Correios levam Pai Natal a casa de 600 crianças

 | 18.12.2009 - 00:30
Campanha termina na segunda-feira. Qualquer pessoa pode satisfazer os pedidos vindos de 17 instituições.
 

A Inês tem oito anos e cinco irmãos. Um pai doente e uma mãe que todos os dias luta para lhes "dar coisas". Só que, às vezes, o dinheiro não chega. A Inês escreveu ao Pai Natal. Se alguém quiser, ele vai ajudá-la - a ela e a 600 crianças.

A ser verdade que o Natal é quando o homem quiser, o Pai-Natal pode ser quem desejar sê-lo. Não é este o lema dos CTT, mas podia muito bem ser. A campanha "Pai Natal solidário", lançada pelos Correios de Portugal este mês, termina já na próxima segunda-feira, dia 21. A proposta é muito simples: uma criança partilha um desejo com o Pai Natal, os CTT recebem o pedido, e qualquer pessoa pode ir a uma estação cumprir aquele sonho. Parece pouco, mas é muito, e faz toda a diferença [ver ficha].

Os remetentes são crianças até aos 10 anos, desfavorecidas ou em risco social. A adesão dos portugueses à iniciativa "foi muito boa", afirmou ao JN João Filipe Barbosa, do gabinete de comunicação dos Correios, "mas ainda há 120 pedidos por satisfazer". Em três dias. Pode ser difícil restituir a saúde ao pai da Inês, mas as "minijóias da Hannah Montana", estrela pop da Disney, ou "a boneca que chora", que ela pediu para a Beatriz, a irmã de dois anos, também doente, estarão seguramente ao alcance de muitos bolsos.

Como alguma coisa pode, apesar de tudo, correr menos bem, na Acreditar, Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro - umas das 17 instituições contempladas por esta iniciativa - os monitores optaram por explicar "que, às vezes, o Pai Natal pode não conseguir encontrar o que eles pediram". A instituição tentará depois colmatar as falhas. Mas, independentemente disso, há uma lição que fica, e que Margarida Cruz, da Acreditar, resume em quatro verbos certeiros: desejar, escrever, desenhar, esperar. Sendo este último talvez o mais importante. "As crianças já não estão habituadas a esperar. Instalou-se a cultura do imediato, querem tudo depressa. Escrever sobre um desejo, enviá-lo por correio e esperar para ver se ele é concedido é uma aprendizagem muito importante".

Na Fundação Bonfim, em Braga, residência de 160 crianças e jovens que por alguma razão foram excluídas da sociedade, o espírito é o mesmo. "Temos muitas crianças entre os três e os cinco anos. É óbvio que a maioria ainda acredita, de alguma forma, no Pai Natal", admite Carla Pego, da direcção técnica da instituição, para justificar que a campanha dos CTT "é muito positiva", mas que o imaginário não foi beliscado. Ali, é mesmo o Pai Natal, essa figura lendária que povoa a imaginação das crianças, que irá satisfazer-lhes os desejos. Pelo menos, é essa a expectativa. "Sabemos que só algumas cartas serão seleccionadas, não sabemos se todos os pedidos serão atendidos".

Os CTT acreditam que vão ser. De resto, as instituições não foram escolhidas aleatoriamente. "Escolhemos 17, e sabemos que em todas vivem crianças que realmente são necessitadas ou em emergência social", sublinha João Filipe Barbosa. Poderá questionar-se se um brinquedo é um bem essencial. Talvez não seja. Mas é o mínimo que pode oferecer-se a quem precisa de outras coisas que não há sequer à venda nas lojas. Quem acredita no Pai Natal?

 
 
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