Para miúdos e graúdos,

porque crescer também é difícil para os pais.

Crianças de seis anos gravam clip com música dos Gotye

sábado, 12 de Maio de 2012 16:30

Dois amigos de seis anos foram as estrelas de um novo vídeoclip da música "somebody that I used to know", dos Gotye, que gravaram durante  as viagens de carro.

 

 


"Quando andávamos de carro, os dois pediam sempre para ouvir a música e adoravam cantá-la", conta o namorado da mãe do rapaz.


Certo dia, os adultos lembraram-se que os dois amigos podiam fazer um vídeo da música. As crianças deliraram com a ideia e a
s imagens foram captadas por uma câmara Go Pro, instalada no na parte de trás do banco do condutor.


Bastaram algumas viagens para reunir o material do vídeo. Veja e compare com o original.

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“Time” reacende polémica sobre amamentação

sexta-feira, 11 de Maio de 2012 16:56

 


Para chocar ou para informar, eis uma das muitas questões levantadas pela capa de maio da revista norte-americana “Time”, na qual uma mãe amamenta o filho de três anos, que aparece na foto de pé e empoleirado num banco para chegar à mama. “És suficientemente mãe?, titula a “Time”.


A mãe da foto, Jamie Lynne Grumet, de 26 anos, conta à revista que ela própria foi amamentada até aos seis anos e que já desistiu de defender a sua opção perante estranhos que consideram o facto de ainda dar de mamar ao filho motivo para a denunciar junto das autoridades.


“As pessoas têm de perceber que é biologicamente normal”, diz, à “Times
. “Quanto mais o virem, mais normal se tornará na nossa cultura. E é o que eu espero. Eu quero que as pessoas vejam”.


Na internet e fora dela, há quem questione os motivos que levaram a “Time” a fazer capa com uma mulher tão bonita quanto  Jamie Lynne Grumet, recuperando um tema em discussão há já vários anos e as opiniões de um guru da pediatria, defendidas em livro há mais de 20 anos.


As opiniões extremaram-se ou não fosse a América a falar e a indignar-se. Bobbi Miller, mãe de seis crianças, condenou a revista e a opção de Jamie. “Até as vacas sabem quando desmamar as suas crias”, escreveu no Twitter. “Por que é que tem de ser visto? Está no limiar do voyerismo”, considerou.


Já Bettina Forbes, co-fundadora da organização “Best for babes”, promotora da amamentação, desejou que a capa da “Times” torne a América “menos nojenta” em relação à amamentação dos bebés em qualquer idade. “Já há muito que falamos destas questões”, disse.


Nas páginas interiores, a “Times” recupera as ideias do médico Bill Sears, um guru da pediatria, autor do “Livro do Bebé”, há 20 anos. O especialista defende que os pais devem manter laços estreitos com os filhos até idades avançadas e que, para isso, as mães devem prolongar a amamentação e partilhar a cama com os filhos.


O debate está relançado, nos EUA e na internet.

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Livro explica crise às crianças e aos pais de esquerda e de direita

sexta-feira, 11 de Maio de 2012 10:10

Um urso, abelhas e muitos potes de mel serviram ao jornalista João Miguel Tavares e ao ilustrador Nuno Saraiva para explicar aos mais novos - e aos pais - o que é crise, na estreia dos autores na literatura infanto-juvenil. O livro é apresentado, sábado, em Lisboa, numa sessão que contará com o ministro das Finanças.


"A crise explicada às crianças", com o selo da Esfera dos Livros, é um livro com duas faces. De um lado, a crise é apresentada para miúdos de esquerda e, do outro, para miúdos de direita. Os protagonistas são os mesmos, mas a história é contada com interpretações ideológicas distintas.


"Eu queria experimentar esta coisa de escrever para os mais novos, tenho ideias para vários livros, mas esta foi a primeira a surgir, e calha bem com o tempo que estamos a viver", explicou o autor, João Miguel Tavares, à Lusa.


O jornalista, que assume ser de direita, convidou o autor de banda desenhada Nuno Saraiva, assumidamente de esquerda, para avançar com o livro ilustrado com dois pontos de vista distintos, sendo que não é verdadeiramente só para crianças.


O urso e as abelhas são elementos "com uma grande força no imaginário infantil", por isso o urso teria que ser o défice, as abelhas personificam os mercados financeiros, o mel o dinheiro e os outros animais da floresta são os países da Europa, descreveu o autor.


De um lado - o da esquerda - a culpa da crise é de um enxame de abelhas furiosas (os mercados financeiros) que só pensam em fazer mel (dinheiro) para engordar os ursos (o défice), empurrando-os para "um beco sem saída".


Do outro lado - o da direita - a culpa da crise é do urso (o défice), gordo e guloso, que só pensa em mel (dinheiro) e está rodeado de abelhas (os mercados financeiros) prestáveis e trabalhadoras.


"Basicamente queria desmontar uma ideia de infantilização da vida política, desmontar os discursos políticos e o facto de existir uma leitura primária do que nos rodeia", afirmou João Miguel Tavares.


O jornalista não sabe bem para que tipo de idades é que o livro é recomendável, mas inclui um subtexto "que só os adultos vão perceber".


Pai de três filhos, e com o quarto a caminho, João Miguel Tavares reconhece que este livro não pretende dar respostas metafísicas aos mais novos sobre o que é a crise.


"Os meus filhos não me perguntam muito sobre a crise. Possivelmente os mais novos acharão mais graça ao formato do livro, que se pode ler das duas maneiras", disse.


Nuno Saraiva, autor de banda desenhada, de ilustração e cartoon político, explicou à Lusa que foi fácil retratar a direita. Mais difícil foi desenhar a esquerda, porque as abelhas são elementos simpáticos na ilustração para a infância, basta pensar na Abelha Maia, disse.


João Miguel Tavares e Nuno Saraiva têm-se desdobrado em entrevistas por causa do livro, mas também pelo facto de a apresentação, no sábado, em Lisboa, contar com a presença do ministro das Finanças, Vítor Gaspar.


"Convidámo-lo. Ao que sei, ele leu o livro, achou-lhe graça e aceitou fazer a apresentação", disse João Miguel Tavares.


A apresentação decorrerá na livraria Bertrand Picoas Plaza, em Lisboa, no sábado, às 16.30 horas.

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Já não sou uma mãe sempre à beira de um ataque de nervos... por breves instantes

sexta-feira, 4 de Maio de 2012 11:31

  


Deram-me tréguas as minhas filhas, mas é ainda a medo que escrevo, duas semanas após o primeiro ténue erguer da bandeira branca.


Seis anos depois, já não me acho todos os dias uma bruxa má praticante, repetitiva e estridente, capaz de suscitar apostas na vizinhança quanto ao exato momento em que sairei de cabelos em pé, pela janela do quarto delas, em cima de uma vassoura voadora, numa noite de luar.


Amo-as profundamente, tão profundamente que tal evidência sequer serve de ponto prévio à prosa. Mas sofri e sofro com a urgência que sinto em ama-las assim, profundamente, quando as tenho de educar. Em pouco tempo, nas poucas horas extenuadamente curtas que passamos juntas, entre os trabalhos de casa da M, a mais velha de seis anos, e as birras de tentativa-erro da S., a mais nova, de quatro anos.


Eu cansada, elas extenuadas dos dias que começam cedo demais, preenchidos demais, tudo demais. Chega sempre a hora fatal do descabelamento em série, elas uma com a outra -  que crescer a aprender que existe vontade alheia custa -, eu em stress, a educar, separar, ignorar, berrar, enquanto arranjo o dia seguinte, sempre na esperança de, no dia seguinte, poder correr tudo melhor.


Passada a hora do “quero tomar banho primeiro” ou “não gosto de tomar banho” ou “não quero sair da banheira” ou “quero banho de espuma” ou “quero banho com bolhinhas” ou do “quero tudo” ou “não quero nada”, seguimos para a hora do jantar. Em que educar é repetir e repetir é lembrar e relembrar o básico da convivência social. As mensagens possíveis entre os clássicos “não quero comer”, “não gosto de...”, “eu primeiro...” e “não quero mais”.


O que me atirou ao tapete durante anos foi a hora do sono, essa mesma, que, por aparentemente apaziguada, motivou o agora escrito. Verdade que a M. foi a que menos trabalho deu, e, tendo dado  trabalho ele foi apagado da nossa memória pelo impacto da trabalhosa chegada da S. à nossa vida.


Um martírio para adormecer, birras de meia-noite antes, durante o sono e ao amanhecer. Pais mal dormidos são ainda mais estridentes, mais impacientes. Pela sentida falta de eficácia, pela falta de vida que a ausência de sono mínimo nos imputa. A vida além da descendência, quando o silêncio da casa nos deixa respirar. O silêncio para nós.


Foi esse silêncio e a capacidade de ficar acordada para o gozar que conquistei há duas semanas. Uma grande trégua à minha condição de praticante de bruxa má, que aliada às rotinas por todos trilhadas e ajustadas, me dão, por estes dias, um doce distanciamento do estado de nervos.


Afinal, parece possível educar a gente pequena para que cresça.

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Maria Cláudia Monteiro: claudia@jn.pt

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