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Três acidentes mortais desde que abriu a caça

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GLÓRIA LOPES
 

Federações de caçadores denunciam desrespeito e desleixo no manuseamento das armas.

Desde Junho, registaram-se três mortes em acidentes na caça, a última das quais no fim-de-semana. "Todos fruto de desatenção ou manuseamento sem segurança das armas", lamentou Jacinto Amaro, da FENCAÇA.

O número de acidentes na caça está a aumentar, apesar de os caçadores estarem a diminuir. Em duas décadas, 2009 é o ano em que menos caçadores renovaram as suas licenças: são menos 20 mil do que em 2008. O saldo destes quatro meses é trágico, mais fatídico do que pelo menos nos últimos anos, admitiu Jacinto Amaro, que não nega que "acidentes acontecem todos os anos, mas os mortais são mais raros".

O primeiro acidente com uma vítima mortal aconteceu em Junho, na Chamusca. Durante uma batida ao javali, os caçadores entraram num campo de milho, um deles acabou por disparar acidentalmente sobre um colega. O segundo ocorreu em Abrantes, em Agosto, durante o período de caça à rola, em que um pai disparou sem intenção sobre o filho de 15 anos, quando este foi apanhar uma rola que acabara de tombar. A terceira morte aconteceu no passado domingo, em Bragança. Um militar da GNR morreu com um disparo inadvertido da própria arma (ver caixa). Aliás, o primeiro dia de caça ao coelho, lebre e perdiz (regime geral) teve um saldo muito negativo, com registo de mais dois acidentes, ambos no distrito de Santarém: um em Abrantes e outro em Casais da Aroeira, que resultaram em dois feridos com disparos acidentais.

Todos eles resultaram do "desrespeito e desleixo perante as normas de segurança e de manuseamento das armas", lamentou Jacinto Amaro, da Federação Nacional de Caçadores Portugueses (FENCAÇA), que se manifestou perplexo perante a morte do militar da GNR em Bragança. Eduardo Biscaia, da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP), reforça a ideia de que é necessário ter em conta as normas de segurança no manuseamento e no transporte das armas, nomeadamente o uso de cadeado de segurança, obrigatório pela nova lei da caça. "É uma norma essencial, muito bem aplicada", explicou. Jacinto Amaro acusou a GNR de não estar capacitada para dar formação aos caçadores.

 
 

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