"Daqui não saio. Comigo aqui a morar, não deitam a casa abaixo". Norberto Pereira, de 48 anos, não tem nada contra o El Corte Inglés. Mas garante que não abandonará a habitação - uma das que terá que ser demolida para ceder terreno ao centro comercial da cadeia espanhola - enquanto não lhe pagarem a indemnização a que acha que tem direito. No número 95 da Rua de Raimundo Carvalho (Gaia) reside, para já, o maior obstáculo à instalação da unidade comercial.
Norberto Pereira só quer que a sua situação seja resolvida. Já a mediadora (empresa MBI) acusa os moradores de não terem respeitado o acordo inicial e de mudarem o valor pedido de reunião para reunião.
"Não há acordo. A empresa que está a negociar oferece 45 mil euros, mas eu quero 100 mil euros, porque acho que tenho direito. Moro aqui há 46 anos", referiu Norberto Pereira, que partilha a casa com a mulher e três filhos, com idades entre os 11 e os 23 anos.
Guilherme Gomes, da MBI, tem outra versão. "Na fase inicial do processo, propusémos-lhes um valor entre os 40 e os 45 mil euros. Eles pediram 75 mil euros e fizemos a escritura. Mas numa segunda fase, já passaram de 75 para 250 mil euros, valor que achamos completamente disparatado. Através do advogado, eles fizeram depois outra proposta, de 150 mil euros", referiu, sublinhando que são os moradores que têm dificultado a negociação. A empresa pediu, entretanto, à Câmara de Gaia que fizesse uma avaliação do caso, ao nível da indemnização a ser feita.
O morador começou por lamentar o facto de a senhoria ter chegado a acordo com os negociadores, sem o ter contactado. "Já estamos nisto há um ano. Eu só quero que se sentem todos à mesma mesa e negoceiem com o meu advogado. O benefício é para o El Corte Inglés, não para mim. O que são 100 mil euros para eles?", questionou, revoltado com o impasse e com o "martírio" que a sua família tem enfrentado, nos últimos tempos. "Com as máquinas a trabalhar, a casa está sempre a abanar. Não temos tido sossego", lamentou.