"O primeiro-ministro tem sido um factor de instabilidade e esta discussão entre o PS e o PSD para fazerem um orçamento que aumente os impostos e reduza o emprego, isso é a instabilidade do país", afirmou Francisco Louçã à margem de uma visita à Reserva Natural do Estuário do Tejo, na zona de Alhandra, Vila Franca de Xira.
O líder do BE respondia desta forma ao discurso feito pelo primeiro-ministro no sábado à noite em Matosinhos, no comício de 'rentrée' socialista, no qual José Sócrates deixou vários recados implícitos ao PSD, dizendo que a actual conjuntura "não está para brincadeiras ou ambiguidades" e que os tempos exigem "a defesa da estabilidade e não de constantes ameaças para provocar artificialmente crises políticas".
"Precisamos de estabilidade com confiança, de confiança com responsabilidade, responsabilidade com progresso, progresso com democracia. E é aí que o debate se tem de concentrar, será essa a intervenção do Bloco de Esquerda", acrescentou Francisco Louçã.
O líder bloquista estranhou que PS e PSD "se zanguem tanto em público e façam reuniões em privado" e sublinhou que os dois partidos "já se entenderam para 2010 e 2011 num Programa de Estabilidade e Crescimento" que "prevê o aumento dos impostos, o corte na saúde e na educação e que tem como consequências o aumento do desemprego".
"É olhando para prioridades que o Orçamento deve corrigir os problemas fundamentais do país e é sobre isso que o primeiro-ministro prefere a demagogia em vez de responder com confiança, usando os poucos recursos que temos para corrigir os grandes problemas que estamos a viver", criticou Francisco Louçã.
O deputado ironizou ainda a propósito do objectivo declarado pelo primeiro-ministro de querer defender no Orçamento do Estado o Serviço Nacional de Saúde, que surge em resposta à proposta de revisão constitucional do PSD.
Louçã lembrou que há uma semana atrás a gestão do novo hospital de Braga foi entregue ao grupo Mello Saúde por 30 anos, depois de ao mesmo grupo ter sido retirada a responsabilidade de gerir o Hospital Amadora-Sintra.
É por isto que Francisco Louçã acusa o primeiro-ministro de "estar a abrir as portas" a propostas de revisão constitucional como a que está a ser preparada pelo PSD, que diz ter sido "uma diversão de verão para dizer que a direita mais agressiva quer acabar com a saúde e educação públicas e transformar o país num gigantesco negócio."