Dois arguidos da "Noite Branca" descartam responsabilidades em tiroteio

 | 12/12/2009
Dois acusados de envolvimento no homicídio do segurança Ilídio Correia, no Porto, surpreenderam, ontem, o tribunal, ao confessarem que estiveram no local do crime. Mas negaram participação no tiroteio e recusaram identificar os autores.
 

"Estive lá, sim senhor. Presenciei tudo, mas não estava armado. Não tenho mais nada a declarar". Foi assim que Mauro Santos, um dos principais arguidos do processo "Noite Branca", descreveu perante os juízes a sua intervenção nos factos ocorridos em Novembro de 2007, na Rua de Miragaia. Momentos antes, Fernando Martins ("Beckham") também tinha admitido ter estado no local do incidente, mas descartou responsabilidades, garantindo que se limitou a "ficar no carro".

Questionado pela juíza-presidente sobre os motivos que o levaram a Miragaia, Mauro acrescentaria que a sua intenção era "ver se os irmãos (Correia) estavam lá, para, se fosse preciso, andar à pancada com eles, um a um". O jovem referiu que o conflito se devia ao facto de, dias antes, ter sido agredido, na zona da Alfândega, Porto, por Ilídio Correia e por um irmão.

Voltando à noite fatídica, afirmou que, após assistir aos disparos, foi para casa da companheira. Ao ser confrontado com o facto de não ter ido denunciar o caso às autoridades, respondeu: "Não me vou meter num caldo que não é meu. Quando levei oito tiros (junto ao River Caffe), também ninguém fez nada", continuou. Perante a insistência da magistrada para especificar as "outras pessoas" envolvidas no tiroteio - a acusação do Ministério Público sustenta que são Bruno "Pidá", Fernando "Beckham", Ângelo "Tiné" e Fábio "Suca" - Mauro reiterou: "Estou aqui para responder por mim". Mais à frente, contudo, confirmou que se tinha deslocado à Rua de Miragaia numa segunda viatura, que não a que é apontada pela acusação, na companhia de "Beckham". E acabaria por desvendar que, naquele local, contando com ele, estariam "sete pessoas".

Fernando "Beckham" também tinha dito que a intenção da ida a Miragaia era "andar à porrada" com os irmãos Correia. "Quando cheguei lá, ouvi os disparos e não saí do carro", alegou. Quanto a um incidente anterior, no túnel da Ribeira, disse que, quando se apercebeu de tiros, refugiou-se em casa, sem ver quem tinha disparado. Na sequência das perguntas da juíza, o advogado do arguido, Carlos Macanjo, aconselhou-o a terminar o depoimento.

Ângelo Ferreira ( "Tiné"), outros dos réus que decidiram prestar declarações ontem, jurou inocência. "Jamais iria tirar a vida a uma pessoa que não conhecia. Não tinha nenhum motivo", sublinhou. Relativamente ao facto de haver testemunhas que o identificaram como um dos intervenientes do tiroteio mortal, referiu que "a única explicação" que encontra é que tenha sido "confundido" com alguém. Ângelo frisou que até foi em tempos amigo de dois irmãos de Ilídio e que nunca frequentou a "noite do Porto".

As alegações finais estavam previstas para ontem, mas acabaram por ser agendadas para a próxima sexta-feira, dia 18.

 
 
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