Com o mercúrio dos termómetros a baixar, estes dias fazem-nos lembrar que o Inverno está à porta. Apetece ficar em casa, quente e aconchegado, talvez a beber ou comer qualquer coisa que conforte o estômago e a alma! É de facto frequente que o tempo frio traga consigo um aumento do apetite, especialmente por alguns alimentos típicos da época. Regra geral, o corpo necessita de mais energia para se manter quente, o que aumenta a necessidade de alimento. Por outro lado, o tempo frio, a chuva e os dias mais curtos «empurram-nos» para dentro de casa e é assim que começam as incursões pela despensa ou as buscas aos armários da cozinha! Se a estes factores associarmos uma menor actividade física, está explicado porque é que o peso pode aumentar nesta época do ano.
Aproveitemos então o frio para saborear e conhecer melhor os alimentos de Inverno. Afinal, a base de uma alimentação equilibrada é justamente a variedade, por isso, nada como poder alargar o leque de alimentos que oferece aos seus filhos para que possam crescer saudáveis.
Castanha
A castanha é um fruto capsular seco, i.e., uma semente protegida por um ouriço, que é o fruto do castanheiro. A castanha diferencia-se da maioria das sementes por não apresentar teores elevados de gordura. Em contrapartida, apresenta muito mais amido (por 100gr, tem sensivelmente o dobro do amido da batata!). Também apresenta um teor relativamente elevado em água, quase 50%. Tudo isto explica porque as castanhas são mais parecidas com os cereais (pão, batata, arroz) do que com outros frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas). E é precisamente desta forma que devemos incluir a castanha na nossa alimentação, como se fosse um farináceo. Por exemplo, podemos substituir um acompanhamento de batata ou arroz por algumas castanhas cozidas e o puré de castanha também é uma boa alternativa para acompanhar alguns pratos, como as carnes assadas. Por exemplo, se os seus filhos gostam de comer castanhas assadas depois da refeição, o ideal seria reduzir os farináceos no prato. Sempre com alguma moderação, a castanha também pode ser consumida sob a forma de sopa, molhos, doce e alguns bolos.
Do ponto de vista nutricional, a castanha apresenta ainda teores interessantes de Vitamina B6, Vitamina C e Potássio. Porque é rica em ácido tânico torna-se difícil de digerir, sobretudo se crua ou apenas escaldada, o que pode causar flatulência ou desconforto intestinal aos seus filhos.
Batata doce
Este tubérculo originário dos Andes é um farináceo composto sobretudo por amidos (açúcares complexos), mas também por alguns açúcares simples (que lhe dão o sabor e nome). É particularmente rica em Vitamina A e tem cerca de 70% de água na sua composição. Na prática, pode ser usada como alternativa à batata comum, embora o seu valor calórico seja um pouco mais elevado. Evite dar aos seus filhos a batata doce como sobremesa, pois se a refeição já incluiu farináceos não vamos acrescentar mais uma dose deste grupo de alimentos. Pode ser cozida ou assada, em puré ou em rodelas para acompanhar saladas e experimente também inclui-la na sopa – talvez os seus filhos apreciem o travo adocicado e comam assim os outros legumes. A batata doce também é frequente em algumas sobremesas e doces, sendo muito consumida em receitas de Natal.
Frutos Secos
As nozes, avelãs, amêndoas e pinhões estão entre os frutos secos oleaginosos mais consumidos nesta altura do ano. Todos eles são ricos em gordura polinsaturada (50-60%), o que lhes confere alto valor energético – geralmente cerca de 600Kcal por 100g! Geralmente, também fornecem aportes significativos de algumas vitaminas e minerais importantes para as crianças, que variam em cada um. As nozes, por exemplo, são ricas em cobre e zinco mas pobres em fibra e proteínas. Pelo contrário, as avelãs são ricas em fibras, apresentando também teores significativos de Vitaminas A e C, assim como de Magnésio. As amêndoas são boa fonte de Ferro, Cálcio e Fósforo e os pinhões ricos em Proteínas, Fósforo e Potássio.
O seu valor nutritivo aconselha a sua inclusão na alimentação inafantil– os ácidos gordos polinsaturados ajudam a proteger o coração, as fibras são importantes na regulação intestinal e os minerais e vitaminas são importantes para o crescimento dos seus filhos. No entanto, o seu elevado valor calórico implica a utilização de pequenas quantidades. Podem, por exemplo, ser usados para enfeitar saladas ou arroz, ou ainda como parte de doces e sobremesas. O seu consumo como aperitivos deve ser feito com bastante cuidado, pois as quantidades ingeridas podem ultrapassar o desejável, além de que nalguns casos os frutos estão cobertos de sal, mel ou açúcar. Devido ao risco de reacções alérgicas e de asfixia, evite dar estes alimentos a crianças com menos de 3 anos.
Frutas desidratatadas
Também se designam por frutos secos, as frutas desidratadas (ameixas, alperces, passas). Estes frutos diferem dos originais frescos pelo facto de lhes ter sido retirada grande quantidade de água. Tal significa que concentram o açúcar que contêm, o que os torna muito mais açucarados. Por exemplo, 100gr de ameixa seca tem 4 vezes mais calorias que igual quantidade de ameixa fresca. Mas significa que concentram também os seus teores de fibra, minerais e algumas vitaminas. Assim, embora deva usar estes frutos com moderação, podem ser uma boa forma de manter os seus filhos a comer fruta no Inverno – por exemplo, um snack ligeiro composto por 2 alperces secos com 3 ou 4 bolachas pouco açucaradas é preferível a um bolo com recheio de chocolate ou doce de ovos.
Em suma, o frio traz consigo novas escolhas alimentares. Conhece-las e explorar as suas caracteristicas nutricionais é uma óptima forma de variar as escolhas alimentares dos seus filhos. Lembre-se que precisam de vários alimentos para obterem todos os nutrientes necessários a um crescimento saudável. E se aprenderem desde tenra idade a apreciar as opções disponiveis em cada época do ano, seguramente terão uma alimentação mais equilibrada. Sem excessos, mas também sem o exagero de eliminar tudo aquilo que é mais calórico.
Rodrigo Abreu, nutricionista
geral@saber-comer.com