"Quer potenciar a inteligência do seu filho? Averigue o que o apaixona"
27 Outubro de 2011 - 16:03

Howard Gardner, psicólogo e neurologista norte-americano, tornou-se muito conhecido mundialmente na área das Ciências da Educação com a sua teoria sobre as inteligências múltiplas. Segundo ele, existem várias aptidões para além do raciocínio lógico-matemático.

É doutor honoris causa em várias universidades de todo o mundo e recebeu alguns dos prémios de maior renome nas disciplinas de Psicologia e Educação. O investigador foi galardoado, este ano, com o Prémio Príncipe das Astúrias das Ciências Sociais. Muito recentemente, foi mais uma vez nomeado doutor honoris causa pela Universidade Camilo José Cela, de Madrid.

Na sua passagem pela capital espanhola, deu uma entrevista ao jornal ABC, do qual destacamos o seguinte excerto:

Como podemos identificar o nosso potencial?

Creio que o melhor modo de o fazer é tentar ensinar algo novo a alguém e ver quanto tempo demora a aprender. Por exemplo, ensinamos a um grupo de estudantes a jogar xadrez. Depois de 20 minutos, alguns ganharão quase sempre. Claramente, esses são os que têm maior potencial.

Há pessoas competentes em todos os tipos de inteligência?

Todos temos todas as inteligências, mas a vida não é justa... Há pessoas que brilham em todos os tipos, como Leonardo da Vinci e outros... bom, não as desenvolvem por igual. Contudo, o importante desta teoria é que existe uma série de perfis: alguns têm picos altos em algumas tarefas e outros em outras, mas podemos sempre melhorar as mais baixas.

O que aconselharia aos pais para potenciar a inteligência dos seus filhos?

Prestem-lhes muita atenção e averiguem o que lhes interessa e os apaixona sem projectar neles as suas próprias prioridades, paixões ou debilidades.

Qual a sua opinião sobre os testes que medem o coeficiente de inteligência?

Não servem, é como pôr um selo na testa de alguém: tu és inteligente, tu não. Isso é muito negativo. É muito melhor descobrir em que campo alguém se destaca, o que deve aprender e proporcionar-lhe ajuda para isso. E se não é esse campo, pode-se, então, experimentar outro.

Se tivesse nas suas mãos a educação de um país, qual era a primeira mudança que faria?

A educação não deve centrar-se unicamente na escola: também depende da família, dos meios de comunicação, do meio envolvente e tudo o mais... Além disso, os professores devem ser profissionais.

Explique-se.

Têm de ter vocação e demonstrá-lo. Aceitar uma responsabilidade, ter status e serem respeitados.

O sistema educativo actual desperdiça o talento?

As nossas comunidades desperdiçam o talento porque apenas os privilegiados têm opções. Uma das coisas mais interessantes dos sistemas educativos da Finlândia e Singapura, os melhores do mundo neste momento, é que são totalmente planos e justos. Quer dizer, não há modo de saber quanto dinheiro tem a família de cada estudante num colégio. Num sistema realmente justo, os alunos com desvantagens teriam os melhores professores e as melhores escolas.

Espanha tem uma alta taxa de fracasso escolar. O que nos recomenda?

Melhorar a educação deveria ser uma das prioridades principais de um governo. Já agora, um conselho: aproveitar os meios digitais é muito importante. Não serve de nada fazer com que os estudantes memorizem as coisas se tudo está aqui (tira um smartphone do bolso). Vamos ensinar-lhes como utilizar as fontes de informação e também o saber questioná-las. Quanto aos jovens, se não há oportunidades de emprego, a motivação é muito mais difícil, mas não podem ficar em casa. Podem continuar a melhorar as suas competências e a ajudar outras pessoas. No futuro, cuidar dos nossos velhos vai ser a maior fonte de trabalho.



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Efeitos da nova organização curricular nos projectos escolares
20 Outubro de 2011 - 15:54

As perguntas que eram para o ministro Nuno Crato foram gentilmente respondidas por Filinto Lima, director do Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Carlos Matos, em Vila Nova de Gaia.

Aula Magna - O Conselho de Escolas advertiu o MEC para o facto de a redução no crédito horário concedido às escolas ir implicar um reflexo na oferta de actividades extra-curriculares, como os clubes e os projectos inovadores. Isto, a acontecer, poderá ser prejudicial para o sucesso educativo dos alunos?

Filinto Lima - As actividades extra-curriculares são de extrema importância no processo ensino-aprendizagem, ora sedimentando as aprendizagens adquiridas, ora facultando ao aluno outras experiências em áreas desconhecidas mas importantes para o futuro cidadão. Não creio que a redução do crédito horário vá prejudicar directamente a oferta de actividades extra-curriculares, pois já era tão diminuto e as escolas socorriam-se da componente não lectiva dos professores para superar o problema. Contudo, pode ser um problema sobretudo nas escolas com um corpo docente mais jovem ou com um elevado número de aposentados nestes últimos anos, sinal de que as horas não lectivas decresceram.

Aula Magna - Não dispondo as escolas de crédito horário suficiente para a organização das referidas actividades extra-curriculares, haverá alguma forma de ultrapassarem as limitações impostas pela legislação?

Filinto Lima - Sim, o uso das horas referentes à componente não lectiva dos professores, embora cada vez sejam menos, pois o corpo docente das escolas é cada vez mais jovem e, desde logo, com menos horas não lectivas, sobretudo nos meios rurais e do interior. Contudo, estas horas são também aproveitadas pelas escolas para aulas de substituição, sala de estudo, biblioteca e outras actividades, não chegando para tudo.

Aula Magna - Da experiência e do conhecimento que possui, as escolas têm sido férteis em projectos educativos inovadores e capazes de motivar os alunos para novas aprendizagens?

Filinto Lima - As escolas, um pouco por todo o país, possuem projectos (educativos) que motivam os alunos para novas aprendizagens. Contudo, nem sempre têm os meios necessários para que tal se concretize, dificultando a sua tarefa. Com os cortes orçamentais que se adivinham, alguns até já foram anunciados, as direcções executivas e os professores terão de recorrer à imaginação e à experiência para superar este constrangimento acrescido, motivando os alunos e, assim, contribuindo decisivamente para o seu sucesso educativo.

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