Já sei que não é uma andorinha que traz a primavera. Mas com muitas andorinhas o caso pode mudar de figura. Começando a mudar o tempo. Andor... como diz o povo. Nesta primavera do Porto, com mais chuva e frio do que é tradicional, adivinhamos todos que o tempo que faz pode ser mais parecido com o tempo que há de fazer do que com o tempo que fez no passado.
Igualmente neste Porto primaveril não é difícil prever que outros tempos virão, atrás destes tempos que temos vivido. Que para uns, bons os farão, para outros, farão ou não.
Certo e seguro é que haverá eleição e a mudança está garantida por obra e graça da nova legislação.
Do tempo em que ainda estamos, há uma primavera a registar. Com muito agrado.
Claro que não é um evento que nos traz uma primavera risonha no futuro próximo, mas o Primavera Sound é uma aposta certa no lugar certo. O sucesso granjeado é música para os ouvidos de quem gosta do Porto. Mesmo que não morra de amores por esta seleção alternativa.
Estou muito à vontade para o escrever, até porque é um evento que nada muito fora das minhas águas. Onde não pus os pés, nem tenciono pôr tão cedo. Mas reconheço que a oferta que representa faz todo o sentido para a minha cidade e para a nossa região.
Os críticos habituais apressar-se--ão a dizer que, apesar do sucesso, voa muito baixinho, em comparação com o Red Bull Air Race e não tem o andamento das corridas do Circuito da Boavista. Sem dúvida. Mas sempre acrescentarei que também não terá o mesmo orçamento ou pelo menos não implicou certamente o mesmo envolvimento do erário municipal em termos de recursos humanos e financeiros.
Numa cidade como o Porto do século XXI, o marketing de eventos, grandes e não tão grandes assim, é, tem de ser, uma trave-mestra da política municipal.
É nesta ótica que olho para o Primavera Sound não numa lógica de diminuição, mas numa lógica de soma com os restantes eventos que já animaram e poderão vir a animar o Porto nos próximos tempos.
Nesta semana, conversando com um amigo do Sul que já não vinha ao Porto há muito tempo (mal o dele...) vi-o espantado com uma realidade que a mim já não me espanta há muitos meses. Dizia-me ele que nunca tinha visto a cidade do Porto com tantos estrangeiros e queria saber se existia alguma razão especial para o facto. Primeiro, meio a sério, meio a brincar, disse-lhe que tinham vindo todos a correr quando souberam que o Porto tinha ganho o prémio de "Melhor Destino Europeu 2012", porque tinham medo de que os motivos dessa distinção só fossem válidos neste ano. Mas depois expliquei-lhe que sendo as razões múltiplas, julgava eu existirem três razões, uma mais próxima e conjuntural e duas mais distantes e estruturais. Começando por estas, a instalação da Ryanair no Porto com armas e bagagens e o novo terminal de cruzeiros em Leixões tiveram uma influência decisiva. Mas também o Porto em si, que tem vindo a deixar-se descobrir gradualmente e que tem vindo a enriquecer e a qualificar a sua oferta: Serralves, Casa da Música, Estádio do Dragão, o fim das obras de Santa Engrácia e a nova movida da Baixa portuense. Mas também os novos hotéis e a gastronomia, a de autor e a tradicional, que tem ganho foros de relevo no boca a boca que sempre constitui uma das mais importantes formas de promoção turística.
A razão próxima era o Primavera Sound, que atraiu milhares de galegos numa operação pensada com cabeça, tronco e membros. Aguardo ansiosamente pelas próximas primaveras do Porto. Que não fiquemos à espera de uma andorinha destas para ter a impressão de que um novo tempo chegou à nossa cidade e região, é o meu desejo.
Por mim, quero um Porto "for all seasons", para todas as estações!