Como sempre, a coberto da santimonisidade que nem todos lhe reconhecem, o presidente desta república inverosimelmente laica, fez um apelo aos Portugueses descontentes com a desgovernança dos políticos de incubadora, para votarem no passado dia 5 de Junho. Responsabilizou todos os que decidiram não dar o seu voto aos partidos que sempre os defraudou, dizendo que quem não vota, não tem o direito de criticar as políticas a as acções dos que governam. Da minha parte, não considerei as palavras do presidente um apelo. Vi naquele discurso uma intromissão à minha liberdade e aos meus direitos mais elementares, e por isso sinto o dever, tal como uma obrigação, de dizer que o bom senso não lhe teria ficado nada mal. Se de um pretenso fármaco prescrito para uma determinada maleita do foro oncológico resultam efeitos secundários que a cada toma reduzem o tempo de vida de quem o toma; pergunto, se seria razoável continuar com a medicação. O mais sensato é parar imediatamente e aprender a viver um dia de cada vez criticando a entidade farmacêutica que o lançou no mercado . De nada nos serve evitar a morte pela doença, sabendo que vamos sucumbir na tentativa da cura. Do mesmo modo, sabendo que venha quem vier, vindo todos da mesma fornada, e sabendo eu que é mais do mesmo, como quer o presidente que tanto eu como +- 43% dos portugueses tivessem votado? Haja bom senso! Se não for pedir muito: - Senhor presidente respeite quem não votou.