Melides: Proprietários dos restaurantes criticam critérios rigorosos das demolições

 | 14/03/2008
 

Grândola, 14 Mar (Lusa) - Os proprietários dos restaurantes de Melides que vão ser demolidos dizem que os critérios não foram iguais para todos, e o ministro do Ambiente, Nunes Correia, garante que o Governo está empenhado na "reposição da legalidade" na orla costeira.  

Nunes Correia falava aos jornalistas durante a demolição do primeiro de quatro restaurantes da praia de Melides, em Grândola, onde foi confrontado com o protesto dos proprietários que vão ter de recuar os imóveis cerca de 600 metros. 

Segundo Paulo Caetano, proprietário de um dos quatro restaurantes, na praia de Melides foram aplicados critérios "mais rigorosos" do que aqueles do que nas outras praias do litoral alentejano. 

"Não sei porque somos tratados de forma diferente face ao que aconteceu nas praias da Comporta, Pego e Carvalhal", disse Paulo Caetano, que interpelou o ministro do Ambiente à chegada à praia de Melides, lembrando que as infra-estruturas de apoio daquelas praias estão a menos de 100 metros da linha de água. 

"Apesar de termos tido ajuda da Câmara Municipal de Grândola e do INAG - e estamos agradecidos por tudo o que fizeram por nós -, gostaríamos de saber porque razão Belmiro de Azevedo e todos os outros estão instalados em cima das dunas primárias e nós temos de recuar (os restaurantes) cerca de 600 metros", questionou Paulo Caetano. 

Paulo Caetano defendeu também que deveria ter sido criada uma linha de crédito para financiamento dos encargos com as novas infra-estruturas que serão suportadas pelos proprietários dos quatro restaurantes e que, no mínimo, lhes deveria ter sido permitido fazer as novas construções e só depois procederem à demolição dos restaurantes que exploram há mais de dez anos. 

Parte da resposta foi dada pelo presidente do INAG, Orlando Borges, que justificou a decisão dizendo que se tratava de uma "opção estratégica", uma vez que os restaurantes de Melides vão ter a possibilidade de trabalhar durante todo o ano. 

Por sua vez, o ministro do Ambiente, do Ordenamento do território e Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, garantiu que o objectivo do governo é " compatibilizar ambiente com desenvolvimento, obedecendo às melhores regras para a implantação de infra-estruturas e equipamentos". 

"Não estamos a fazer isto para ficar sem nada, mas para permitir a frequência desta praia, com qualidade, a todos os cidadãos", acrescentou Nunes Correia. 

"O que se segue é limpar completamente este tipo de construções sem nenhuma qualidade, para depois, com as devidas regras de ordenamento, instalar aqui apoios de praia - primeiro um apoio de praia mais à frente e depois uma zona de atracção mais recuada, com vários restaurantes com uma boa vista panorâmica, que vão criar um pólo de atracção e de dinamização de toda esta zona", acrescentou o governante.  

Além da deslocalização de quatro restaurantes, que deverão reabrir em novas infra-estruturas dentro de oito meses, o plano de requalificação da praia de Melides prevê também diversos arranjos exteriores.

Entre outras intervenções, está prevista a plantação de árvores, colocação de mobiliário urbano, instalações eléctricas, requalificação do acesso à praia e recuperação da frente dunar, a exemplo do que já aconteceu nas praias do Carvalhal, Comporta, Pego e Tróia, todas no concelho de Grândola.

Não fosse a intervenção rápida do presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, o ministro do Ambiente já não teria assistido à demolição do restaurante que decorreu ao princípio da tarde na praia de Melides. A operação estava marcada para as 14:30, mas pouco depois das 14:00 uma responsável do INAG deu ordem para o início dos trabalhos, que acabaram por ser suspensos pouco depois pelo presidente da Câmara de Grândola e retomados após a chegada do ministro do Ambiente.

GR

Lusa/Fim

 
 
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