Trouxas da Malveira "nasceram" há 100 anos

 | 15/04/2006
 

unto à Fábrica das Trouxas da Malveira, no concelho de Mafra, já não se vêem as romarias de outrora, mas os verdadeiros amantes deste doce tradicional continuam a não perder uma oportunidade para fazer a vontade ao estômago... e ao coração. É o caso de José Tavares e Cristina Pêssego. Sempre que estão de passeio pela zona saloia dão ali um saltinho para matar saudades. "É o único doce com creme que consigo comer", confidencia ela, ao JN.

As trouxas da Malveira foram inventadas há precisamente 100 anos por Emília Sousa Antunes, que desta forma pretendeu homeagear as lavadeiras (ver caixa). Maria Celeste da Costa, 56 anos, sobrinha-neta de Emília, conta que, durante muitos anos, as excursões paravam junto à fábrica para que os turistas pudessem deliciar-se com o doce.

A época de ouro era o Carnaval, altura em que os desfiles de Torres Vedras atraíam muita gente que, pelo caminho, parava na Malveira. "Como havia muita procura, começavam a fazer-se trouxas três dias antes. Quatro pasteleiros batiam a massa logo de madrugada para que pudesse ser retirado do forno um tabuleiro de três em três minutos", acrescenta Rosa Fernandes que juntamente com a irmã, Carmen Mourato , dirigem agora a fábrica.

O segredo do sucesso deste doce, confidenciam, está no creme. "Continuamos a utilizar a receita original. São as pasteleiras que misturam os vários ingredientes e os cozinham, mas só nós é que sabemos as quantidades necessárias de cada um deles", explica Rosa Fernandes, chamando a atenção para um verso inscrito na parede que antigamente aparecia nas caixas "Coma trouxas... não seja trouxa/Delícia que nos encanta/Não se esqueça de levar/ Trouxas para aquela santa... sogra".

Hoje, o cenário é bem diferente. A A8 (auto-estrado do Oeste) e mais recentemente a A21 (que liga a Malveira a Mafra) roubaram muita clientela. "Qualquer dia, teremos que mudar-os para junto das portagens", ironiza Rosa.

Se isso vier a acontecer, não será inédito na já longa história das trouxas. Os locais de venda sempre se situaram junto dos principais pontos de passagem. Primeiro, junto à estação ferroviária, mais tarde, junto à Estrada Nacional 8, onde ainda hoje está instalada a fábrica.

 
 










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