Mark Harrison foi chamado ao Algarve pelos investigadores portugueses em meados de Julho e, de acordo com o seu relatório, tinha apenas de considerar, na sua investigação, a possibilidade de Maddie "ter sido assassinada e de o seu corpo ter sido ocultado nas áreas que foram alvo de busca pela Polícia e que se localizam junto à Praia da Luz.
O pedido de auxílio surgiu a 20 de Julho e, durante dias, Mark Harrison realizou reconhecimentos, deambulou a pé por várias áreas da Praia da Luz, de noite e de dia, consultou vários colegas e peritos e andou de helicóptero.
Ao longo de 13 páginas, o perito inglês vai aconselhando a utilização dos cães que detectam odor a cadáver e sangue, nomeadamente no apartamento usado pelos McCann e na casa de Robert Murat. Perante a possibilidade da menina ter sido enterrada naquela área, depois de morta, Mark chega mesmo a sugerir que os investigadores consultem um antropologista forense, bem como uma investigação cuidadosa sobre os predadores necrófagos naturais da área.
O relatório, tornado agora público, dá conta da alteração do rumo da linha de investigação do desaparecimento de Madeleine. "Começam-se agora a considerar outras oportunidades de novas buscas a locais tendo em vista a possibilidade desta (Maddie) ter sido assassinada e escondida nas proximidades", refere Mark Harrison, frisando que esta "seria a resposta proporcional e apropriada tendo em conta o período de tempo decorrido desde o seu desaparecimento e experiências anteriores em casos semelhantes".
Este documento, aceite pelo Ministério Público de Portimão, permitiu a vinda a Portugal, e durante duas semanas, dos canídeos que detectam odor a cadáver (Eddie) e de detecção de sangue (Keela). Apesar dos pedidos dos investigadores, o MP acabaria por não considerar útil que estes animais realizassem perícias em casa dos McCann, em Inglaterra e na habitação de alguns dos amigos que estiveram de férias na Praia da Luz.