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A pujança dos Deftones na despedida do Super Bock Super Rock

A pujança dos Deftones na despedida do Super Bock Super Rock

No último dia de Super Bock Super Rock, os Deftones puseram o público a fazer "mosh", Fatboy Slim transformou o Meo Arena numa pista de dança. O festival regressa em 2018, nos dias 19, 20 e 21 de julho.

A dividir as atenções no último dia de Super Bock Super Rock, duas propostas completamente distintas para públicos diferentes: Deftones e Fatboy Slim.

Os Deftones foram os primeiros a subir ao palco, às 22 horas, e trouxeram um alinhamento desenhado a régua e esquadro para agradar aos fãs. Do último disco, "Gore" (2016), apenas se ouviu "Phantom bride", o resto foi quase tudo recuperado dos discos dos anos 90 e 2000, para gáudio dos fãs - os que acompanharam a banda nessas décadas e os que, mais tarde, embarcaram numa viagem aos temas mais emblemáticos do grupo.

"Já passou muito tempo desde que estivemos cá", atirou Chino Moreno, o vocalista, referindo-se aos sete anos em que a banda esteve ausente dos palcos portugueses. E este regresso fez-se com sabor a reencontro e com quilowatts de potência a emanarem do palco e das cordas vocais de Chino Moreno. O vocalista mantém o vigor adolescente com que grita cada letra e atravessa o palco, fazendo esquecer que tem 43 anos e não os vinte e poucos que tinha na altura de "Around the fur" (1997) e de "White pony" (2000).

Destes dois discos saíram "My own summer (shove it)", "Change (In the house of flies)" ou "Knife prty", esta última com Moreno a abandonar ao palco e deixar-se engolir pela multidão, de mãos no ar, ansiosa por tê-lo ali tão perto. Como ainda não se tinha vislumbrado nesta edição do festival, houve gente a amontoar-se em "mosh" e corpos a tentar navegar em "crowd surfing", prontamente travado pelos seguranças, sempre muito atentos aos estados de alma das primeiras filas. E foi aí que esteve a celebração, febril, de uma banda que terá marcado muitas adolescências e que, aqui, deixou mais um par de boas recordações.

A fechar a noite, Fatboy Slim deu festa rija à multidão. Ao comando da mesa de mistura, envolveu a turba com jogos de luzes, remisturas de canções reconhecíveis passados três segundos e ecrãs gigantes em que se sucediam imagens hipnóticas, sequências de filmes ou a própria face do DJ em modo "party people". Os braços andaram pelo ar e os pés colados ao chão, pegajoso e a denunciar final de noite.

A eletricidade dos Stone Dead

A primeira bofetada de rock'n'roll do dia aconteceu com a avalanche dos Stone Dead, turma de Alcobaça que aterrou no Parque das Nações ao pôr-do-sol e despejou uma cacetada elétrica sem espinhas nem rodriguinhos e a acotovelar o que estivesse à frente, num bombardeamento de vozes partilhadas entre guitarrista e baterista.

Minutos depois, já noutro palco, Tom Barman - o piloto dos belgas dEUS - aproveitou para apresentar a arte dos Taxiwars, laboratório que cruza dinâmica rock com detonações jazzísticas de saxofone endemoninhado. Em simultâneo, no lado oposto, junto às escadas exteriores da Meo Arena, acontecia um dos melhores momentos de todo o festival: os Black Bombaim acendiam um rastilho de torvelinhos psicadélicos com instrumentais em centrifugação que hipnotizavam o público.

Nesta 23.ª edição do festival, a terceira a realiza-se no Parque das Nações, passaram pelo recinto 56 mil pessoas e nomes como Red Hot Chili Peppers, Future, London Grammar, Língua Franca ou The Legendary Tigerman.

Em 2018, o festival está de regresso nos dias 19, 20 e 21 de julho e Slow J é o primeiro nome confirmado no palco principal.

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