Três farpas
02.10.2011
Rui Moreira

Em entrevista a este jornal, o cardeal--patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, pessoa que muito admiro e considero, defendeu que os bispos não se devem envolver na política directa, e afirmou que ninguém sai da política com as mãos limpas.

Ora, para quem, como eu, tem defendido a hierarquia da Igreja Católica a propósito dos casos de pedofilia, argumentando que não se pode generalizar a toda a instituição o comportamento perverso de alguns dos seus membros, a generalização do cardeal é particularmente infeliz. Certamente que há políticos corruptos, porque a corrupção é um mal que se estende a todas as profissões e porque o poder expõe mais facilmente quem o exerce a certas influências, mas não é verdade que todos os políticos sejam corruptos. Em todos os partidos, da esquerda à direita, há muito quem participe e se envolva na política por convicção, com espírito de missão, não se deixando corromper no desempenho das suas funções. Infelizmente, têm sido frequentes, e normalmente infelizes, as alusões aos políticos por parte de alguns bispos. As declarações do cardeal-patriarca têm, no entanto, um outro peso, e assumem, por isso, maior gravidade. É óbvio que a Igreja não pode deixar de ter uma opinião clara sobre as questões sociais do nosso tempo que são a génese da política, e também é óbvio que não deve participar em actividades partidárias ou fazer apelo directo ou indirecto ao voto nesta ou naquela força política. Mas, pela mesma ordem de razões, deve abster-se de diabolizar a classe política.

Finalmente, o presidente da República resolveu falar sobre a Madeira. Fê-lo depois do seu regresso dos Açores, o que se compreende, e optou pela entrevista, o que não parece a melhor forma de comunicar com o país. No entanto, e uma vez que planeou a entrevista, exigia-se que tivesse sido mais claro. Cavaco Silva bem sabe que o problema da governação de Alberto João Jardim não é, apenas, um problema de estilo e, numa entrevista em que deixou avisos múltiplos ao Governo e até à troika, não se entende que não tenha deixado um recado ao povo madeirense. Aquilo que eu esperava nesta conjuntura, e antes de eleições regionais, é que o presidente dissesse que o desgoverno de Jardim nos colocou em terríveis dificuldades perante o exterior, e que são os madeirenses quem pagará a grande fatia da factura. Cavaco Silva tem uma visão redutora, segundo os seus detractores, e institucionalista, segundo os seus apoiantes, do cargo que ocupa. A meu ver, não tem razão quando diz ter, apenas, o poder da palavra. Mas, na medida em que reconhece ter esse poder, esta era a hora para o utilizar.

Os industriais da restauração andam preocupados, e com razão, com as prováveis alterações ao código do IVA. Numa altura de retracção do consumo interno e de tudo o que pode ser considerado supérfluo, receiam que a aplicação da taxa máxima do IVA à sua facturação possa contribuir para reduzir a procura e para aumentar, assim, as suas aflições. Simpatizando com o argumento e com a aflição, e não estando interessado em pagar mais por aquilo que consumo, não posso deixar de salientar que há uma prática comum que diminui a autoridade moral de quem se queixa. É que, como todos sabem, é raro o restaurante em que, depois de pedirmos para pagar, nos aparece a respectiva factura. Por norma, aparece um extracto da conta, com a desculpa de que se trata de um documento para conferência prévia. E, quando efectuamos o pagamento, o funcionário não apresenta a factura antes de nos perguntar se a queremos. Ora, para além da questão de princípio, acontece que o preço que pagamos por tudo o que consumimos num restaurante inclui uma taxa de 13 por cento de IVA, que é destinada aos cofres do Estado. Imagine-se o que seria se disséssemos então ao empregado não quero a factura, mas devolva-me o dinheiro do IVA... São hábitos velhos, eu sei, mas estamos em tempo de mudar de vida...

ver todos os artigos do autor
 

Portugal Fashion recebido de braços abertos no Porto

VER VÍDEO




Novo Mercado do Bom Sucesso
foto José Mota/Global Imagens

Projeto do Mercado do Bom Sucesso vence prémio nos EUA

 
O projeto de requalificação do mercado do Bom Sucesso, no Porto, foi um dos quatros vencedores europeus dos Global Awards for Excellence, promovidos pelo Urban Land Institut, de Nova Iorque.
 
 
Cartoon Elias o sem abrigo de R. Reimão e Aníbal F. 25-10-2014

"O coração dói ao ver o que acontece lá"

Alyona Smertina e Maria Lypkan vivem em Portugal, mas o "coração está lá", na pátria de onde saíram para ter uma vida melhor. Sempre atentas aos momentos conturbados na Ucrânia, as duas professoras da escola Barvinok...

Pelo menos 28 soldados mortos num atentado no Sinai egípcio

Pelo menos 28 soldados egípcios morreram num atentado com um carro armadilhado perpetrado, esta sexta-feira, contra um posto do exército egípcio no norte da península do Sinai, informaram responsáveis das forças de segurança.

Inquérito

O Orçamento de 2015 é eleitoralista?

Sim
Não

Dossiês

Viseu a património da humanidade
Viseu a património da humanidade
Português atual
Português atual

Unibanco - JN 300x100
Fazemos Bem JN 300x100
BT Edições Multimédia
Ocasião/Zaask - Destaque 300x100 DN
JN Descontos Geral 300x100
 

Futebol

Vídeos da Liga
Liga Zon Sagres
Classificação
Resultados
Próxima Jornada
1 - Benfica (19)
2 - V. Guimarães (17)
3 - FC Porto (15)
4 - Sporting (13)
5 - Marítimo (12)
6 - Rio Ave (11)
7 - Sp. Braga (11)
8 - P. Ferreira (11)
9 - Belenenses (11)
10 - V. Setúbal (8)
11 - Académica (7)
12 - Moreirense (7)
13 - Arouca (7)
14 - Boavista (7)
15 - Estoril (6)
16 - Nacional (5)
17 - Penafiel (4)
18 - Gil Vicente (2)

Serviços


TEMPO Dados fornecidos por Wunderground
  • 28ºC
  • 17ºC
  • HOJE
  • 26ºC
  • 14ºC
  • AMANHÃ

 

banner Barómetro Tomar o pulso ao país
Economia Social


Controlinveste Conteúdos, S.A. Todos os direitos reservados
Termos de Uso e Política de Privacidade |  Ficha Técnica |  Quem Somos |  Contactos |  Webmaster This website is ACAP-enabled