais e todo o amor e esforço que faziam para que nesse dia transbordassem de alegria.
Por nada deste mundo trocava o Natal de Criança, nos quais me minha Mãe connosco rezava até altas horas, para que o Pai Natal (ou Menino Jesus) não se esquecesse de nós, mesmo que de manhã procurássemos e apenas lá estivesse uma bolacha, um peão ou mesmo uma côdea de broa cheia de bolor que a minha prima Barrota, que andava a pedir e lha tivessem dado no dia anterior. Só troco cada Natal, por esses e todos os meus Natais, onde Carinho, Amor e Fraternidade estão presentes, e o meu coração transborda de alegria ao saber que tenho seguidores, por me aperceber da intensidade que as minhas Filhas o celebram.
Ainda ontem tive essa prova/lição dada pelas Crianças Pais e Avós que festejaram o Natal, organizado pelo Centro Recreativo e Cultural de Sebolido, em conjunto com a Junta de Freguesia de Sebolido. Que em permanentes aplausos viveram o Natal e pediram o Pai Natal (Menino Jesus).
Só possível se por dentro de todos existir esse Pai Natal.
Hoje, Domingo, ao ler o Jornal do Notícias e na página de cartas do Leitor lá vinha escrito o meu Natal que ainda é o que era, fiquei deveras satisfeito. Mesmo que mais não houvesse este Natal também me vai encher de plena felicidade e dar-me-á incentivos para que o ano que se avizinhe eu procure fazer mais e melhor, para que o Pai Natal de 2010 volte a ser Generoso.
A Todos um Bom Natal.
Valdemar Ferreria Marinheiro
Serve o presente para manifestar o meu desacordo, melhor dizendo a minha indignação, pelo que se está a passar durante este mês com os transportes da cidade do Porto e seus arredores.
Como é possível que um sistema político democrático, de pleno direito e uma empresa idónea, permitam que se realize uma greve de 1 mês sem qualquer tipo de regras, (daí eu achar que se trata de uma pseudo-greve) que na prática resulta que: nas paragens os carros vêm, se vierem (???) e os tais serviços mínimos garantidos têm horários surpresa pois são totalmente desconhecidos dos interessados, quer dizer, das pessoas a quem de facto interessam e usam e necessitam verdadeiramente dos transportes (???????)
PERGUNTA: - Será que é para contribuir mais activamente para a diminuição da produtividade nortenha, e isto fique ainda mais no caos, já que desta forma é totalmente impossível cumprir os horários de quem tem de chegar a horas às suas responsabilidades, profissionais e não só?
Digo assim porque hoje em dia, com o desenvolvimento do séc. XXI já não há horas de ponta - todas as horas são horas de ponta - isto é mesmo uma das prerrogativas do progresso que mesmo que se queira travar, nunca anda ao-para-trás !!!???
Bom mas se as coisas já estavam mal agora vão definitivamente melhorar (???): A STCP (in)sensível a estas questões, face a esta realidade, continua no seu percurso de boa (desin)gestão e decreta os seus novos horários de Férias de Natal, de 21 a 31 de Dezembro de 2009....
COMO É POSSIVEL QUE NUMA SITUAÇÃO ANORMAL SE TOMEM DECISÕES NORMAIS QUANDO SE DEVERIAM TOMAR DECISÕES EXCEPCIONAIS
Por amor de Deus (se é que ele pode interceder pelos lesados com tudo isto), haja consciência...não se atirem mais as pessoas para o buraco do que o que já estão.... LEMBREM-SE, ATÉ É NATAL...
Sem mais nem ais de momento,
Uma lesada que ainda acredita que se pode voltar a trás, para o bem da res publica
Clementina Dias
Acabo de chegar da Nova Zelândia, onde, como se sabe, se conduz pela esquerda. Não tive problema nenhum em pegar num carro e começar a conduzir pela direita outra vez. Da mesma forma que o nosso cérebro interpreta a imagem invertida num espelho ou se encarrega do sentido do equilíbrio em cima de uma bicicleta, basta pegar num volante para o resto do processo ser quase automático. Instintivamente sabemos que o pisca está invertido, que o limpa-pára-brisas está invertido, que a faixa lenta é a direita e não a esquerda, e um longo et cetera. Não é difícil. O que realmente me custa entender é a forma de conduzir que têm por cá os portugueses.
Já conduzi em várias partes do mundo e tenho observado, nos países civilizados, que os condutores respeitam um princípio básico, uma ideia muito simples de senso comum. Ninguém, em nenhuma circunstância, se sente com direitos especiais, com direito a ser o dono da estrada ou com o direito, seja figurado seja literal, de atropelar tudo e todos. E este princípio, levado à prática, funciona mais ou menos assim: se dois carros chegam a um cruzamento, os dois devem abrandar e ter cuidado, naturalmente. É raro acontecer que os dois cheguem ao mesmo tempo. Geralmente chega um dos carros primeiro e ambos condutores abrandam, indicando assim que cada um reconhece a presença do outro e uma situação que envolve um perigo potencial. Ora bem, quem tem direito a passar primeiro? Um português tem logo a resposta prontíssima na ponta da língua: “quem tiver prioridade passa primeiro”. E se lhe perguntarmos como se estabelece a prioridade explica-nos logo a sinalização da estrada ou, em seu defeito, a “prioridade à direita”. Pois bem, para espanto de muita gente, não é assim que se encara a mesma situação em muitos países civilizados (e imagino que os portugueses gostam mais de serem comparados com a Inglaterra do que com Marrocos, só para dar um exemplo qualquer, mesmo que politicamente incorrecto).
Nos países educados, de uma forma geral, impera um sentido básico de civismo e de bom senso. Para continuar com o exemplo anterior, o condutor do carro que chega mais tarde ao cruzamento não vai acelerar estupidamente porque tem um sinal ou uma prioridade qualquer. Vai abrandar para reconhecer que o outro chegou primeiro, e se esse outro efectivamente avança lentamente, ainda trava um bocadinho mais para lhe facilitar qualquer manobra. Naturalmente que, se o carro que está a chegar em último lugar abranda e o outro carro não passa, porque não quer ou acha que não pode, apresenta-se uma situação de dúvida e, neste caso, resolve-se o problema com recurso à sinalização e às regras de prioridade. E isto realiza-se de uma forma calma e natural, sem grandes arranques nem travagens. Quando um carro deixa passar o outro não fica o carro de trás a buzinar ou a acender as luzes e a simular que atira o carro para cima do nosso. Passar e deixar passar é a coisa mais natural que pode acontecer na estrada porque ninguém tem direitos especiais nem sobre ela nem sobre as outras pessoas.
Mas isto, infelizmente, não é o que acontece todos os dias em Portugal. Por aqui as pessoas andam todas obcecadas com ter prioridade, com ter direito, com o “agora sou eu”, com imporem-se aos outros sem olhar a medidas nem considerações de nenhum tipo. Se um carro se vai meter à estrada e não tem prioridade, o carro que vem atrás nem sequer mantém a velocidade a que vinha e muito menos a reduz. Acelera o mais que pode numa corrida suicida (e homicida) para impor os seus direitos de prioridade ultrajados. E não há contemplações. Se uma pessoa idosa vai atravessar a rua fora de uma passadeira, não se lhe cede a passagem. Antes pelo contrário, atira-se-lhe o carro de forma intimidatória e obriga-mo-la a correr, literalmente, pela vida. O condutor não vê nada de errado neste comportamento; antes pelo contrário, justifica-se dizendo que está a “educar” a pessoa a respeitar as regras e a ter mais cuidado! Provavelmente o idoso não tinha uma passadeira nem trezentos metros mais acima nem trezentos metros mais abaixo naquela estrada, é altamente provável que tenha problemas de locomoção, ou mesmo os reflexos diminuídos, talvez até suprimidos por Alzheimer, mas todas essas considerações, que são feitas na intimidade da vida social do condutor com toda a sensibilidade e bom senso a respeito dos seus pais ou avós, desaparecem por arte de magia quando está atrás do seu volante.
Estas situações são o triste lugar-comum das estradas portuguesas. Acelerar na luz amarela, ou mesmo vermelha, acelerar nas rotundas, acelerar na proximidade das passadeiras, acelerar à frente de carros sem prioridade, acelerar e “colar-se” ao carro que vai à frente, dar murros no volante ou no tejadilho, esbracejar, insultar entre os dentes para que o outro leia os lábios, enfim, o repertório da estupidez é grande, variado e tão ou mais amplamente partilhado que o próprio código da estrada.
Imagino o que deve sentir um turista estrangeiro a conduzir neste país. Não deve esquecer tão cedo a simpatia e a hospitalidade deste povo de brandos costumes. Não me admiraria nada se muitas vezes fosse simplesmente impedido de chegar ao seu destino. Em muitas situações, as filas para virar à esquerda ou à direita começam muito antes de que apareçam as respectivas indicações de rota nas placas de sinalização e os correspondentes traços contínuos. O turista, obviamente, não tem forma de o saber. Quando chega à conclusão que se tem de meter na faixa da fila, já vai demasiado tarde. Bem pode tentar meter-se, insinuar que precisa de virar, pôr o pisca, acenar com o braço... chegou tarde. Bem pode esperar porque não o vão deixar passar. Os carros vão-se colar uns aos outros e acelerar para não deixar que se meta ninguém. E ai do infeliz que decida transigir porque naquele dia estava especialmente bem-disposto... os carros de trás não o vão deixar mais em paz. Cinco quilómetros mais à frente ainda lhe vão fazer sinaizinhos, manobras, olhares reprovadores, gestinhos, enfim...
Há toda uma subcultura da condução em Portugal que vem desde tempos imemoriais. “Saber conduzir” ou “conduzir bem” é todo um culto e tem legiões de oficiantes. Imagino que as raízes deste comportamento provêm da incorporação em massa de analfabetos funcionais ao fenómeno da democratização do carro. “Tirar a carta” em Portugal sempre foi um acontecimento vital e transformador só comparável ao casamento. Este é todo um tema digno de antropologia cultural. Não é assim em muitas outras partes do mundo. As pessoas não aprenderam a descarregar as suas frustrações dentro do carro. Não é isso que os pais ensinam aos filhos com o seu exemplo. A impressão que dá, e acho que não devo andar muito longe da verdade, é que em Portugal as pessoas andam todas obcecadas com o seu lugar na pecking order, a hierarquia da picotagem na sociedade das galinhas. As pessoas sentem que têm de se “defender” umas das outras porque são todas acérrimas inimigas e todas vítimas (sabe-se lá de quê) e que, se não fizerem valer os seus direitos e “prioridades”, são ultrapassadas no mapa social como uma carroça de burros é ultrapassada numa estrada. Defender a sua prioridade com veemência, mesmo com uma imprudente e criminal violência, é visto pelos próprios, lá no fundo, como um acto de reivindicação e de justiça. E este sentimento chega a ser tão forte que quando a imprudência fere e mata na estrada nem é objecto de condenação social nem é motivo de auto-recriminação e de culpa, porque afinal de contas o irresponsável, o criminoso, até tinha prioridade... Quantas mortes absurdas se podiam ter evitado e ainda se podem evitar se se acabar com o culto à prioridade.
As regras de “preferência”, chamemos-lhes assim, têm toda a razão de ser e devem continuar a existir. Servem para dissipar situações de dúvida potencialmente perigosas. Mas em vez de lhes darmos o nome de “prioridade” talvez devam ter uma designação diferente. E definitivamente não servem para descarregar frustrações, não outorgam patentes de corso, não dão direito a ignorar e a desprezar os outros e, em última instância, “não têm prioridade” sobre o bom senso e a educação. Acelerar o carro porque se tem prioridade e acabar por matar uma pessoa é um crime. Não só é um homicídio, é um homicídio premeditado, tremendamente absurdo porque é absolutamente gratuito e evitável.
É importante ensinar e saber as regras de trânsito. Da mesma forma que aprendemos todos a não cuspir para o chão, devemos ensinar e aprender agora que é de bom-tom conduzir com educação, cortesia, respeito pelos outros e bom senso. Talvez seja uma prioridade.
Jaime Senra
Escrevo-vos na sequência de algumas notícias publicadas a respeito do recente encerramento do lar de idosos “Saúde e Repouso de Arrouquelas”, situado no concelho de Rio Maior.
Como visita frequente da instituição, foi com algum espanto que recebi a notícia do seu encerramento bem como todo o aparato que se gerou em torno deste caso. E o meu espanto prende-se, essencialmente, com a quantidade de acusações que, à partida, serviram de justificação para suspender a actividade desta casa. Não que ponha em causa a efectiva sobrelotação do lar. Antes, considero que “sobrelotação” não pode ser (e não era, neste caso), sinónimo de exploração, maus tratos e descuido na alimentação e higiene dos utentes. Mais grave me parece que se especule em torno de um número de utentes e que isso seja suficiente para afirmar os “evidentes maus tratos”. Maus tratos esses não tão evidentes para os familiares, funcionários e voluntários que, como eu, frequentavam a instituição.
Muito me espanta a surpresa e o choque sofrido pela Segurança Social, na medida em que, os casos que excediam o dito licenciamento eram, sobretudo, casos sociais. Por isso, não só era do conhecimento da Segurança Social, como eram os seus próprios altos funcionários que se deslocavam até este lar para “depositar” os utentes. E digo “depositar” porque comprovei, muitas vezes, o estado em que estas pessoas chegavam à instituição. Escusado será dizer que as pensões sociais utilizadas como formas de pagamento, quando chegavam, mal cobriam as despesas inerentes à estadia dos doentes. Daí que não me pareça, de todo, razoável falar-se em situações de exploração e ganância por parte da administração. Muitas destas pessoas sofriam de perturbações mentais e poderiam pôr em causa o bem-estar dos restantes utentes. No entanto, nunca assisti a qualquer tipo de discriminação por parte dos funcionários, ou da instituição em geral. Antes pelo contrário, sempre lhes prestaram os cuidados merecidos (alimentação, higiene, medicação e outros).
Esta situação, imposta pela Segurança Social, sempre foi provisória. O não cumprimento de um acordo prévio que determinava a transferência dos utentes para outras instituições, terminou no encerramento imerecido do lar “Saúde e Repouso de Arrouquelas”.
Neste sentido, parece-me importante apurar culpas, contemplando todos os intervenientes envolvidos e não, apenas, optando pelo caminho mais óbvio. Sobretudo porque esta atitude extrema foi tomada sem ter em consideração o bem-estar dos utentes que, de um dia para o outro e em sobressalto, foram transferidos para dezenas de outras instituições, dificilmente com melhores condições. O mesmo se pode dizer dos funcionários que, sem aviso prévio, ficaram destituídos de um emprego que era, para muitos, o único meio de subsistência.
Pessoalmente, não considero que esta seja a atitude mais correcta por parte de uma instituição que se assume responsável pelo bem-estar social.
Cumprimentos,
Ruben Caldeira
Eu aluno do Instituto Superior de Contabilidade e Administração, pertencente ao ensino Politécnico do Porto e todos os meus colegas deparamo-nos com uma situação bastante degradável que nos prejudica bastante que eu gostava de tornar pública a este pais e para isso conto com a vossa ajuda.
Trata-se do seguinte, alguns dos professores acharam por bem fazer greve no período de exames finais, concordando que a grave é um direito presente de todos os trabalhadores estou ciente também que é uma irresponsabilidade e uma total falta de respeito para com os alunos que estes deveriam apoiar e tentar ajudar ao máximo.
É uma situação bastante complicada pois nós alunos, elaboramos um mapa de exames e inscrevemo-nos nos exames conforme nos for mais favorável de maneira a conjugarmos o tempo que temos disponível. Com estas greves o que se sucede é, por exemplo, o que me aconteceu a mim, estudar uma semana e até prescindir de uma época para um exame para chegar à sala de aula e não ter exame e desperdiçar assim todo este precioso tempo, e um exame que podia ter feito. Os únicos prejudicados no meio disto são os alunos como de normal.
É certo, como já referi, que uma pessoa tem direito à greve, mas quem não tem princípios éticos nem responsabilidade civil acho que não o merece, pois eles tem perfeita noção que ao provocarem uma greve nesta época centenas de alunos ficam bastante prejudicadas, mas ignoram.
Eu decidi expor esta situação pois só a comunicação social tem poder para pôr fim a uma irresponsabilidade destas, pois nós alunos somos indiferentes, uma vez que até os serviços de secretaria não nos sabem informar do que fazer alegando que não têm nada a ver com esta situação.
Luís Barbosa
Se alguém do género Rui Oliveira e Costa, “mestre” em sondagens, me perguntasse o sentido do meu voto, em Setembro, a resposta seria, neste momento: “ Eu sei lá!”.
Ora, este “ eu sei lá”, apesar de tudo, não é bem o mesmo que sai das bocas azedas de muitos portugueses, quando desabafam: - Em quem vou votar? “ Eu sei lá!”, se calhar noutro ladrão da espécie do que lá está… Ou , noutra variante, mas no mesmo tom, de quem está farto de votar e “lerpar”: - Que se lixe a política e que se danem os políticos, “sei lá” eu em quem voto! Ou, sequer, se voto! Ou, ainda, avinagrando o vinho todo: - Os que lá estão fazem asneiras, os que p`ra lá forem asneiras fazem…
“Sei lá” eu em quem vou votar… Em ninguém, se calhar! Mas continuando a responder ao dr. sondagens, acrescentaria ainda, se ele quisesse ouvir: - Em Ferreira Leite não votarei, só porque o actual ex-comentador político, Pacheco Pereira, acha que ela é “uma senhora séria e honesta” (e o Dias Loureiro, não era!?). Ou porque todos afirmam que é especialista em economia e finanças (e daí?... Jesus, que era JESUS, não consta ter sido expert em finanças…) . Mas também não deixarei de votar nela só porque aparece sempre com aquele ar-de-quem-esteve-a-ralhar-com- alguém…
Paulo Portas? Muito despachado a falar, sim senhor! Bastante jeito p`ra rimas… Mas, já foi ministro! E que fez ele? Muita despesa, encoberta! Muito desperdício “submarino”…
Francisco Louçã? Tem incomodado bastante o Primeiro Ministro (não digo o contrário…) e ar-ti-cu-la as su-as men-sa-gens na perfeição. Mas só?!
Jerónimo de Sousa? Porquê? Por não “escornear” ( desculpem, mas está na moda) o P.C.? Só isso?
E o dr. Rui Sondagens, sem desarmar: - Mas há os “outdoors”! É preciso avaliar bem os “outdoors”. Nos “outdoors” pode estar uma excelente visão política. Um caminho novo para o país. Quem sabe se num “outdoor” não está um Portugal novo, moderno e desenvolvido? - Pois olhe, meu caro Oliveira, não sou eu que me deixarei convencer, com inutilidades patetas como os “outdoors”.
Julgam-nos parvos, não é? Alguém, nos dias que correm, “se casa por procuração”? Só se for parvo(a), ou muito feio(a)… Quem se deixa entusiasmar pelos falsos sorrisos das fotos? ( Não, não estou a falar da “Playboy”…). Acabem com essa treta! Esses arranjos de computador! Não nos impinjam candidatos que, logo à partida, se “revelam” (de) “negativos”… Bonitos ou feios, que importa!? Mas o que mais incomoda é o rombo que este “estendal de sorrisos forçados” provoca no Orçamento de Estado! O elevado consumo em impostos que resulta desta propaganda asinina.
Em Setembro, ao parar numa fila de trânsito, não hei-de olhar à minha volta. Assim, não me deixarei induzir por estranhas sensações à-beira-vómito.
Cunha Ribeiro Francisco