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| Camila e Selva |
A luta de Selva Herbón e Carlos Sanchéz pelo direito de dar uma morte digna à filha mudou a lei na Argentina. O "país das pampas" tem, agora, o que não tinha há três anos, quando Camila nasceu, em estado vegetativo permanente - uma lei da morte digna.
Assim que a proposta foi aprovada pelo Governo argentino, os pais de Camila decidiram desligar a sonda gástrica que a alimentava, o soro que a hidratava e retirar o tubo que a mantinha a respirar e deixar a menina, de três anos, ir em paz.
"Camila passou por este mundo e deixou direitos para todos", desabafou Selva Herbón, em declarações ao diário argentino "Clarín". O desejo dos pais concretizou-se. Os médicos que tantas vezes disseram não, acabaram por dizer sim, à luz da nova lei.
"Hoje, Camila, o nosso anjo, pôde partir. Obrigado aos médicos que puderam interpretar o sentido da lei Nacional de direitos dos pacientes, graças aos esforços de todos os que se comoveram e nos acompanharam neste processo de dor e luta incansáveis", escreveu a mãe, na página pessoal no Facebook.
Foi o fim de uma luta, e um sofrimento, de três anos, para os pais que se decidiram por tentar dar uma morte digna à filha assim que foi comprovado que não havia tratamento ou reabilitação possível do estado permanente vegetativo em que nasceu, em 2009. Nestes anos, três comités de bioética consideraram que o estado de Camila era irreversível, que a menina nunca passaria do estado vegetativo.