Acção defensiva. Sofrer quatro golos dos cipriotas é coisa que não lembra a ninguém. Portugal teve um desempenho defensivo anárquico. E não só os perturbados jogadores que actuaram atrás têm culpas no cartório. Nas acções defensivas, o meio-campo quase não existiu, incapaz de contrariar as saídas rápidas dos adversários. Erros individuais, colectivos e uma tremenda falta de tranquilidade custaram dois pontos importantes a Portugal.
Extremos. É complicado encontrar algo manifestamente positivo na desordenada equipa portuguesa. De qualquer forma, pelos flancos, os regressados Nani e Quaresma fartaram-se de canalizar perigo, embora, muitas vezes, não escapassem à tendência individualista, que nunca beneficia quem procura desmontar uma muralha como a cipriota. O que criaram, porém, chegava para golear com tranquilidade, só que não tiveram acompanhamento à altura na rectaguarda.
Com Carlos Queiroz na bancada e Agostinho Oliveira no banco a comandar as tropas, Portugal perdeu, de repente, a solidez defensiva que caracterizou os tempos mais recentes. Num só jogo, a equipa das quinas sofreu o quadruplo dos golos encaixados no Mundial - apenas um, frente à Espanha -, e nem o facto de defrontarem uma selecção da quarta divisão europeia evitou o escândalo de ontem, em Guimarães.
Cada vez que se aproximavam da área, os cipriotas criavam perigo, mais pelos lapsos estranhos dos jogadores portugueses do que pela arte do seu futebol, resumido a passes longos e correrias tresloucadas em direcção à área de Eduardo. Num quadro normal, as investidas de Chipre teriam efeito zero, apenas cócegas. Mas, é inequívoco, a selecção nacional não vive numa conjuntura de normalidade.
O futebol, a este nível, numa campanha de apuramento para uma grande competição internacional, não se joga em piloto automático. As coisas não são assim tão simples. É preciso liderança. Ora, ontem faltou liderança à equipa nacional. Dentro e fora do campo. Os dias de turbulência que afectam o ainda seleccionador, Carlos Queiroz, não passaram ao lado dos jogadores, que realizaram uma exibição desastrada.