Cultura

Rapazes nus vão cantar no Casino Estoril

Rapazes nus vão cantar no Casino Estoril

Cantam, dançam e representam... sem roupa. A comédia "Rapazes nus a cantar" é reposta no auditório do Casino Estoril, Cascais, em maio, pela mão de Henrique Feist.

A ideia de produzir, em Portugal, este musical americano de Robert Schrock, que já leva 16 anos de existência, foi de Henrique Feist, diretor-geral do projeto e responsável pela tradução e adaptação. Agora, decidiu repor este mesmo espetáculo, acentuado-lhe o lado musical.

"Penso que o facto de se falarem de situações com que um ser humano se confronta no dia-a-dia mantém o texto muito atual. Por isso, praticamente, não fiz grandes alterações à versão inicial. Mesmo ao nível da cenografia poucas serão as mudanças. Gosto do frio da estrutura de ferro que remete para uma garagem ou um armazém e que não alude a nada em particular".

Henrique Feist conta que viu pela primeira vez o espetáculo, em DVD, quando não resistiu à curiosidade de descobrir o que se escondia atrás de um título destes.

Foi no renovado auditório do Casino Estoril, que uma dezena de jovens rapazes candidatos a integrarem o próximo elenco do musical se apresentaram com o objetivo de seremos escolhidos para o próximo elenco. Sim. Haverá homens sem roupa em palco mas, não obstante isso, este não é um espetáculo pornográfico como garante o diretor geral, Henrique Feist que conta com o contributo do irmão Nuno, que assegura a direção musical. "São quinze quadros diferentes com quinze histórias sobre a nudez masculina. Cada música é uma história", explicou.

Os candidatos a atores juntaram-se para o casting que exigia que cantassem duas músicas à escolha. Partituras na mão, passos de dança, exercícios vocais, uma certa dose de nervosismo antecedeu a prestação individual. Henrique Feist lembrou-os que "este é um musical acústico, logo depende da projeção da voz". E lembrou que, não obstante a componente gay, as cenas retratadas em palco são comuns à comunidade heterossexual.

Foi precisamente esta vertente que que levou J. P. Ferreira a comparecer para prestar provas. "Este é um espetáculo muito exigente. Obriga a que sejamos atores, cantores e bailarinos. É uma grande aprendizagem ". O jovem, que adiantou ao JN já ter entrado em outros musicais, nomeadamente o da "Branca de neve no gelo", que esteve em cena no Porto, considerou que o facto da nudez que é exigida "um grande desafio".

Também Marcelo Rodrigues, que cursou artes, sobretudo na área do cinema, em escolas de Lisboa e de Londres, respondeu ao "casting", pelo desafio que este representa. "Eu nunca fiz musicais. Muito menos representei nu. Decidi responder desafiando os meus próprios limites".

"Há o choque inicial do nu, porque não estamos habituados", reconhece o diretor artístico, "mas depois encontra-se um espetáculo com uma grande qualidade artística." E sublinha: "O espetáculo não tem pretensão de ser mais do que é, puro entretenimento. Espero que as pessoas, além de terem motivos para se rirem com o que lá em dito, ao saírem, levem muito mais do que o facto de terem visto rapazes nus."

E, para justificar este ponto de vista nada como recordar excertos do tema de abertura do espetáculo em que os oito protagonistas cantam "aqui as inibições libertamos, aqui emoções e olhares despertamos, aqui nós vamos poder arriscar, aqui bem certo é a roupa tirar, e do início até ao fim vai ser sempre assim". E depois, com o característico humor judeu, o espetáculo prossegue com a história do empregado a dias que faz mais do que se lhe pede, uma outra de um ator porno da Coina, Margem Sul. E, pelo meio, fala-se da circuncisão e da obsessão judaica com o prepúcio.

A versão portuguesa estreada em 2009, que teve em palco oito rapazes, foi galardoada com o Prémio Arco-Íris da associação ILGA Portugal.

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