| foto Themba Hadebe/AP/Arquivo |
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Meiga, gorro branco na cabeça e um sorriso envergonhado, aos nove anos foi obrigada a viver maritalmente com um homem polígamo, com três mulheres, em cumprimento "dos mandamentos bíblicos" da seita e para legitimar a filiação do pai à igreja.
"Obrigava-me várias vezes a fazer sexo, mas eu não sabia o que era isso, se era algo para comer, até que um dia me chamou para o quarto e o encontrei despido e fugi", disse à Lusa a menor, que denuncia ter sofrido agressões físicas por não fazer alguns trabalhos forçados, em beneficio das mulheres mais velhas do lar.
Este é o primeiro caso que chega à justiça em Manica, envolvendo crentes da igreja Johan-marangue, embora a prática de casamentos prematuros seja muito frequente entre os membros da igreja, famosa por recusar a medicina convencional.
O caso foi tornado público em Agosto, quando a menor foi espancada pelo pai, que a forçava a regressar à casa do noivo, depois de ter fugido por duas vezes, para se escapar às tentativas de violência sexual, protagonizado pelo "prometido".
Com escoriações na cara e sangrando do nariz, a menor socorreu-se junto a LEMUSICA (Levanta Mulher e Siga o seu Caminho), uma organização não governamental que apoia vítimas de violência sexual e doméstica, onde denunciou o caso.