Lino Mesquita Machado adiantou, em declarações à Agência Lusa, que as dívidas naquele montante estavam cobertas por créditos a receber, de valor idêntico, que teriam de ser pagos pela ADSE, pelas companhias de seguro e por utentes que deixaram taxas moderadoras por pagar.
"Ao contrário do que se tem dito, o relatório da Inspecção-Geral de Finanças elogia a gestão da administração a que presidi", sublinha, negando que a existência de qualquer “buraco” financeiro.
O gestor público explica que aquando da passagem, em Agosto passado, da gestão do hospital para a empresa “Escala Braga” do grupo Mello Saúde ficou decidido, por contrato entre as partes, que os créditos seriam cobrados pelo novo gestor e entregues ao Estado.
A “Escala Braga” assumiu a gestão do hospital em Agosto no quadro da parceria com o Estado para a construção do novo hospital da cidade, que abre portas em Maio de 2011.
A passagem para os novos gestores não implicou o termo jurídico do “São Marcos” e consequentemente da sua administração, que continua em exercício embora com funções meramente "liquidatárias".
Lino Mesquita Machado diz que o passivo era nulo ou quase e assegura que do montante em dívida foram já pagos 18 ou 19 milhões de euros a fornecedores, 15 milhões dos quais com a verba paga pela “Escala Braga”, que ficou com equipamentos nesse valor.
"Apresentámos um orçamento ao Ministério da Saúde, que vai disponibilizar ainda este ano verbas para continuar a pagar a fornecedores", afirmou, considerando "ridículo" que se fale em dívidas ao padeiro. Em sua opinião, as dívidas a fornecedores devem ficar todas liquidadas o mais tardar no começo de 2011.
"O Estado recebe o dinheiro dos créditos recuperados pelo grupo Mello conforme ficou acordado no contrato da parceria público privada e o ‘São Marcos’ recebe-o do Estado", acentua.
O responsável, que é gestor do Hospital de Barcelos, nega, também, que o alegado “buraco” seja o maior do país, superior, por exemplo, ao do Hospital de São João do Porto. "As nossas contas foram sempre equilibradas nos últimos anos e o passivo nulo", sublinhou.
O assunto foi hoje, segunda-feira, alvo de uma pergunta ao Governo do grupo parlamentar do CDS na Assembleia da República que pede explicações sobre uma alegada "dívida aos fornecedores externos no valor de 35 milhões de euros deixado pelo Hospital de S. Marcos, quando entregou a gestão ao grupo Mello Saúde".
A PJ está a investigar a legalidade de actos praticados pela anterior administração do Hospital de São Marcos de Braga, presidida por Lino Mesquita Machado, nomeadamente a alegada adjudicação de obras sem concurso público.