Longe vão os tempos em que os clubes nacionais apostavam em jogadores exclusivamente portugueses. As exigências da globalização, e as obrigações de quem procura comprar por preços mais acessíveis, levaram as sociedades desportivas a apontar as agulhas em direcção ao mercado sul-americano, onde emergem os campeonatos brasileiro, argentino e uruguaio como os alvos mais apetecíveis. É aí onde se consegue uma relação mais equilibrada entre a qualidade e o preço para benefício dos clubes lusos.
O Braga é um bom exemplo dessa política: tem 20 jogadores sul-americanos, o que representa 66% dos futebolistas às ordens do treinador Domingos Paciência. Dezassete deles têm nacionalidade brasileira, contigente que supera, em larga escala, os sete portugueses do plantel. O leque fica composto por Rodríguez, Luís Aguiar e Andrés Madrid, futebolistas de nacionalidades peruana, uruguaia e argentina, respectivamente. Aliás, basta só recordar que no último desafio dos arsenalistas na Liga, jogaram no onze oito sul-americanos, sete deles brasileiros. E apenas um português, o internacional Sílvio.
Clubes portugueses fecham-se
"Os melhores jogadores portugueses pertencem aos grandes clubes e raramente há transferências entre eles, a única excepção é o João Moutinho. Isso dificulta o mercado nacional e as apostas têm de passar por atletas de outros países ou então por futebolistas de nacionalidade estrangeira", explica, ao JN, o agente FIFA Artur Fernandes, presidente da ANAF (Associação Nacional de Agentes de Futebol).
O F. C. Porto também não foge à regra das linhas de orientação dos clubes lusos. Tem 15 jogadores sul-americanos, o que representa 57,6% do leque de escolhas do treinador André Villas-Boas, um número acima dos sete futebolistas de nacionalidade portuguesa presentes no plantel. À disposição do técnico constam seis brasileiros, o maior contingente estrangeiro no clube, seguindo-se três uruguaios e outros tantos colombianos e argentinos. Isso reflecte-se nas escolhas: o onze base costuma ser composto por oito sul-americanos.