O projecto de revisão constitucional do PSD, que tem vindo a permitir aos socialistas dramatizar o discurso das preocupações sociais, deverá ser reduzido, hoje, em Matosinhos, à “trapalhada” reveladora da “desorientação” da liderança social-democrata.
No comício da abertura oficial do ano político, José Sócrates deverá deixar a revisão constitucional como nota de rodapé para classificar o “mau momento do PSD”, como ontem já antecipou à Lusa, o dirigente socialista Vitalino Canas.
O mote do discurso, que não deixará de ter em conta o tom da entrevista de Passos Coelho, será a viabilização do Orçamento de Estado como garante da estabilidade política.
Já ontem, o braço-direito de Sócrates no Governo, Pedro Silva Pereira, numa entrevista ao Diário Económico, garantiu a disponibilidade para “dialogar mesmo antes da entrega do OE na Assembleia da República”. E voltou a “amarrar” o PSD ao compromisso que assumiu com a viabilização do PEC, documento do qual emana o orçamento.
Passos Coelho, que amanhã encerrará a Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, espera ainda para ouvir Sócrates, mas à disponibilidade para o diálogo, repisará as condições que colocou no Pontal. O PSD só viabilizar um OE que contenha a despesa pública e não aumentar a carga fiscal sobre a classe média.