| foto Paulo Spranger/Global Imagens |
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| Jorge Sampaio |
"Costumo dizer que esta crise não é só uma questão de números, de orçamento e de financiamentos. No centro da crise estão pessoas - pessoas que temem pelos seus empregos, que receiam pelo seu futuro; no centro da crise estão cidadãos que começam a ficar dominados pelo medo, pela desconfiança e pelo ressentimento, uma mistura explosiva a que há que saber dar resposta", afirmou o ex-Presidente da República português.
A resposta deve ser política no plano nacional e europeu, "para além das respostas cívicas que os cidadãos possam organizar", disse Jorge Sampaio, que coordena, em Istambul, na Turquia, desde quinta-feira, a conferência de doadores da Aliança das Civilizações.
"A crise atual que as sociedades europeias enfrentam não é só financeira, nem económica, nem política, mas é também uma crise de valores, de cultura e de civilização. E deste ponto de vista, há sinais preocupantes de que a situação na Europa se está degradar", afirma Jorge Sampaio.
Ressalvando que "em bom rigor, a Aliança das Civilizações não tem uma posição acerca do rumo da construção europeia, pois tal questão extravasa o seu campo de responsabilidades e atuação", Sampaio refere que a organização "visa promover a boa governação da diversidade cultural, através designadamente a construção de sociedades abertas, inclusivas e tolerantes, e há pontos de intersecção entre o domínio de competências da Aliança e a construção europeia".
Mas Jorge Sampaio alerta para aquilo que considera a deterioração do projeto europeu.