É o principal argumento de Ricardo Fonseca para a escolha daquele canal em detrimento da avenida, destacando a maior velocidade comercial (por ser quase toda enterrada), o impacto diminuto na circulação viária e o facto de servir dois pólos universitários. Chegado à liderança da Metro, Ricardo Fonseca colocou de lado a construção do "shuttle" da Boavista. "Não faz sentido ter uma linha da Boavista a terminar na rotunda", sublinhou, ontem à tarde, o presidente da empresa na apresentação do plano de expansão da rede do Metro até 2022. E, embora admita inserir essa ligação à superfície pela avenida na rede, garante que tudo dependerá da procura da segunda fase.
"Não queremos ser draconianos e dizer jamais. Daqui por 20 anos, ver-se-á", continua Ricardo Fonseca. "A Avenida da Boavista é uma peça única na nossa cidade. Imaginemos que alguém pretende transformar a avenida numa grande alameda. Se calhar nessa altura, já ninguém põe a hipótese de colocar lá o metro".
Então, a Comissão Executiva da Metro estudou duas opções: a ligação entre Matosinhos Sul e a estação de S. Bento, no Porto, pelas ruas de Diogo Botelho e de Campo Alegre e a linha à superfície pela avenida, enterrando na Rua de Agramonte rumo a S. Bento. A TRENMO fez um novo estudo e, segundo Ricardo Fonseca, deu um empate na procura, sendo a factura da linha da Boavista um milhão de euros mais cara. A ligação pelo canal do Campo Alegre custa 319,6 milhões de euros.
Grande parte dos 9,43 quilómetros de extensão será enterrada. Sai de Matosinhos Sul e cruza o Parque da Cidade num novo viaduto a construir "o mais próximo possível do actual". Já no Castelo do Queijo, "passará por baixo da Avenida da Boavista" e surgirá à superfície na futura Via Nun'Álvares, cujo único desenho elaborado pela Câmara do Porto não prevê a passagem do metro. Continuaria à superfície pela Rua de Diogo Botelho, ultrapassando o vale do Fluvial em viaduto e enterrando em frente ao Hotel Ipanema Park. O destino é S. Bento.
Apesar do estudo da Faculdade Engenharia do Porto, encomendado pelo Governo, ter apontado a ligação a Vila d'Este como prioritária, a verdade é que o metro só chegará à urbanização em 2022. Será o término da segunda linha de Gaia, com partida da Faculdade de Letras e passando por uma nova ponte sobre o rio Douro. A travessia, que, para já, só servirá o metro, ficará a montante da ponte da Arrábida. Antes avançará o prolongamento da Linha Amarela até à rotunda de Santo Ovídio, enquanto está a ser elaborado o projecto de execução de nova extensão daquela rotunda a Laborim. O investimento total é superior a 59 milhões de euros. Vila d'Este, assim como a segunda linha para Gaia, terá de esperar, afirma Ricardo Fonseca.