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O que começou como um colapso bolsista e do mercado imobiliário alastrou de forma vertiginosa. Com as bolsas internacionais a caírem como cascatas, desde o Verão do ano passado, os investidores mais dados à especulação viraram-se para o que ainda tinha potencial de valorização: as matérias-primas. Os primeiros meses de 2008 ficaram marcados por uma subida sem paralelo do preço dos cereais e do petróleo e, à medida que os combustíveis incorporaram as subidas do crude, as actividades económicas mais expostas aos aumentos foram postas em xeque.
Num Verão de emoções quentes, vários países europeus, entre os quais Alemanha, França ou Reino Unido, foram palcos de protestos das classes profissionais mais afectadas pela inflação da gasolina e do gasóleo. Em Portugal, foram os pescadores a dar o primeiro passo. Nos primeiros dias de Junho, a quase totalidade da frota pesqueira em Portugal ficou em terra, num protesto que reivindicava ajudas financeiras para enfrentar o aumento de custos. Uma linha de crédito bonificado de 40 milhões de euros, negociada com Bruxelas, resolveu o problema, mas, quase de seguida, os camionistas entraram em campo.
A paragem dos transportadores de mercadorias bloqueou o país. Bombas de abastecimento vêem-se a braços com falta de combustíveis, escasseiam produtos nas prateleiras nos supermercados e até o abastecimento do Aeroporto da Portela, em Lisboa, fica em risco. Os veículos pesados que boicotam o protesto são apedrejados pelos colegas de profissão que estão parados. Mais um pacote de ajudas financeiras, acordado entre o Governo e a principal associação do sector, acabou por desmobilizar os profissionais. Mesmo a tempo de verem o petróleo atingir o pico de 147 dólares por barril, em Julho.
Paralelamente, o mundo financeiro não vive dias melhores. Os títulos "tóxicos" do "subprime" permaneceram algures nos balanços dos bancos e a desconfiança generalizada sobre o grau de exposição das instituições aos produtos derivados do crédito de alto risco dos Estados Unidos começa a fazer mossa.