Os dois suspeitos, residentes em S. João de Ponte, Guimarães, e com idades entre os 30 e os 40 anos, apresentaram-se como agentes da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), na Mercearia Guedes, na freguesia de Rego, cerca das 10.30 horas.
"Eles sabiam do que falavam, dos produtos que não podiam estar juntos. Iam escrevendo e depois disseram que davam até Março para por tudo em ordem, mas que tinha de dar 150 euros pela sua deslocação", conta Rosa Araújo, 56 anos, proprietária da mercearia, que acreditou nos burlões.
"Na semana passada estiveram cá dois fiscais de Braga e pensei que era a mesma coisa". Os dois homens pediram os 150 euros à proprietária da mercearia, mas na altura de entregarem o recibo saíram da loja.
Dali, os dois falsos inspectores seguiram para o café, na porta ao lado e pertencente aos mesmos proprietários. "Estavam a contar a mesma história, mas eu fui lá para pedir o recibo dos 150 euros. Eles ficaram atrapalhados e disseram que tinham de ir ao carro. Foi quando fugiram. O meu homem pensou que me tinham raptado e foi, com um colega, atrás deles", diz Rosa Araújo.
A perseguição foi feita a grande velocidade, por estradas secundárias, até Fafe, num total de cerca dez quilómetros. Foi já na circular externa de Fafe, junto à rotunda dos bombeiros, que os dois indivíduos foram imobilizados. O carro em que seguiam - um Citröen C3 alugado - foi alvejado pelos perseguidores com tiros de caçadeira. O pneu traseiro do lado esquerdo foi atingido e rebentou, apresentando as marcas dos projécteis na jante. O pára-choques também foi atingido. A viatura estava também amolgada nos painéis laterais e nos espelhos retrovisores, sinal de que terá havido outros choques pelo caminho.