"Desenvolver a paixão é o elemento central da Educação"
24 Outubro de 2011 - 14:52

O líder da YDrems, António Câmara, defende que o sistema educativo português peca por estar a formar alunos para serem "todos iguais" quando devia treiná-los para serem diferentes e tirar proveito da "paixão" de cada um.

O professor da Universidade Nova de Lisboa considerou que os treinadores de futebol são um bom exemplo para os professores porque tiram o melhor rendimento de cada jogador.

É isto que a educação deve ser: preparar para vencer", declarou Câmara, ao mostrar como José Mourinho prepara os jogos ao pormenor.

Os jovens, sustentou, devem ser estimulados a explorar capacidades e desenvolver competências, tendo em vista o interesse de cada um ou a paixão por determinada área, seja ela no desporto, na música ou no cinema.

"Não formamos exploradores", lamentou o investigador, referindo que paixão, energia, confiança e capacidade para trabalhar em grupo são elementos essenciais para o sucesso, que devem ser incutidos aos alunos.

Porém, "muito poucas escolas treinam" estas competências, referiu o professor, que confessou ter todos os anos uma conversa com cada um dos seus cem alunos para descobrir um ângulo relacionado com a paixão de cada um.

"Pode ser o basquete, o futebol, o cinema, a música", exemplificou, revelando que as suas paixões eram o ténis e matemática".

O docente recomenda um método que leve o aluno a tirar proveito daquilo que mais gosta e transportar essa paixão para o seu percurso académico e profissional.

"O elemento central da educação é desenvolver paixão", disse Câmara, acrescentando: "Estamos a treinar toda a gente para ser igual e temos de os treinar para serem diferentes".

É nesta base, garantiu, que as empresas querem fazer as contratações, aproveitando os melhores.

"Acho que os professores podem ser treinadores", reiterou, defendendo que no desporto cada um tem a sua função e aí é treinado para dar o melhor.

O docente universitário garantiu que a Europa tem grupos de investigadores responsáveis pela grande maioria das invenções.

"Não são os Estados Unidos, como as pessoas pensam. A nossa maior dificuldade é na segunda parte da equação -- a capacidade de marketing e venda", frisou.

António Câmara falava na Conferência dos Conselhos Europeus de Educação que decorre em Lisboa até terça-feira e onde foi apresentado como o Steve Jobs português.

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