Claro ficou, ontem, que o entendimento que existia entre o presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP) e o Governo voltou à estaca zero. Em causa, o plano global que ontem foi apresentado pela Comissão Executiva aos accionistas. Rui Rio recusou a proposta para a segunda e terceira fases, acusando o Executivo de apresentar uma "papelada sem estudos técnicos" com o objectivo de "não fazer rigorosamente nada".
Pelo contrário, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, garantiu tratar-se de uma proposta que "cumpre o memorando de entendimento" assinado em Maio de 2007. E o socialista Mário de Almeida, administrador não executivo da Metro que faz parte da JMP, afirmou, mesmo, que "vai mais além" daquele acordo. Ou seja, mesmo entre autarcas está instalada a divisão.
O plano prevê, numa intervenção total de 1,68 mil milhões de euros, que a segunda fase termine dentro de dez anos e a terceira apenas em 2022. Para além das linhas de Gondomar, entre Dragão e Cabanas, já autorizada, e da extensão de Gaia até Santo Ovídio, já a concurso, estão previstas para a segunda fase mais cinco.
A polémica linha da Boavista não faz parte daquele pacote. Porém, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, disse, ontem, que "não foi abandonada a hipótese". O que consta do documento é a nova ligação entre Matosinhos Sul e S. Bento pelo Campo Alegre, com entrada em funcionamento só em 2014. A passagem pela Avenida surge no pacote da terceira fase, mas sem data ou certezas.
Outro alvo de repúdio por parte de Rio é o calendário para Gaia. A segunda fase inclui a extensão a Laborim, até 2012. Porém, a entrada em operação da ligação entre a Faculdade de Letras e Vila d´Este é remetida para 2022.