Uma escola onde tudo se aprende... na horta!
28 Outubro de 2011 - 16:11

Oito turmas do pré-escolar e do primeiro ciclo do concelho de Óbidos estão a participar num projecto pioneiro que inclui no currículo a plantação de várias hortas com vista a ensinar as crianças a "partir da prática para a teoria".

Intitulado "Espantalho - A Escola na horta", o projecto é desenvolvido por uma equipa do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos que acredita ser "possível melhorar as aprendizagens mudando o paradigma de ensino através da aposta no conceito de 'hands on' [mãos na massa]", disse a professora Matilde Ferreira.

Neste caso, as quatro turmas do pré-escolar e as outras quatro do primeiro ao quarto ano do ensino básico desenvolvem actividades aplicadas às várias disciplinas do currículo.

O espaço, com 4.800 metro quadrados, incluirá uma zona de pomar, floresta e bosque e vai ser dividido em oito hortas de 12 metros quadrados, plantadas e geridas por cada uma das turmas. A escolha do nome de cada uma foi o mote "para aprenderem os métodos de votação, secreta ou de braço no ar", exemplificou a professora.

Munida também de uma estação meteorológica e de um laboratório, a horta será o espaço "para aprendizagens sobre a constituição do solo ou para aplicar a matemática a realidades muito práticas".

Além do "entusiasmo" com que o alunos "apreendem o programa curricular fora da sala de aula", o projecto "incentiva a cultura do vizinho, permitindo-nos trabalhar a solidariedade, a cidadania e as cumplicidades" nas crianças que, através do método tradicional, "apresentam grandes défices enquanto pessoas, sem saberem pensar ou resolver os seus problemas, apesar de terem acesso a muita informação", defendeu a professora.

Além das actividades agrícolas, levadas a cabo em regime de agricultura biológica (incluindo a reciclagem de resíduos orgânicos e a autossuficiência energética), o projecto irá permitir aos alunos "adquirirem noções de gestão", estando prevista a comercialização dos produtos cultivados.

O projecto conta com a parceria da ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho), através de uma técnica que ensina normas de segurança e de uma empresa que irá patrocinar equipamentos como aventais e galochas. A escola de Arte e Design das Caldas da Rainha, onde uma aluna prepara um mestrado com base na criação de utensílios adaptados às crianças, está também envolvida.

O projecto "irá ser estudado pela Universidade de Lisboa, para comparar as vantagens deste método de ensino com o método tradicional".

Pioneira em Portugal, a "Escola na Horta" tem como parceiros internacionais a Califórnia Foundation for Agriculture in the Classroom (Estados Unidos da América) e a Royal Horticultural Society (Inglaterra), que fornecem às escolas de Óbidos documentação sobre as experiências realizadas nestes países.

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Espaço interactivo ajuda a aprender como se faz o mel
28 Outubro de 2011 - 15:41

A cooperativa Lousãmel anunciou a construção de um Centro Interpretativo do Mel da Serra da Lousã, em que se poderá assistir a todo o processo de produção, que estará em funcionamento no início de 2012.

Ana Paula Sançana, da Lousãmel, disse que o centro vai funcionar nas instalações da central meleira da cooperativa, na zona industrial dos Matinhos, na Lousã, sendo direccionado para as crianças e para as escolas.

"Neste espaço interactivo, as crianças vão poder tocar no pólen, cheirar todos os tipos de mel, conhecer o processo de produção e como funciona a biologia do sistema da abelha", explicou a directora técnica.

Segundo Ana Paula Sançana, "a cooperativa Lousãmel era sistematicamente procurada por escolas para efectuar visitas à central meleira, o que não é permitido por ser uma unidade alimentar, pelo que decidimos avançar com este projecto que, em termos financeiros, não é muito dispendioso".

As obras, segundo informou, vão arrancar em Novembro e deverão estar concluídas em Janeiro, representando um investimento de 25 mil euros, suportados pela Lousãmel, que é responsável pela gestão da Denominação de Origem Protegida (DOP) do Mel da Serra da Lousã.

A área geográfica da DOP da Serra da Lousã, criada em 1994, está circunscrita aos concelhos de Lousã, Miranda do Corvo, Vila Nova de Poiares, Penela, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Góis, Pampilhosa da Serra e Arganil.

De acordo com Ana Paula Sançana, a produção deste ano caiu cerca de 30% devido às adversas condições climáticas, baixando para as 25 toneladas de mel certificado, embora a sua qualidade seja "muito boa".

A técnica da Lousãmel lamenta, no entanto, que a certificação passe um período "complicado", face aos elevados custos e às cada vez maiores exigências.

A Lousãmel - Cooperativa Agrícola de Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes exporta 5% do produto para a Alemanha, o que poderia ser facilmente aumentado se houvesse "mais produção", esclareceu Ana Paula Sançana.

"Se tivéssemos mais produção, poderíamos com facilidade exportar mais", enfatizou a responsável.

Para Novembro, acrescentou, será inaugurada a nova central meleira da cooperativa, que vai permitir melhores "condições de extracção e processamento do mel".

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Os "21 especiais" de Famalicão
26 Outubro de 2011 - 15:28

A língua gestual faz parte do plano curricular de uma turma de um escola básica do 1.º ciclco de Famalicão, naquela que foi a solução encontrada para a inclusão "a todos os níveis" dos quatro alunos que são surdos.

A solução foi de tal forma eficaz que agora os alunos até já aproveitam a língua gestual para "tirarem dúvidas" entre eles durante os testes, aproveitando eventuais desatenções dos professores.

Em causa está o 4º ano da escola do 1.º ciclo Conde S. Cosme, em Vila Nova de Famalicão, que tem 21 alunos, quatro dos quais com problemas de surdez.

Para a inclusão "a todos os níveis" destes quatro alunos, a escola decidiu ensinar toda a turma a comunicar por gestos.

Este projecto de inclusão, que começou no início do ano lectivo 2008/2009, resultou na edição de um livro "especial", intitulado "O Jardim Secreto dos Sons", que vai ser apresentado publicamente na próxima sexta feira.

"O livro tem 21 páginas, tantas quantas o número de alunos da turma. Cada página foi escrita por um aluno, conjuntamente com a respectiva família. São frases muito curtas, 'escritas' também em língua gestual, através de fotografias", explicou à Lusa Manuela Sarmento, professora de educação especial naquela escola.

O livro conta a história de Matilde, uma menina que trata de um jardim onde as palavras nem sempre eram ouvidas da mesma maneira.

Tudo começou no início do ano lectivo 2008/2009, quando os responsáveis da escola constataram que na turma do 1º ano havia quatro alunos surdos.

O "choque" inicial provocado pela situação foi rapidamente agarrado como um "desafio".

Com a ajuda uma formadora de língua gestual, a turma aprendeu a comunicar por gestos, passando até a intitular-se como "os 21 especiais".

Na sala, há uma rotatividade constante de cadeiras, de forma a que todos, com regularidade, tenham a seu lado os alunos com problemas de surdez.

"Os próprios alunos substituem muitas vezes os professores, é uma turma fantástica, com espírito de entreajuda e com bom aproveitamento", sublinhou Manuela Sarmento.

Essa "entreajuda" funciona até na altura dos testes ou das fichas, em que uma qualquer distracção da professora é aproveitada para os alunos "comunicarem" entre si as respostas.

A apresentação do livro "O Jardim Secreto dos Sons" contará com a presença do comentador e político Luís Marques Mendes.

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A tecnóloga do canto
26 Outubro de 2011 - 14:42

Os pais empurraram-na para a licenciatura em Biologia, mas é a dar música que Filipa Lã se realiza. Aos 36 anos, ensina como ninguém em Portugal, garantindo ser a única professora de canto que utiliza as novas tecnologias, métodos que aprendeu no estrangeiro, onde estudou com o apoio do Estado através da Fundação da Ciência e Tecnologia.

E foi por "não querer voltar as costas" a um país que tanto lhe deu que, recentemente, recusou um convite da Universidade de Ohio. Preferiu continuar no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, onde também ensina Música e Medicina.

Filipa, que canta música clássica, usa ferramentas tecnológicas ao serviço do conhecimento que adquiriu em Portugal, tirou o curso de Canto no Conservatório de Coimbra, e nos seis anos que esteve em Inglaterra fez o mestrado em performance no Guildhall School e um doutoramento em Canto na Universidade de Sheffield.

Filipa usa software específico que permite que, por exemplo, o aluno veja no ecrã em que nota está a cantar, e se está mais baixo ou mais alto do que pede a professora.

"Novas tecnologias que permitem perceber melhor a voz, como funciona, o que tem o aluno de fazer para atingir determinado objectivo e assim contribuir para a optimização da performance vocal", resume.

Práticas "em Inglaterra e Estados Unidos", que vão ao encontro do nosso tempo. "A exigência dos cantores é hoje muito maior. As orquestras têm mais músicos, há mais instrumentos, as necessidades vocais são superiores, mas a laringe é a mesma. São atletas de alta competição que fazem malabarismos com a voz, por isso precisam de um diagnóstico e de uma formação vocal sustentada na ciência e não no conhecimento tácito, como acontece muitas vezes".

O próximo andamento passa pelo fado. Filipa quer saber como os fadistas usam a voz, "estudar as características da produção vocal". Começou por Coimbra, mas quer chegar a Lisboa e Porto.

João Paulo Costa

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A paixão pela História de uma professora "formiguinha"
25 Outubro de 2011 - 15:15

Tivesse eu tido uma professora tão “formiguinha” como a Anabela Matias de Magalhães e a recordação que trago das aulas de História teria sido bem mais agradável. Em Amarante, na Escola Básica 2/3, a professora desenvolve um projecto imenso – imenso em recursos, em ambição e em qualidade. Chama-se “História em Movimento” e vale bem a pena conhecê-lo em pormenor aqui.

Segundo Anabela Magalhães, o Clube de História – incluído no projecto “História em Movimento” - que organiza lá na escola é um caso de sucesso, medido pelo número de alunos que o procuram. O curioso é que há alunos que, embora já a frequentar a Secundária, fazem questão de continuar a visitá-lo.

Além do clube, a professora dinamiza um blogue intitulado “História em Movimento”, onde dá conta do trabalho que realiza na escola, mostra trabalhos elaborados pelos alunos, anuncia e relata visitas de estudo que organiza, etc.

Contudo, absolutamente impressionante é o projecto inovador que Anabela Magalhães iniciou este ano, que reflecte e complementa as suas aulas.

“É um projecto igualmente inovador, que tem tido uma aceitação muito grande por parte dos alunos que estão agradados pelo uso das TIC em História. Cada postagem corresponderá, em princípio, a uma aula, com o link para as apresentações em PowerPoint exploradas em contexto de sala de aula, fichas formativas e vídeos previamente seleccionados por mim para consolidação das aprendizagens”, explicou ao Aula Magna.

Vale bem a pena dar uma olhada neste novo projecto aqui. São aulas virtuais de História, muito bem explanadas e documentadas, que servem não só aos seus alunos, mas a todos os jovens por esse país fora. Para não falar nos professores da disciplina, nos pais interessados em acompanhar os filhos nos estudos em casa e no público em geral, interessado em conhecer melhor a História.

Professora “formiguinha” e também, por sinal, “cigarrinha” como ele própria se auto-intitula, Anabela Magalhães sabe bem o que ganha com todo o trabalho que, apaixonadamente, desenvolve: “Miúdos entusiasmados com as aulas e nas aulas, em que eu lecciono as matérias na paz de senhor, sem estar aos berros nem a mandá-los calar ou estar quietos. E também ganho miúdos sem aversão à História”.

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300 mil escolas disseram "sim" ao Design For Change
21 Outubro de 2011 - 14:58

O movimento internacional "Design For Change" chegou a Portugal para confrontar os jovens com problemas concretos da sociedade e uma das equipas inscritas no programa iniciou já diligências para instalar passadeiras junto a uma escola da Feira.

Esse é apenas um dos exemplos das iniciativas propostas no âmbito do movimento que, tendo surgido na Índia em 2009, envolve já 300.000 escolas de 33 países, chegando agora a Portugal através da associação "High Play", que mantém as inscrições abertas até 15 de novembro e no dia 20 se propõe premiar os melhores projetos em seis categorias distintas.

"Primeiro, convidamos os jovens a identificarem um problema na sua comunidade e a imaginarem uma solução para ele", declarou Carlos Fernandes, coordenador de atividades da High Play, que promove a iniciativa.

"Depois, eles vão para a rua intervir e implementar essa mesma solução, são convidados a partilharem a sua intervenção em vídeo e é essa montagem de média que submetem a concurso", acrescentou.

Em Santa Maria da Feira, a turma 6.ºC da Escola EB 2,3 de Lobão decidiu apostar na criação de passadeiras juntos aos portões do recinto, mas em Vagos, por exemplo, há uma equipa que pretende sensibilizar a comunidade para a violência em estabelecimentos de ensino, enquanto outra escola de Carcavelos, instalada junto ao mercado, vai recolher t-shirts velhas para produzir bolsas de algodão que substituam os sacos de plástico aí distribuídos.

"A intervenção destas equipas é muito heterogénea e vasta", garante Carlos Fernandes. "Mas criamos sempre um sentimento de competência nas crianças, que acreditam que são capazes de fazer alguma coisa, e assim estamos também a criar adultos com a sensação de que podem fazer a diferença".

Lisdália Ferreira, directora da turma de Lobão inscrita no "Design for Change", afirma que "os miúdos ficaram entusiasmados com a ideia e quiseram logo aderir". Analisadas várias propostas de diferentes grupos de trabalho, a escolha recaiu sobre aquela que, "sendo de interesse geral para a comunidade, também pudesse concretizar-se mais rapidamente: 'Segurança junto aos portões da escola'".

O interesse local do projecto é explicado por Diogo Pais Silva, um dos alunos de 11 anos do 6.º C: "Tanto a nossa escola como a sociedade têm alguns erros e assim temos uma oportunidade para corrigi-los".

"Como no portão de baixo e no de cima há falta de passadeiras, quando queremos atravessar para o outro lado corremos algum risco", continua o estudante, que sublinha:"Está em causa a segurança dos alunos".

A parte mais complexa do projeto foi preparar a reunião com o presidente da Junta de Freguesia de Lobão, a quem a comitiva que representa o 6.º C perguntou, por exemplo, "porque é que a instalação de passadeiras não foi prevista quando a escola foi construída".

O autarca em causa, José Henriques, respondeu a todas as questões da forma possível e, no final, declarou: "É de louvar a iniciativa destas crianças. Ficamos maravilhados com eles, porque já estão a pensar, desde pequeninos, na segurança de todos nós".

Quanto à efectiva solução do problema da ausência de passadeiras, o autarca remete esse tipo de obras para a responsabilidade da Câmara Municipal da Feira, mas adianta: "Vou pressionar um bocadinho para que seja instalada esta sinalização, cuja ausência nos preocupa muito. Não tem havido muitos acidentes, mas vamos tentar evitá-los".

 O "Design for Change" é apadrinhado por figuras públicas como o selecionador nacional Paulo Bento, a atriz Ana Bustorff, a fadista Mafalda Arnauth, a cantora Anabela, o jornalista Júlio Magalhães, o empresário Manuel Serrão, o alpinista João Garcia e o velejador Ricardo Dinis.

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