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Esgotamento físico e mental que impede qualquer actividade

Esgotamento físico e mental que impede qualquer actividade

"Burnout"- cérebro queimado numa tradução livre do inglês - é o nome dado a uma forma muito grave de esgotamento mental e físico, que impede a pessoa de trabalhar, de conviver, de ter uma vida normal. Para os neuropsicólogos a doença surge devido a excesso de stresse intelectual e emocional, e a recuperação demora cerca de um a dois anos, mas as sequelas mantêm-se por muitos mais.

A justificação avançada pelos especialistas para esta nova doença "é o progresso tecnológico e a globalização, da sociedade industrializada". O neuropsicólogo Nelson Lima, sublinha que o "cérebro humano nunca foi tão solicitado a dar o seu melhor como nos tempos actuais".

O "burnout" explica o neuropsicólogo, resulta de stresse ocupacional extremo "e apresenta três sintomas diferentes, a exaustão emocional, despersonalização e ausência de realização pessoal". As pessoas apresentam, entre outras queixas, a falta de energia, fadiga crónica, tensão, irritabilidade, falta de concentração, problemas de sono, sentimentos depressivos.

A variedade de sintomas pode dar origem a diferentes diagnósticos, que não levam à cura. "Cai-se muitas vezes na tentação de diagnosticar depressão, ou excesso de stress e as pessoas são medicadas de acordo com essas orientações, quando o "burnout" implica várias especialidades", salientou Nelson Lima.

Por outro lado, acrescentou, "não se trata de um fenómeno raro. Estima-se que 10 a 40% da população laboral apresente sintomas de "burnout". As actividades que provocam mais ansiedade e tensão são as que podem causar mais casos da doença, entre elas a classe médica".

Etapas

A doença surge gradualmente e por etapas. "Numa primeira fase as queixas são relativas a insatisfação no trabalho, falta de motivação, a pessoa sente-se desmoralizada, e cansada".

Numa segunda fase os sintomas aumentam e "o doente tende a refugiar-se nos seus problemas". A terceira vai potenciar todos os sintomas de mal estar.

Numa quarta etapa "o paciente está de tal forma esgotado que não consegue sequer sair da cama. Desliga-se do mundo, perde a noção de futuro".

O tratamento é moroso e implica a utilização de fármacos, para combater os sintomas psicológicos e também os do corpo "porque a imunidade a doenças foi também reduzida", a utilização de fontes de desintoxicação corporal, como "uma alimentação saudável, descanso absoluto, e terapias energéticas, além de um acompanhamento de psicoterapia", referiu Nelson Lima. A única forma de prevenir esta doença, afirma o neuropsicólogo, "é evitar o stresse, desligar da vida profissional, viver um dia de cada vez e alimentar-se correctamente".

"Trata-se de um problema de excesso de estimulação, tensão, cansaço com que sobrecarregamos o nosso cérebro", alerta, defendendo a criação de "campanhas nacionais de prevenção contra a fadiga intelectual, que chegue às escolas e aos locais de trabalho".

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