O bispo do Porto, Manuel Clemente, considerou hoje que a visão cultural de Bento XVI é bem aceite em Portugal entre as personalidades das letras, ciências e artes, independentemente da sua religião, por compreenderem a base humana que contém.
"Queremos dizer-vos, Santo Padre, que em Portugal a vossa intenção cultural também é entendida e bem aceite por muitas personalidades das letras, das ciências e das artes, ainda além das fronteiras da confessionalidade estrita", disse Manuel Clemente durante o encontro de Bento XVI com figuras da cultura, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Uma aceitação que advém do facto daquelas personalidades compreenderem "a base humana e razoável" que o
papa
"nunca dispensa, uma vez que, como santo Agostinho, detecta em cada pessoa o sinal e a expectativa de Deus, o único que satisfaz a inteligência e pacifica os corações", disse, ainda, o bispo do Porto que é também presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
"Assumimos inteiramente a urgência que Vossa Santidade nos inculca. Tanto mais quando verificamos as dificuldades levantadas à reflexão e à ponderação - à cultura, propriamente dita - pela velocidade, para não dizer a vertigem, com que hoje nos podemos distrair, de tópico em tópico, sem definir nem aprofundar propriamente nada", disse Manuel Clemente, numa crítica ao mundo moderno.
Como Bento XVI, o prelado do Porto acredita que "não se deve reduzir a consistência cultural" das análises e acções, enquanto cidadãos responsáveis e intervenientes, nos diversos sectores da sociedade nacional e internacional.