Contas feitas, a partir de 2004, os bracarenses já encaixaram 21 milhões de euros em vendas de passes de jogadores, um número que na prática até será superior, uma vez que o valor de algumas transferências, como a que levou o jovem avançado Orlando Sá do clube minhoto para o F. C. Porto no último defeso, não foi oficialmente divulgado.
A estratégia seguida por Salvador é clara: promover jogadores dos escalões de formação ou contratá-los a baixo custo, preferencialmente no mercado português e sul-americano, para depois os valorizar, graças à visibilidade ganha pelos bons resultados da equipa na Liga portuguesa ou nas provas europeias. Foi desta forma, por exemplo, que o uruguaio Luis Aguiar foi vendido ao Dínamo de Moscovo, no final da época passada, por três milhões de euros, depois de apenas um ano no plantel arsenalista.
Os dois últimos anos não têm sido, apesar de tudo, tão frutuosos a nível financeiro como os anteriores, sobretudo porque a SAD minhota tem resistido a algumas propostas interessantes para fazer transferências, com o objectivo de manter a espinha-dorsal da equipa e, assim, aproximá-la dos nível dos três grandes portugueses. O ano de 2005 foi bem diferente, com a saída consecutiva de vários jogadores (Nunes, João Alves, Wender, Jorge Luiz, Cícero), todos em negócios avultados, da equipa então treinada por Jesualdo Ferreira.
Os destinos foram, sobretudo, clubes estrangeiros, mas também F. C. Porto, Sporting e Benfica ganharam, nos últimos anos, o hábito de ir às compras no clube minhoto. De resto, não foram apenas jogadores que fizeram a viagem, pois também o treinador Jorge Jesus saiu de Braga, rumo ao Benfica, no Verão passado, numa "transferência" rodeada de polémica, que valeu cerca de 700 mil euros aos bracarenses.