É desta forma que uma equipa de psicólogos, ligados à infância e mediação familiar, descreve as duas sessões que mantiveram com Esmeralda e com a família do pai. Os relatórios clínicos, que ontem deram entrada no Tribunal de Torres Novas, confirmam a boa relação da menina com o pai e recomendam um acompanhamento psicoterapêutico da criança, para que possa aceitar a futura separação do casal Gomes, que a criou desde os três meses.
Segundo apurou o JN, os técnicos referem que a menina estabelece com o pai, Ilda e Ruben, "um entendimento relacional e afectivo conducente com a sua faixa etária e comum numa família a todos os níveis funcional". Esmeralda "parece ter uma perspectiva positiva" sobre a figura de "um irmão", o Ruben, que "lhe surge como elemento protector". A menor tem "uma relação tranquila, isenta do ruído do conflito actual" com Ruben, esclarecem.
Os clínicos - que observaram a criança, a pedido de Baltazar - referem que a menina "fantasia a família do pai como um núcleo estável e estruturado". O mesmo já não acontece, dizem, com o casal Gomes, onde a mulher Adelina "surge como uma figura de identificação projectiva, de carácter depressivo".
Os médicos referem que Esmeralda "apresenta um comportamento alimentar adequado, evidenciando aumento de apetite" e uma "maior autonomia nos seus cuidados de higiene pessoal". A criança passou a nomear Baltazar, "de modo expontâneo por pai e às vezes, nomeia Ilda por mãe Ilda", acrescentam.
No relatório, é ainda sugerido um acompanhamento psicoterapêutico para pai e filha. A equipa defendeu a realização de "encontros ocasionais, sob a supervisão de um técnico", com o casal Gomes, caso se venha a verificar a separação.