Passos Coelho não altera a rota traçada

 | 13.09.2012 - 20:41
"As medidas são necessárias para que Portugal possa cumprir o seu programa". Ainda não tinham passado dez minutos e já se percebia que o entrevistado confirmaria por inteiro o novo pacote de austeridade apresentado aos portugueses.
 
Paulo Spranger/Global Imagens
Passos Coelho em entrevista à RTP

Subsiste, admitiu Passos Coelho, a possibilidade de diferenciar as taxas para a Segurança Social, discriminando positivamente salários mais baixos, mas nada mais do que isso. A não ser a convicção de que a diminuição dos custos do trabalho, via redução da TSU, levará as empresas a baixar os preços dos produtos. Expressa no desafio a Belmiro de Azevedo para que o faça sem "esmagar" os produtores, e na promessa de que, nas empresas da órbita do Estado, o Governo tomará a iniciativa.

Deste ponto de vista, a entrevista televisiva revelou poucos dados novos. Passos foi vago sobre a estratégia que adotará para atingir a meta de 5% de défice orçamental já este ano e deixou um ou outro sinal de esperança, como a garantia de que a retirada de subsídios à Função Pública e aos reformados vigorará durante o período de assistência externa, até 2014.

Firme nas suas apostas, Passos Coelho apresenta um certo distanciamento em relação aos efeitos das medidas na vida dos cidadãos. Como sempre, a sua preocupação primeira é externa: "Somos olhados pelos mercados como um país que cumpre as suas obrigações e não se desculpa".

Por outro lado, o chefe do Governo quis mostrar quem manda. Num momento em que crescem as dúvidas sobre a fidelidade à coligação do CDS - que se afirmou indisponível para aceitar aumentos de impostos - deixou bem claro que Paulo Portas acompanhou todo o processo de preparação destas medidas. "É presidente do CDS e ministro de Estado", sublinhou, assim condicionando fortemente a margem de manobra dos centristas, que amanhã reúnem os órgãos nacionais.

O primeiro-ministro reconheceu que no PSD e no CDS "não há conforto com a situação que o país vive e as medidas que é necessário adotar". Porém, entregou-se a um exercício de autoridade perante a bancada da Maioria.

Comentando indiretamente as declarações de Manuela Ferreira Leite, que exortou os deputados a votarem o Orçamento de acordo com a sua consciência, proclamou que se não o aprovassem seria "uma tragédia para o país".

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