JN
Diretor Interino
Alfredo Leite

Triste marco histórico

Publicado

 

No passado dia 18 de Janeiro foi assinado, com enorme dose de propaganda enganosa, o acordo "Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego", subscrito pelo Governo, pelas confederações patronais e pela UGT. Passos Coelho afirmou em Setembro (na festa do PSD), que convidava os parceiros sociais para um processo de concertação social com vista a "credibilizarem os sacrifícios necessários". Entretanto, o Governo vem apresentando aos portugueses o conteúdo do memorando da troika como o "interesse do Estado".

Na assinatura do acordo, Passos Coelho disse que os subscritores conseguiram "ser mais audaciosos, mais inovadores e mais audazes" do que aquilo que estava nas pretensões da troika e considerou o dia 18 de Janeiro como "dia histórico".

Já na véspera, "o Álvaro" tinha expressado a sua douta interpretação do feito alcançado: "Portugal mostra ao Mundo, aos mercados... que estamos a lançar as bases para vencer a crise", acrescentando que "o país sai daqui com um acordo que reforça a competitividade da economia nacional e em que se lançam as bases para o crescimento económico".

Quais os conteúdos concretos que levam o ministro a fazer tais afirmações?

Afinal, o que é histórico neste acordo? O facto de serem as exigências internacionais de credores e agiotas a balizá-lo?

A designação do acordo foca o crescimento, a competitividade e o emprego, mas as medidas que inscreve são absolutamente residuais nestas áreas. Dali não vêm compromissos sérios para assegurar crescimento ou melhoria da competitividade.

É urgente análise e debate qualificado entre economistas e outros especialistas destas matérias para se pôr a nu a fraude da designação do acordo e o vazio das propostas no que diz respeito a soluções para a nossa economia.

Governo e patrões priorizam os interesses dos accionistas das empresas no acesso aos meios do Estado e reforçam a unilateralidade do poder dos patrões nas relações de trabalho, tentando apresentar essa "inovação e audácia" como factor de melhoria da competitividade.

Que competitividade é essa e a quem serve?

Esta semana, o presidente da CAP afirmava numa entrevista que "de há uns meses para cá o pacote laboral tem tomado conta de toda a negociação". E o presidente da CIP disse, no dia 18, ao "Diário de Notícias", que "de facto sai deste acordo um quadro mais penalizador para os trabalhadores".

O acordo corporiza um conjunto de compromissos para profundos cortes nos direitos laborais e sociais, propiciando a passagem de uma parte significativa da riqueza dos trabalhadores para os accionistas das empresas. O patronato aplaude porque lhe é favorável, mas sabem bem que isso não vai resolver os problemas estruturais da economia e das empresas.

Os trabalhadores, com a sua luta, com os seus argumentos, que importantes sectores da sociedade reconheceram justos, derrotaram a tentativa de imposição de 2,5 horas de trabalho forçado por semana, mas esse objectivo foi colocado à sociedade numa jogada ardilosa. Serviu de ameaça desmedida para que, no imediato, não se desse importância a um enorme conjunto de medidas gravosas que o Governo e os sectores patronais retrógrados querem impor aos trabalhadores, aos desempregados, aos reformados.

O acordo visa entregar aos patrões todo o poder para despedir, para alterar os horários a seu bel-prazer e generalizar a precariedade, para voltar a colocar o trabalho ao sábado, reduzir os salários e outras formas de retribuição, para destruir a contratação colectiva substituindo-a pela relação individual de trabalho, eliminar feriados e dias de férias, para diminuir a protecção social dos desempregados, fragilizar a Segurança Social e provocar um retrocesso social sem precedentes nas relações de trabalho, que contribuirá, desgraçadamente, para que o país continue a afundar-se.

Triste marco histórico este!

Mas o acordo não é lei!

Muitos travões se podem accionar se houver esclarecimento sobre os conteúdos concretos e mobilização dos trabalhadores e das forças sociais e políticas, designadamente, com a intervenção destas aquando da apresentação dos respectivos diplomas na Assembleia da República.

ImprimirImprimirEnviarEnviarEstatísticas
Partilhar
 [?]
 
 
 

Um Sonho Certo - Uma História do Algarve

VER VÍDEO




Câmara no sutiã revela olhares indiscretos
Homens, mulheres, crianças e até um cão. Todos foram apanhados a olhar para o peito de mulher, num vídeo da Nestlé de alerta...

Fernando Santos é a melhor opção para a seleção nacional?

Sim
Não
 

Opinião


 

Nova loja de bricolage atraiu centenas de pessoas a Canidelo

CARLA SOFIA LUZ
O Fojo já é um nó difícil de desatar para a maioria dos automobilistas que por lá passa. Ontem, a paciência teve de ser redobrada. A abertura da loja de bricolage BricoDepôt, e do restaurante McDonald"s no terreno da antiga fábrica de cerâmica do Fojo, em Canidelo (Gaia), gerou confusão no trânsito sem paralelo, atraindo centenas de curiosos e de clientes.

   
 
Mais Notícias

Cristiano Ronaldo preocupado com lesão sofrida frente ao Ludogorets

O português Cristiano Ronaldo mostrou-se, esta quarta-feira à noite, preocupado com a lesão sofrida na vitória do Real Madrid sobre o Ludogorets (2-1), da segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões de futebol.

Conheça as principais medidas da reforma do IRS

A Comissão da Reforma do IRS insiste na extinção progressiva da sobretaxa de 3,5% a partir do próximo ano e recomenda que, depois disso, o Governo faça uma revisão dos escalões do imposto "tão cedo quanto possível.

Charlene do Mónaco está grávida de gémeos

M.R.
Após meses de especulação e de o pai da própria princesa ter adiantado a algumas publicações a informação, a revista espanhola "Hola!" avança que, para Charlene do Mónaco, a "alegria de ser mamã vai ser dupla". A princesa terá confirmado a gravidez de gémeos, que deverão nascer no final do ano.

Morreu o artista plástico Espiga Pinto

O artista plástico Espiga Pinto, de 74 anos, morreu esta quarta-feira à tarde na cidade do Porto, disse o seu filho, que remeteu para quinta-feira informações sobre as exéquias.

Estudantes fazem ultimato a chefe do executivo de Hong Kong

Estudantes de Hong Kong fizeram esta quarta-feira um ultimato ao chefe do executivo local, Leung Chun-ying, exigindo que se demita até quinta-feira, sob pena de ocuparem edifícios governamentais, excluindo serviços sociais ou de saúde.

Exposição de bustos de presidentes da República causa polémica

PCP, BE e PEV exigiram, esta quarta-feira, a suspensão de uma exposição de bustos dos presidentes da República patente no andar nobre da Assembleia da República por considerarem que branqueia o significado histórico e político do Estado Novo.


Dossiês

Viseu a património da humanidade
Viseu a património da humanidade

/Dossies/dossie.aspx?dossier=Viseu a património da humanidade

Português atual
Português atual

/Dossies/dossie.aspx?dossier=Português atual


Cartoon Elias o sem abrigo, de R. Reimão e Aníbal F

Especiais


Multimédia
Blogues
Inquérito



BT Edições Multimédia

Ocasião/Zaask - Destaque 300x100 DN
Últimas
+Lidas
+Comentadas
+Pesquisadas
 

Futebol

Vídeos da Liga
Liga Zon Sagres
Classificação
Resultados
Próxima Jornada
1 - Benfica (16)
2 - FC Porto (12)
3 - Marítimo (12)
4 - Sp. Braga (11)
5 - V. Guimarães (11)
6 - Rio Ave (10)
7 - Sporting (10)
8 - Belenenses (10)
9 - P. Ferreira (8)
10 - Arouca (7)
11 - V. Setúbal (7)
12 - Boavista (7)
13 - Académica (6)
14 - Moreirense (6)
15 - Estoril (5)
16 - Nacional (4)
17 - Penafiel (4)
18 - Gil Vicente (1)

Serviços


TEMPO Dados fornecidos por Wunderground
  • 27ºC
  • 16ºC
  • HOJE
  • 26ºC
  • 16ºC
  • AMANHÃ

 

banner Barómetro Tomar o pulso ao país
Economia Social


Controlinveste Conteúdos, S.A. Todos os direitos reservados
Termos de Uso e Política de Privacidade |  Ficha Técnica |  Quem Somos |  Contactos |  Webmaster This website is ACAP-enabled