Já quase tudo fora dito há 15 dias, em Mangualde, na pré-rentrée política socialista. Com as mesmas palavras. O PSD de Passos Coelho não vai escapar ao debate da sua proposta de revisão constitucional e pode contar com um Orçamento de Estado (OE) orientado pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que acordou com o Governo.
O aviso de Sócrates deixado em Matosinhos, num comício a que alguém chamou de circo numa janela, foi claro. Apesar das ameaças de crise política do PSD, o Governo vai manter a redução das deduções fiscais na proposta de OE, por imperativo de “justiça”. Porque quem as usa é quem mais pode. E porque foi o que definiu no PEC, com Passos Coelho, e no programa com que foi eleito.
A defesa do Estado social de que o PSD “não gosta” marcou todas as intervenções do final de tarde, em que se ouviu à exaustão a crítica à proposta de revisão constitucional de Passos Coelho. Que, para o PS, é a marca da agenda política do principal partido da oposição e resume-se ao ataque do Estado Social, à destruição de serviços públicos como a saúde e a educação e o regresso ao Estado mínimo. Por muito que o PSD já tenha desvalorizado o projecto, “não fugirá ao debate”.
O primeiro-ministro sabe que vai precisar de consensos para ver aprovado o seu OE de controlo da despesa pública. “Espero que ninguém pretenda, irresponsavelmente, fazer do debate do OE o pretexto para uma crise política”, com “consequências graves” para o país e para os compromissos que assumiu internacionalmente. O PS quer dialogar. E pede à oposição um diálogo “coerente”, “aberto e claro”, “empenhado num acordo” e não conduzido “através da comunicação social”, nem com constantes mudanças de posição.
O facto de o PS ter sido eleito também foi bastas vezes lembrado, tal como a necessidade de ?estabilidade? e ?sentido de convergência, diálogo e compromisso? que a situação económica actual exige. ?O PSD, semana sim semana não, tem ataques de amnésia?, ora, ?o futuro não se constrói com apagões?, tinha resumido o líder da distrital do Porto, Renato Sampaio.
Apenas momentos antes de os geradores apagarem o discurso do líder parlamentar do PS, Francisco Assis, num comício muito concorrido e que terminou com a reafirmação do apoio à candidatura presidencial do regressado Manuel Alegre.