"O estado da Nação está bastante pior do que há um ano. Isso resulta de um erro de diagnóstico e de um erro de política por parte deste Governo, que ao longo deste ano teve uma obsessão total pela austeridade e pelo empobrecimento do país", afirmou à Lusa o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, antecipando o debate de quarta-feira no Parlamento, em que se estreia Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro.
Para Zorrinho, "aquilo que é trágico é que um ano depois o país está, de facto, mais pobre, tem menos capital social, tem menos capital empresarial, a austeridade foi aplicada, mas ainda assim as contas públicas não foram consolidadas", disse, reiterando a necessidade de "alargamento do prazo para a meta do défice".
"É verdade que os portugueses, em geral, têm manifestado um estado de espírito de compreensão e disponibilidade para serem aliados de um processo de recuperação do país, mas a verdade é que um ano sem resultados - e o estado da Nação é o estado dos portugueses - faz com que os portugueses mais pobres e com menos oportunidades estejam com um estado de espírito menos disponível para continuar este caminho", considera.
O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, também considera que "a base eleitoral que elegeu esta maioria não tem hoje, numa grande parte, nenhuma identificação com a política que está a ser seguida", apontando o "visível estado de nervosismo, atrapalhação e mesmo de divergências internas" da maioria, "resultado de uma contestação generalizada às medidas do Governo".
"A situação do país é muito mais grave do que há um ano atrás, essa situação deve-se à aplicação de medidas altamente recessivas e antissociais e para sair desta situação é preciso inverter a política e não apenas fazer alguns ajustes", afirmou, sublinhando que "não adianta ter mais tempo se o rumo for o mesmo".