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Setembro 2011 - Posts

Mais verídico do que a própria realidade

30

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 17:40
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Sérgio Almeida 

 

Tiago Veiga, o alvo da mais recente e gigantesca empreitada literária de Mário Cláudio, não foi um homem qualquer. No decurso dos seus 88 anos de vida - espraiada entre 1900 e 1988 - conheceu os maiores espíritos do seu tempo (Fernando Pessoa, Jean Cocteau, Teixeira Gomes e José Régio, entre muitos outros), percorreu o Mundo e absorveu culturas distintas, mas, ironia das ironias, nasceu e morreu no mesmo local, a pacata localidade minhota de Paredes de Coura.

De permeio, construiu uma originalíssima obra, que protegeu com ferocidade de quase todos os olhares. Uma das raras excepções foi Mário Cláudio, que se converteria no confidente e biógrafo, missão que cumpre com impressionante denodo na presente obra.

Mas quem foi, afinal, este bisneto pelo lado paterno de  Camilo Castelo Branco e como se explica o silêncio em seu redor? Foi um génio? Um incompreendido? Ou uma pura aventura efabulatória do autor de Camilo Broca?

Às dúvidas sobre a autenticidade da existência do poeta, responde o próprio a dada altura do livro: “Irão acusar-te de me teres inventado, considerando-se muito argutos pela descoberta, mas não será verdade que cada biógrafo inventa o seu biografado, e que andamos todos a inventar-nos uns aos outros?”.

Neste sedutor jogo entre realidade e ficção, saber se Tiago Veiga existiu realmente é, de facto, o menos interessante dos elementos em equação. Mais importante é determo-nos na monumentalidade do livro, que, apesar de embrenhado em amplas referências, históricas, políticas e literárias, se revela de uma leitura voraz. E se a literatura, mais do que verosímil, deve soar autêntica, então, as dúvidas sobre Tiago Veiga estão mais do que dissipadas.

Para isso, contribui decisivamente o modo como Mário Cláudio consegue cerzir elementos tão variados – sobretudo numa vida preenchida como a de Tiago Veiga –, fazendo-os encaixar com uma precisão invulgar.

Além da prodigalidade literária, é um retrato histórico do século XX. Internacional, mas sobretudo português, ou não desfilassem pelas páginas a maioria dos protagonistas da vida pública nacional desse período.

 

TÍTULO: Tiago Veiga: uma biografia

AUTOR: Mário Cláudio

EDITOR: D. Quixote

PREÇO: 24.95 euros

Doze caminhos até dentro da droga

15

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 13:37
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Ivete Carneiro

 

“Deus devia proibir os pais de enterrarem os filhos.” Ou o contrário. “Os pais é que devem tomar conta dos filhos. Não é natural os filhos tomarem conta dos pais.” Duas mulheres, mãe e filha. A mãe que perdeu um filho por causa da droga, que viu a filha afundar-se. A filha dela que quase perdeu o filho que não queria vê-la afundar-se. Uma história de mulheres com homens pelo meio. Ao todo, são 12. Doze viagens ao mundo da droga, que pode ser branca, castanha, em folha, ou o que encaixar no relato. A jornalista Ana Cristina Pereira chamou-lhes brancas, às viagens, em honra das Noites brancas de Dostoievski, pelo que há de sono/insónia num dia-a-dia de droga. Torna-as claras. Dá humor e densidade a estas histórias reais, numa “viagens branca” a esta mistura de reportagem e literatura. Pictográfica.

Como num filme, corremos a Torre 1 de Aleixo, ou parte da Bela Vista. Sempre com um mote comum: as mulheres são o mote. As que gerem o negócio, como as “Panelas” e as “Cavadoras” do Aleixo. As que se lançam na internacionalização, como a vistosa Zani de Cabo Verde.

As que vivem no meio, longe e em silêncio – “Sem pensar em denunciar, porque num território acossado, um traficante não é um traficante, é o Manuel ou a Maria?”. As que vivem perdidas, como a jovem da fábrica do Pinheiro Torres. No final de tudo, a que conta as outras, essas que enchem um Portugal obscuro, mas real.

 

TÍTULO: Viagens brancas

AUTOR: Ana Cristina Pereira

EDITOR: Arcádia

PREÇO: 14.95 euros

Aposta na ficção nacional marca 'rentrée' literária

14

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 14:52
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Sérgio Almeida 

 

Regressos, muitos regressos, fazem dos próximos meses um período especial para os leitores mais devotos (e um pesadelo para as respectivas bolsas).

Durante as próximas semanas, largas centenas de novos títulos vão chegar as livrarias, num corrupio de novidades que obrigam a uma atenção constante, dado o reduzido tempo de permanência dos livros nos escaparates.

Particularmente dinâmica, a literatura portuguesa preenche um espaço significativo das apostas. O ‘obrigatório’ romance anual de António Lobo Antunes (Comissão das lágrimas; D. Quixote) e o inédito de José Saramago Clarabóia (Caminho) – escrito em 1953 – são dois dos livros que vão disputar a atenção dos leitores.

De José Luís Peixoto a Quetzal vai publicar três livros. Um ano depois de Livro, Abraço reúne textos escritos ao longo da última década. Chega no final de Outubro. A reedição do livro de poesia Gaveta de papéis – Prémio Daniel Faria, em 2008 – e o título infanto-juvenil A mãe que chovia completam o rol.

No dia 23, outro consagrado, Valter Hugo Mãe, vê chegar às livrarias o seu novo livro. Em O filho de mil homens (Objectiva), o escritor conta a história, no primeiro capítulo, de Crisóstomo, um quarentão frustrado por ainda não ter sido pai.

Depois de, no início do ano, ter publicado o livro de contos O homem do turbante verde, Mário de Carvalho regressa aos romances com Quando o diabo reza, o primeiro que edita na Tinta da China.

Na mesma editora, Dulce Maria Cardoso narra o drama dos retornados através do percurso de um jovem de 15 anos chamado Rui. O retorno tem publicação prevista para o próximo mês.

Os adeptos de ficção estrangeira terão também ao seu dispor uma ampla possibilidade de escolha: Philip Roth (Némesis; D. Quixote), Michel Houellebecq (O mapa e o território; Objectiva), Joyce Carol Oates (A filha do coveiro; Sextante); Haruki Murakami (1Q84; Casa das Letras), Patrick Modiano (O horizonte; Porto Editora); Eduardo Mendoza (Rixa de gatos”; Sextante) são disso exemplo.

Autores associados a best-sellers como a chilena Isabel Allende (El cuaderno de Maya; Porto Editora), a italiana Susanna Tamaro (Para sempre; Presença) ou o norte-americano George R. Martin (A dança dos dragões; Saída de Emergência) estão confirmados ao longo do próximo trimestre.

No domínio das reedições, a oferta não será menos variada. A Quetzal começa a publicar este mês a obra de Saul Bellow, com Ravelstein. Outro Nobel cujos livros vão ser alvo de novas edições é V. S. Naipaul. A curva do rio inaugura a colecção.

O terceiro e derradeiro volume de contos de John Cheever chega às livrarias já no próximo mês e dá a conhecer os escritos da juventude do autor norte-americano.

Também na Sextante, uma nova tradução, a cargo de Paulo Faria, de A harpa de ervas, um dos títulos essenciais de Truman Capote, está prevista para Novembro.

Dois clássicos da literatura norte-americana, À espera no centeio, de J.D. Salinger, e A balada do café triste, de Carson McCullers, chegam às livrarias em Outubro com novas edições.

Há também inéditos que se aguardam com expectativa, como Contos de fadas para pessoas comuns, de Boris Vian, uma das apostas da Guerra & Paz para o próximo mês.

Mas a rentrée não é apenas sinónimo de autores renomados. Do plano de publicações figuram várias obras que arrebataram prémio significativos em mercados. É o caso de Apocalypse baby (Sextante), da francesa Virginie Despentes, um  romance policial com elevadas doses de humor e ironia que venceu o Renaudot no ano passado.
Presença frequente na lista dos mais vendidos do “New York Times”, Emma Donoghue é um dos destaques da Porto Editora, que deverá lançar No quarto de Jack no próximo mês.

Já a Ahab aposta forte no sueco Per Olov Enquist, que, com A visita do médico real”, conquistou vários prémios internacionais.

 

O discreto esplendor da decadência

14

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 13:25
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Sérgio Almeida

Se um livro, seja clássico ou não, apenas permanece vivo enquanto for lido, as sucessivas reedições de O grande Gatsby nos últimos meses no mercado português – a cargo das editoras Clube do Autor, Editorial Presença e 11 x 17 – asseguram, à partida, a continuação de ma longa existência ao emblemático romance que Francis Scott Fitzgerald escreveu em 1925.

O prestígio crescente que a obra foi adquirindo ao longo dos tempos é tanto mais surpreendente, porque, na altura da publicação, O grande Gatsby foi um rotundo fracasso comercial (25 mil cópias vendidas em 15 anos), contribuindo para afundar o talentoso escritor numa das frequentes depressões, regadas a álcool e comprimidos.

Presença assídua na lista das obras mais marcantes do século passado, O grande Gatsby deve parte da popularidade à forma impressiva como o autor de Terna é a noite conseguiu captar a decadência do chamado “sonho americano”.

À euforia que a maioria associava a esse período, após as privações durante a I Guerra Mundial, o controverso escritor preferiu deter-se na vacuidade desse modo de vida, assente numa fruição intensa e inconsciente da vida.
Através do despretensioso mas simplório Nick Carraway ficamos a conhecer a vida e o percurso de Jay Gatsby, um milionário famoso pelas opulentas festas que atraíam centenas à sua residência, fascinadas pelo glamour ali dominante.

Misterioso, Gatsby – para uns, um espião, para outros, um membro de uma qualquer família real europeia – opta por refugiar-se num estilo de vida hedonista para esquecer o amor que nutre pela jovem e inconsciente Daisy. Mas o desejo de a conquistar faz com que organize mais e mais festas, na esperança que a sua adorada apareça e possa sentir-se atraída por ele.

A voragem existencial que rodeia o exuberante ‘modus vivendi’ de Gatsby torna a eclosão da tragédia uma simples questão de tempo. Quando ela finalmente surge, vêm ao de cima os artifícios e os interesses em redor do multimilionário, bem evidente na indiferença com que a notícia da sua morte é acolhida.

 

TÍTULO: O grande Gatsby

AUTOR: F. Scott Fitzgerald

EDITORES: Editorial Presença: Clube do Autor; 11 x 17

Um país ainda por descobrir

11

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 13:05
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Sérgio Almeida

 

Os livros que glorificam a beleza paisagística e patrimonial portuguesa adquiriram uma importância considerável nos últimos anos. A consciência da riqueza de Portugal nesse domínio será o motivo principal da profusão de lançamentos, que, entre outras vantagens, contribuem para dar a conhecer um país muitas vezes desconhecido dos seus próprios habitantes.

O título que marca o início da actividade editorial da Eranos, chancela vocacionada para o turismo cultural, procura distinguir-se da ampla oferta existente, ao propor um roteiro de locais que dificilmente são contemplados na generalidade das edições do género.

O filósofo e editor Paulo Alexandre Loução conduz o leitor por uma diversidade de locais pertencentes à totalidade do território nacional, de Trás-os-Montes ao Algarve, sem esquecer as ilhas, que têm em comum o facto de pertencerem a um Portugal profundo e bastas vezes mágico, confirmando o subtítulo da obra “Viagens com alma”.

Ao destacar monumentos, museus e paisagens culturais que escapam aos roteiros mais óbvios, fundamentando a sua história e simbolismo, Lugares Inesquecíveis de Portugal é um verdadeiro bálsamo para a auto-estima lusitana, tão carenciada que está de exemplos que se destaquem pela positiva.

 

TÍTULO: Lugares inesquecíveis de Portugal

AUTOR: Paulo Alexandre Loução

EDITOR: Eranos

PREÇO: 27.50 euros

Um livro sem amarras

07

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 13:47
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Sérgio Almeida 

 

Obra associada a um fundo beneficente – ou parte das receitas não revertesse para a Amnistia Internacional, que se encontra a comemorar os 50 anos de vida -, Liberdade é uma colectânea de contos de mais de três dezenas e meia de autores oriundos das quatro partidas do globo.

Entre conhecidos como Nadine Gordimer, Paulo Coelho, Yann Martel e Henning Mankell, e muitos outros que, por serem oriundos de zonas remotas, não gozam de grande reconhecimento popular por estas paragens – apesar do valor que, em muitos casos, possuem -, o livro constitui uma espécie de colectânea universal do conto, transmitindo as especificidades das variadas culturas.

A cada autor foi feita apenas uma exigência: que construíssem uma narrativa inspirada num artigo em concreto da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não surpreende, por isso, que as mensagens de tolerância e respeito pelo próximo atravessem estes textos, o que está longe de significar, porém, uma unicidade temática, já que as estratégias de desenvolvimento das narrativas, bem como a respectiva visão do mundo, primam pela variedade.

 

TÍTULO: Liberdade

AUTOR: Vários

EDITOR: Editorial Presença

PREÇO: 24.50 euros

 

 

Julian Barnes lidera favoritos do Booker

06

Setembro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 19:04
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Sérgio Almeida 


À quarta nomeação, o escritor inglês Julian Barnes poderá estar em vias de conquistar o primeiro Man Booker Prize da sua carreira. O autor de Inglaterra, Inglaterra, O papagaio de Flaubert e Arthur & George - os três romances pelos quais foi nomeado anteriormente – lidera a lista de favoritos para a edição deste ano do mais prestigiado galardão de língua inglesa.

The sense of an ending, um romance em que efabula sobre o destino dos colegas de juventude, é o livro, a ser publicado pela Quetzal até ao final do ano, que valeu ao escritor de 65 anos a nova nomeação.

O favoritismo de Julian Barnes acentuou-se a partir do momento em  que Allan Hollinghurst, já distinguido com o Booker, viu o seu romance O filho do desconhecido, que a D. Quixote vai publicar em Outubro, ser excluído da lista de finalistas.

Além de Barnes, de quem a Quetzal publicou já este ano Nada a temer, concorrem ao prémio A.D. Miller, Carol Birch, Patrick deWitt, Esi Edugyan e Stephen Kelman.

Integram o júri, cujo vencedor será anunciado em Londres a 18 de Outubro, lla Rimington, Matthew d'Ancona, Susan Hill, Chris Mullin, e Gaby Wood.


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