"Francisco avança, com toda a confiança!". O slogan que vai ouvir-se na campanha foi gritado por centenas de pessoas, quando o candidato, de fato azul escuro e gravata vermelha, entrou ontem, sexta-feira, com passo determinado, na sala do hotel Altis, em Lisboa, a mesma onde, há cinco anos, Jerónimo de Sousa e também Mário Soares se apresentaram como candidatos.
Começou por caracterizar a actual situação do país como "inaceitável" , provocada por uma política "de Direita" e "de classe". A seguir, Francisco Lopes foi directo na crítica a Cavaco Silva, que "prolongou, no exercício do seu cargo na Presidência da República, o papel profundamente negativo que desempenhou enquanto primeiro-ministro".
Um passo à frente do discurso, constantemente interrompido por aplausos, o candidato comunista, voltou a focar-se no adversário da Direita, pela "prática negativa seguida pelo actual presidente da República", denunciando "as elevadas responsabilidades que assume na situação do país".
Caracterizado o inimigo principal, Francisco Lopes distanciou-se dos "posicionamentos ambíguos". Porque "não basta derrotar Cavaco Silva", é necessário, acentuou já na fase de respostas às perguntas dos jornalistas, "criar condições para que, de forma inequívoca, na Presidência da República esteja alguém que incorpore a diferença em relação à política de Direita". Seguida, reforçou, "tanto pelo PSD como pelo PS".
Antes, ao ler a declaração, o comunista já tinha sublinhado que irá "até ao voto" com a candidatura, "patriótica e de Esquerda", que "não tem hesitações, não alimenta equívocos, nem formula juízos ambíguos" sobre o rumo que o país deve seguir.
Desafiado pelos jornalistas a comentar se a sua candidatura é um prenúncio para a liderança futura do PCP, Francisco Lopes garantiu que Jerónimo de Sousa "tem capacidade e determinação" para manter-se nas funções de secretário-geral. "É a solução no presente e no futuro". No final, as mesmas vozes que no início gritaram o slogan de campanha, entoaram o hino nacional.