O acordado com a 'troika' prevê que a conta consolidada das Administração Públicas não ultrapassasse um défice de 4.400 milhões de euros, não discriminados por setor, mas esta contabilização exclui um conjunto de operações contabilisticamente importantes, como explicam as contas da Direção-Geral do Orçamento na síntese de execução orçamental do primeiro semestre divulgada esta segunda-feira.
Entre estas, está a transferência dos fundos de pensões da banca, cuja última parcela foi transferida para a Segurança Social em junho - no valor de 2.784 milhões de euros - e ainda da não consideração do pagamento de dívidas em atraso do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a inclusão nas contas de um conjunto de garantias, empréstimos e ativos financeiros -- no valor de 34,7 milhões de euros -- que não seriam considerados normalmente.
Incluindo estas operações, e contabilizando o universo real da Administração Central e da Segurança Social no primeiro trimestre do ano, o défice orçamental em contabilidade pública foi de 1.709,7 milhões de euros, e considerando um universo comparável com o que existia nos primeiros seis meses de 2011, o défice ficaria nos 1.237,2 milhões de euros.
Só considerando o mês de junho, e em comparação com o mesmo mês de 2011 e universo que existia na altura, a Administração Central e a Segurança Social conseguem mesmo um saldo positivo na ordem dos 400 mil euros.
A grande diferença está mesmo na transferência 2.784 milhões de euros para a Segurança Social correspondente às responsabilidades com os fundos de pensões da banca, agora nas mãos do da Segurança Social, e ainda do efeito da suspensão do subsídio de férias aos funcionários públicos, que também ocorreu em junho.