Postcrossing

E você, ainda não recebeu um postal?

E você, ainda não recebeu um postal?

Há quanto tempo não recebe um postal na sua caixa de correio? Foi esta pergunta que Paulo Magalhães, um engenheiro informático natural de Oliveira de Azeméis, fez em julho de 2005. No momento em que este texto foi escrito, cerca de 444 mil postais estavam a viajar pelo mundo.

Foi uma brincadeira de amigos que fez nascer o "Postcrossing". Decidido a que a sua caixa de correio não fosse só habitada por correspondência institucional, faturas ou publicidade, Paulo Magalhães usou o seu tempo livre para criar um site que permitisse a mais pessoas partilhar o gosto pela troca de correspondência. A ideia agradou a Ana Campos que se juntou e batizou o projeto.

O "Postcrossing" nasceu a 14 de julho de 2005. Começou por ser "uma pequena ideia" e sem o objetivo de alcançar o sucesso que hoje tem. Feitas as contas, a distância percorrida pelos postais que já se trocaram no "Postcrossing" é equivalente a 523 voltas ao sol.

Em dez anos já foram trocados cerca de 30 milhões de postais por todos os cantos do mundo. Alemanha, Rússia e EUA estão no top dos países que mais postais enviam. Em Portugal, existem mais de cinco mil utilizadores, que ficaram a conhecer o projeto principalmente através do "passa-a-palavra".

E como funciona?

A participação no "Postcrossing" é grátis e qualquer um pode registar-se no site. Para entrar nesta "aventura" é necessário criar um perfil e registar a morada. Depois, solicitamos uma morada aleatória para a qual o postal será enviado, juntamente com a mensagem pretendida. Além de enviar o postal, o utilizador fica apto a receber um postal enviado por outra morada aleatória gerada no site. No máximo, o utilizador pode mandar cinco postais de cada vez e quantos mais mandar, mais recebe.

"A forma aleatória de como as ligações são feitas no 'Postcrossing' permitem contactos com pessoas que, de outra forma, provavelmente nunca aconteceriam", afirma, ao JN, Paulo Magalhães. O perfil do utilizador é variado: países diferentes, idades distintas, profissões e crenças distintas.

"Descobri o "Postcrossing" há dois anos e seis meses quando ainda estava no Secundário", conta Joana Abreu. A estudante de Ciências da Comunicação, do Porto, encontrou o "Postcrossing" numa pesquisa na Internet a propósito de um trabalho escolar.

Joana Abreu encara o "Postcrossing" como "uma forma diferente de comunicar", mas alerta que "é necessária muita dedicação" para participar no projeto: "Uma coisa é enviar um email, outra é enviar um postal e esperar que ele chegue e ainda que te mandem outro de volta", explica.

A estudante do Porto teve mesmo a sorte de receber o postal "30 milhões" e foi premiada por isso. O postal que recebeu de Nova Iorque, com o Empire State Building, acabou por tornar-se no seu preferido.

"É viciante e é muito difícil alguém fartar-se. E o custo vale sempre a pena porque viajamos pelo mundo através dos postais", resume Joana Abreu.

Já o fundador Paulo Magalhães diz que "os postais estão bem de saúde" e espera que nos próximos anos esta "pequena revolução dos postais continue a crescer e que chegue a mais pessoas e a mais países".

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