Guardas-florestais vigiam áreas de alto risco de fogo

 | 16.05.2005 - 00:00
 

No dia em que abriu oficialmente a "época de fogos", antecipada devido à seca que se assola o país, o secretário de Estado das Florestas, Rui Gonçalves, visitou dois postos de vigia no distrito de Santarém, dos 66 que começaram ontem a funcionar. A 1 de Junho estarão ocupados os 237 postos existentes. Mas a "visita-surpresa" de Rui Gonçalves não foi pacífica. Em declarações à TSF, Rui Raposo, do Sindicato dos Guardas-Florestais, acusou o secretário de Estado de estar "a policiar" os postos de vigia.

Rui Gonçalves subiu ao cimo de duas torres, uma com 15 metros e outra com 35, observou a paisagem, conversou e questionou os guardas-florestais. Percebeu que este "não é um trabalho muito estimulante", mas garantiu que "é muito digno e importante".

Aos jornalistas, o secretário de Estado salientou "a relevância" de uma vigilância atenta, que permita detectar o início dos incêndios, por forma a que sejam debelados rapidamente. E em ano de seca extrema, "mais importante se torna a vigilância".

No posto de vigia de Almeirim, junto à Quinta de Alorna, os aparelhos de comunicação ainda estavam a ser ligados. No local, três guardas-florestais testavam o equipamento quando uma coluna de fumo surgiu no horizonte. O alerta foi dado de imediato para o Centro de Prevenção e Detecção de Incêndios do distrito, instalado em Tomar.

"A detecção de um princípio de incêndio prova a importância desta medida", considerou o governante que admitiu ter ficado surpreendido com o aviso de greve dos guardas-florestais. No terreno pôde verificar que "todos estão a funcionar", e mesmo aqueles guardas que não apareceram em dois postos, no Algarve, "foram substituídos por funcionários administrativos e trabalhadores rurais". O sindicalista Rui Raposo disse à TSF, por sua vez, que a adesão à greve, no Algarve, "foi de 100%", e que em postos "estavam guardas-florestais que se ofereceram, porque estavam a trabalhar em secretarias".

O secretário de Estado subiu os 141 degraus da torre de Agolada, no concelho de Coruche, a cerca de 35 metros de altura. No cimo encontrou António Matias, 55 anos, guarda-florestal. A sua presença contribuiu para abrir mais um posto de vigia. "Era preciso abrir todos os postos e eu vim para aqui", conta António com os olhos pregados no horizonte.

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