"Os resultados expressam sobretudo uma vontade de mudança, quer por parte do povo grego, que por parte do povo francês, e sobretudo uma condenação muito forte das forças políticas, independentemente da sua natureza ideológica, que têm defendido, assumido e executado as políticas da União Europeia de exploração dos trabalhadores e dos povos e de ataque à soberania dos próprios estados", afirmou Ângelo Alves, da Comissão Política do PCP.
Os comunistas portugueses consideram que este é o "traço mais marcante" das presidenciais francesas e das legislativas gregas de hoje, mas sublinham que "uma coisa é a vontade expressa" pelos eleitores e outra é "a incidência real e as mudanças políticas reais que vão acontecer" em França, na Grécia e também na Europa em geral.
"Em relação a França, [o socialista] François Hollande oscilou entre um discurso em que se tentou demarcar de uma política que o seu partido, e a família europeia a que pertence, defendeu e tem vindo a executar em outros países, e o chamado discurso da responsabilidade europeia, em que foi muito claro que nada seria posto em causa, nomeadamente, o tratado orçamental", explicou Ângelo Alves, em declarações à Lusa.
O dirigente do PCP destaca que, "aliás, uma das propostas mais emblemáticas de François Hollande pode resumir-se" desta forma: "Colou ou quer colar um autocolante que tem as palavras crescimento e emprego em cima de um tratado que impede esse mesmo crescimento e a criação de emprego, como está bem evidente na espiral recessiva e de austeridade que vive neste momento a Europa".
Quanto à Grécia, acrescentou, apesar da "forte condenação aos dois partidos do sistema", a questão é que "o próprio sistema eleitoral, com o bónus de 50 deputados ao partido mais votado, poderá vir a possibilitar um acordo entre a Nova Democracia e o PASOK".