| foto BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA/GLOBAL IMAGENS |
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| Francisco Alves, 62 anos, é o único habitante da ilha Deserta |
Garante sentir-se seguro, mais do que antes de ter decidido sair da casa que partilhava com a mulher, em Faro, e ter-se instalado na casa de apoio de pesca que lhe foi atribuída na Deserta. "De 1981 a 1983 fui assaltado três vezes. Levaram-me todo o equipamento de pesca. Foi por isso que decidi vir para aqui, para proteger as minhas coisas", explica, ao JN.
Na nova habitação, construída em madeira, não lhe falta nada. Tem telefone, rádio, televisão, fogão, frigorífico e arca congeladora, construída por Francisco a partir de um antigo frigorífico. Esta é uma das formas de ocupar o tempo, quando não está a pescar. "Todas as artes de pesca sou eu que as faço. Também construí este fogareiro e este saca-rolhas", conta, apontando os objectos.
A energia eléctrica obtém-na através de um gerador enterrado a 50 metros da casa, e a água, de um poço com quatro metros de profundidade, aberto por cima de um lençol freático de água doce.
Mas nem sempre a vida corre de feição na ilha Deserta. "Há dias, no Inverno, em que o mar mete muito respeito. Chego a estar 15/20 dias sem poder sair daqui", sublinha. O pior momento que ali viveu aconteceu há poucos anos quando, durante um temporal, uma placa de fibra de vidro se soltou e o atingiu na cabeça.
"O vento soprava a 120 km/h e as vagas atingiam os três metros. O acidente aconteceu às 11 horas e só às duas da tarde conseguiram transportar-me ao hospital", conta. "Perdi muito sangue".