Embora tenham vendido milhões de cópias no Mundo inteiro, as memórias do presidente dos EUA, Barack Obama, estão longe de constituir a leitura favorita dos 176 prisioneiros que restam no famigerado complexo prisional da base naval norte-americana de Guantánamo Bay, em Cuba.
É certo que, em tempos, o bibliotecário responsável pelos 13500 volumes existentes na biblioteca criada em 2003 assegurou aos media que os três títulos mais requisitados, por ordem, eram os tomos da saga de Harry Potter - iniciada pela escritora britânica J. K. Rowling no Porto -, seguidos da clássico de Cervantes, Don Quixote, e ainda, o Dreams From My Father, de Barack Obama (A Minha Herança, Casa das Letras, 2008).
Todavia, investigação recente da revista Time afirma que, apesar da biblioteca prisional continuar a ofertar os escritos do actual locatário da Casa Branca, e embora aqueles continuem a ser requisitados amiúde, "os prisioneiros não andam exactamente a lutar uns com os outros para o lerem". O que, à luz da promessa jamais cumprida de encerrar aquela prisão, se compreende perfeitamente. Se é para dedicar tempo à leitura de mentiras, ao menos que sejam assumidas como tal, pensarão.
E, se assim pensam, assim o fazem. No mesmo trabalho, a Time garante que as preferências dos prisioneiros letrados, pelo menos agora, continuem a reverter para Harry Potter, mas incidem também para as novelas de John Grisham e os policiais de Agatha Christie. Além de textos islâmicos, claro.

Muito apreciados são ainda os livros de viagens ilustrados com fotos, em particular aqueles que respeitam aos oceanos. As obras de Dan Brown também gozam de grande popularidade mas, infelizmente, em Guantánamo nem todas estão traduzidas para outras línguas (em contrapartida, na hemeroteca local encontram-se jornais em 18 idiomas).
Do acervo livresco de Guantánamo foram banidas obras de extremistas religiosos ou políticos, assim como todas aquelas que contenham violência excessiva ou um enfoque militar. Para evitar tentações ou saudosismos. Prosa de cariz erótico também não há. Mas abundam edições do Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien, da série Twilight, de Stephenie Meyer e do êxito de auto-ajuda árabe Don't Be Sad.
O generoso cadastro literário tem mantido, aparentemente, os prisioneiros mais calmos, tendo o condão desanuviar o ambiente, afirmam os soldados encarregues de vigiar aqueles leitores compulsivos. Entre outros radicalismos.