Cultura

Arquiteto Souto Moura já tem duas torres projetadas para a China

Arquiteto Souto Moura já tem duas torres projetadas para a China

O arquiteto português Eduardo Souto Moura já projetou duas torres de 120 metros para Zhengzhou, no centro da China, e quer agora "explorar" as oportunidades que o Oriente está a proporcionar ao seu setor.

"Claro que estou interessado em explorar os mercados orientais. Atualmente, não há outras opções", disse Souto Moura numa entrevista à revista chinesa de design e arquitetura Casa International, cuja próxima edição será inteiramente dedicada a Portugal.

Trata-se de uma edição bilingue (chinês e inglês) e sairá em Pequim no dia 30 de novembro, com um apelo do embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares.

"Convido os visitantes chineses a ir a Portugal e ver com os seus próprios olhos os maravilhosos edifícios que temos em cidades como Lisboa e Porto", escreveu o diplomata.

A edição, com 208 páginas, foi concebida e realizada ao longo de um ano por Emanuel Barbosa, professor de design em Portugal e diretor criativo da Casa International.

"Será uma apresentação da criatividade portuguesa e vai ser muito importante para a imagem de Portugal, como um país contemporâneo e que tem coisas muito boas nesta área", disse Emanuel Barbosa

Segundo também salientou, "não é uma edição para especialistas: é para o público que gosta de design e de arquitetura".

Para a revista, que começou a publicar-se em 2003, a edição dedicada a Portugal é também uma estreia.

"É a primeira vez que recorremos a um designer para um número que destaca o seu próprio país e o resultado é realmente encorajador (...) A partir de agora, não há duvida que 'Desenhado em Portugal' significa 'Desenhado com Qualidade'", assinalou o diretor da Casa International, Chen Yuanzheng.

Além de Souto Moura, a revista evoca e mostra obras de Siza Vieira e de criadores de gerações mais novas, entre os quais Joana Rego, Fernando Guerra, Dino dos Santos, Fernando Brísio e Ana Santos.

As referidas torres de Souto Moura foram projetadas para uma nova urbanização de Zhengzhou, a capital da província de Henan, uma das mais populosas da China, a convite do arquiteto japonês Isozaki.

Na entrevista à Casa International, o arquiteto português conta que, depois de aceitar aquele projeto, há quase dois anos, começou a estudar a arquitetura chinesa, mas "uma das influências" acabou por ser uma torre budista indiana.

"No Ocidente tudo é preto ou branco, bom ou mau, belo ou feio, verdadeiro ou falso. Na linguagem chinesa, penso que as coisas não são tão rigorosas como as linguagens ocidentais, e que há mais variações subtis", diz Souto Moura.

Como Siza Vieira, Eduardo Souto Moura já foi distinguido com o Prémio Pritzker, o Nobel da arquitetura, em 2011.

Este ano, pela primeira vez, o prémio foi atribuído a um arquiteto chinês, Wang Shu.

Dezenas de ateliers internacionais de arquitetura, entre os quais um português (Saraiva & Associados), estabeleceram-se na última década na China, tentando aproveitar as oportunidades oferecidas por uma economia em rápido crescimento.

Alguns dos novos ícones de Pequim, como o terminal 3 do aeroporto, o estádio olímpico, o Teatro Nacional ou a sede da CCTV (Televisão Central da China), foram desenhados por arquitetos ocidentais.

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