Em entrevista ao Porto Canal no programa "Polo Norte", que é transmitido esta sexta-feira às 23 horas, Fernando Gomes garante que quando, em 1999, saiu da Câmara do Porto para Lisboa - foi nomeado ministro-adjunto e da Administração Interna do Governo socialista de António Guterres - "a ideia não era abandonar o Porto" mas sim conquistar "força política no interior da máquina do Estado e do PS" para o Porto.
"Conseguir para o Porto aquilo que até aqui se consegue só com muita luta, com muita guerra, muita agressividade, com um discurso desgastante que é o Porto contra Lisboa", disse, assumindo que "nunca soube explicar isso".
Fernando Gomes, que nas eleições de 2001 se recandidatou à Câmara do Porto e foi derrotado por Rui Rio, foi perentório: "Nunca assumi perante a cidade um pedido de desculpas por ter errado no caminho que tracei. Eu errei, foi erro daqueles que as pessoas têm na vida. Não devia ter feito isso daquela forma. Quando muito acabava o mandato, não me recandidatava. Agora sair antes do final do mandato...".
"A ideia era deixar espaço para quem cá estava, mostrar que afinal as coisas não corriam mal no Porto e, entretanto, ter criado em Lisboa, junto do poder, um espaço para poder ajudar também o Porto, complementar quem estava na liderança do Porto através de Lisboa. E isso saiu errado. O que eu nunca assumi foi a humildade de ter chegado ao Porto e dizer: eu errei", sustentou.
Mandatário de Guilherme Pinto nas eleições para a distrital do PS/Porto de dia 16 de junho, o socialista foi questionado sobre um eventual regresso à vida política, especificamente na Câmara do Porto, tendo respondido que na sua idade "já não há carreiras políticas": Ou "se está nela ou sai-se dela, nunca se entra", disse, sendo categórico a dizer que não é candidato.